* Por Andre Ribas, estagiário do Transamérica Esportes

Você pode até falar que o Atlético Paranaense falhou no quesito futebol, mas a sua maior falha no ano foi se afastar do seu torcedor. O caldeirão esvaziou, ficou cinza, sem vibração e sem emoção. E quem mais perde com isso? O clube.

Final do Paranaense, quartas de final da Libertadores e 11° colocado no Brasileiro. Tinha tudo pra ser um grande ano para o Atlético, mas isso se perdeu. Mudanças de técnicos, relação conturbada entre diretoria e torcida. O futebol rubro-negro não funcionou e a maior prova disso são as saídas de Paulo Autuori e Fabiano Soares. Os dois têm culpa em tudo que aconteceu, principalmente Autuori, que liderou o departamento de futebol do clube. Assim como Mario Celso Petraglia e  Luiz Salim Emed.

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Mas, tudo bem, isso é natural em alguns anos. Nem tudo sai como o planejado, erros acontecem, jogadores não rendem como esperado, comissão técnica não consegue bons resultados. Mas tem algo que é imperdoável em 2017: a forma que o torcedor do Atlético foi tratado pela diretoria. O torcedor foi e é visto como um produto. Um produto que pode ser trocado por outro, sem sentimento, sem emoção e com apenas o valor financeiro. O maior patrimônio do clube foi afastado do Furacão. O torcedor que enfrenta estrada, chuva, sol, tudo para ver o seu time em campo foi tratado como mais um, sendo que ele fica, e a diretoria passa pelo clube.

Antes de se iniciar esta guerra entre diretoria e torcida, alguns torcedores quebraram catracas no jogo contra o Grêmio, pela Copa do Brasil. Fato que foi usado para justificar as proibições impostas pela diretoria que, de certa forma, puniu o clube e não quem cometeu os atos.

A festa foi retirada do estádio e ganhou voz do outro lado da rua. Com a proibição da torcida organizada, ingressos caros e com a forma em que foi implementada a biometria, o  torcedor rubro-negro não ficou calado e, ao invés de assistir o jogo na Arena, resolveu assistir do lado de fora, com bandeiras, sinalizadores, bateria e muita festa, coisa que ele não pode fazer dentro do seu próprio estádio.

O movimento começou pequeno, mas foi crescendo a cada jogo. Cada vez mais a Arena ficava mais cinza, e a praça ganhava as cores do clube, fato que fez cair a média de público do Furacão. Contra o Atlético Goianiense, os rubro-negros tiveram o seu segundo pior público no ano. Neste jogo, foi a primeira vez que a torcida acompanhou a partida do lado de fora. No jogo anterior, a torcida já tinha realizado um protesto antes da partida.

A diretoria tentou flexibilizar a medida da biometria, pois a grande reclamação era que o sócio não poderia emprestar mais sua carteirinha ou levar o convidado que quisesse, mas aí o estrago já era grande. O torcedor não se sentia mais a vontade. E, em coletiva concedida semana passada, a diretoria deixou bem claro que vai continuar com essa política de ingressos e de rompimento com a torcida organizada.

A grande verdade é que o torcedor não abandonou o clube, foi o clube que abandonou o seu torcedor.

O futebol é gerido por dinheiro, não discordo. Clubes só formam times competitivos se obtiverem lucro, concordo. Mas, antes de tudo, é preciso existir um respeito com o torcedor. Algo de berço, coisa de pai pra filho. Não podemos descartar o torcedor de baixa renda, temos que adaptá-lo ao novo formato, dar a ele uma nova forma de poder acompanhar o clube e não desprezá-lo.

Claro que o torcedor quer mais investimentos no departamento de futebol, brigar por títulos nacionais, jogar uma Libertadores, mas, no momento, o que o torcedor atleticano mais quer é voltar a sentir o aconchego de casa.  O Atlético Paranaense precisa pensar no futebol, mas, antes disso, precisa pensar em quem é responsável pelo clube existir, o seu torcedor.

O futebol mudou, o mundo mudou, mas o sentimento do torcedor nunca muda, independente de divisão, rebaixamentos ou de eliminações. Ele sempre vai abraçar o clube e carregá-lo para glória.

O torcedor quer voltar a se sentir dono de um lar, do seu clube, da sua paixão. Menos cinzas, menos cadeiras vazias, mais vermelho e preto e a volta do caldeirão rubro-negro. A volta do Atlético Paranaense do povo.