Llorente, durante eliminação da Juve para o Benfica na Liga Europa (AP Photo/ Massimo Pinca)

Um Benfica quase impecável proporcionou à Juve mais uma decepção continental

De absolutamente todas as suas partidas em casa no Campeonato Italiano nesta temporada, a Juventus saiu vencedora. Não houve um jogo sequer em seus domínios do qual os atuais bicampeões nacionais saíssem sem balançar as redes. Carlos Tevez vive grande fase; Andrea Pirlo, Arturo Vidal e Paul Pogba também não ficam muito atrás. Os fatores para acreditar em um triunfo da Juve sobre o Benfica nesta quinta-feira eram inúmeros, mas vai avisar isso para Jorge Jesus. Com uma equipe muito bem montada e jogadores exemplarmente dedicados a seus papéis táticos e de marcação, os Encarnados brecaram os bianconeri em Turim e agora vão para sua segunda final consecutiva de Liga Europa.

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Quem esperava um Benfica deliberadamente acuado desde o início do jogo se surpreendeu com os 20 minutos iniciais. Os portugueses eram os que mais chegavam ao ataque, com bastante fluidez e velocidade nos contra-ataques. Foi apenas a partir dos 20 minutos que a Juventus passou a exercer seu favoritismo de dono da casa. O recuo dos Encarnados foi algo forçado pelos comandados de Antonio Conte, não decisão de Jorge Jesus. Os cinco minutos finais da etapa inicial, em especial, foram de bastante pressão dos bianconeri, e a impressão era de que se o primeiro tempo durasse mais alguns poucos minutos, o gol poderia sair.

Apesar da crescente pressão italiana, o Benfica não mostrou alguma grande fraqueza ou protagonizou alguma falha defensiva grave que possibilitasse à Juve abrir o placar. Ezequiel Garay e Luisão fizeram grande partida, sobretudo o brasileiro. E, atrás deles, estava Jan Oblak, que, apesar dos poucos 21 anos de idade, fez uma partida segura como a de um grande veterano de qualidade.

Naturalmente, conforme o tempo passava e gol não saía, a Juventus foi se desordenando um pouco no ataque. Como consequência, os lances ofensivos foram sendo mais frequentes e incisivos, mas sem ameaçar de fato os portugueses. Por volta dos 30 minutos da etapa final, o Benfica era pressionado, mas não abdicava de tentar os contra-ataques e também mantinha um ótimo trabalho defensivo. O jogo era deles e cada um dos jogadores sabia disso. Nem mesmo a expulsão de Enzo Pérez, alguns minutos antes, havia mudado isso. Inclusive, o fato de o time ter perdido o argentino e ainda assim ter mantido o nível bom de atuação mostra como o Benfica sabia bem o que estava fazendo e o quão bem estava desempenhando esse papel ao qual se propôs.

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Se a dupla de ataque brasileira formada por Rodrigo e Lima estivesse em uma noite melhor, a confirmação da vaga à final poderia ter acontecido bem antes do apito final de Mark Clattenburg. Todo o time benfiquista funcionou muito bem. Lazar Markovic e Nico Gaitán fizeram bem sua parte ofensivamente. Faltou mesmo aos atacantes concluirem melhor as oportunidades que tiveram.

Ao fim do duelo e com os finalistas decididos, vale mais a pena exaltar o feito dos portugueses que mais um fracasso continental da Juventus. Apesar de a dificuldade bianconera em competições europeias ter ficado mais uma vez evidente, o trabalho de marcação liderado por Jorge Jesus merece aplausos. Foi efetivo sem precisar estacionar o ônibus. Tirou o ímpeto dos italianos sem ter que apelar para o antijogo. Contou também com a sorte, é verdade, mas se dela é preciso para ser campeão, o Benfica aceita com toda alegria essa virtude. Afinal, vai necessitar demais disso em mais uma tentativa de quebra da maldição de Béla Guttmann.

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