Tanto quanto seus craques, Arsenal e Chelsea têm como protagonistas seus técnicos. Arsène Wenger e José Mourinho não são badalados no futebol à toa. Tanto quanto os títulos no currículo, os dois sabem muito bem como armar um time. Algo que deu para se notar muito bem no Estádio Emirates nesta segunda. Os méritos dos técnicos se sobressaíram dentro de campo. Assim como a rivalidade alimentada por ambos durante anos também parece ter influenciado os jogadores. Em um clássico que valia até a liderança da Premier League, Gunners e Blues saíram com um empate por 0 a 0 insatisfatório, mas aceitável diante da batalha de nervos e de recursos táticos que se travou em Londres.

Era jogo de Campeonato Inglês, mas não surpreenderia se fosse de Libertadores. Sobraram lances duros entre as duas equipes, especialmente do Chelsea, que foi a campo com a faca nos dentes para se defender e explorar os contra-ataques. Com o árbitro Mike Dean deixando o jogo correr e distribuindo poucos cartões, foi até normal a quantidade de confusões e discussões entre os jogadores ao longo dos 90 minutos.

O Chelsea foi eficiente ao que se propôs. Trancou o meio de campo com Ramires, Obi Mikel e Frank Lampard. Conseguiu anular a fluidez do jogo do Arsenal, que tinha a bola, mas não contava com Mesut Özil eficiente na armação. Na única vez em que o alemão teve mais liberdade, em um erro de marcação de Cezar Azpilicueta, a bola sobrou para Theo Walcott, que acabou caindo na área após contato com Willian. O juiz não marcou nada, ouvindo muitas reclamações dos Gunners depois.

Enquanto isso, o Chelsea era melhor. Eden Hazard e Willian não eram tão brilhantes, mas faziam o ataque funcionar com arrancadas pelas pontas. Os Blues foram muito mais perigosos durante o primeiro tempo, especialmente durante os 15 minutos finais, quando a meta de Wojciech Szczesny esteve em maior risco e Lampard chegou a acertar o travessão.

No segundo tempo, a necessidade em vencer em casa e manter a liderança fez com que o Arsenal se posicionasse mais a frente. O cansaço também pesou para que a defesa do Chelsea diminuísse sua intensidade. Com Olivier Giroud abrindo buracos na linha defensiva, o time de Wenger viveu seus melhores momentos, pressionou mais ao redor da área. Porém, o centroavante acabou perdendo as duas grandes oportunidades que caíram em seus pés.

De potenciais líderes, Chelsea e Arsenal fecham a última rodada antes do Natal como perseguidores do Liverpool, confirmado na primeira colocação. Obviamente, não são esses pontos perdidos que os tirarão da corrida pelo título. Em uma temporada tão parelha na Premier League, uma boa sequência de jogos parece bastar para que o campeão desponte. E, com técnicos competentes,  não dá para se duvidar do potencial do Chelsea e do Arsenal, cada vez mais acertados para essa metade final do campeonato.

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Destaque do jogo

A solidez defensiva do Chelsea. O Arsenal teve bem mais a bola no Emirates, 61% do tempo, e acertou quase duas vezes mais passes do que os Blues, 448 contra 259. Ainda assim, os Blues conseguiram fechar muito bem os espaços e dar poucas brechas às chegadas dos homens do meio dos Gunners. O Arsenal só chutou sete vezes a gol, sua segunda pior marca nesta Premier League, e mal fez Petr Cech sujar o uniforme.

Momento chave

A bola na trave de Frank Lampard, aos 32 minutos do primeiro tempo. Foi a chance de gol mais clara da partida, também no momento de maior pressão do Chelsea no jogo, pouco antes do intervalo. O meio-campista soltou a bomba, mas a bola triscou na barra, quicou sobre a linha e foi afastada pela defesa do Arsenal.

Curiosidade

Arsène Wenger enfrentou José Mourinho pela décima vez na carreira e continua sem vencer: são seis empates e quatro derrotas para o português.

Ficha técnica

ARSENAL 0×0 CHELSEA

Arsenal_escudo ARSENAL
Wojciech Szczesny, Bacary Sagna, Per Mertesacker, Thomas Vermaelen e Kieran Gibbs; Mikel Arteta e Aaron Ramsey; Theo Walcott, Mesut Özil e Tomas Rosicky; Olivier Giroud. Técnico: Arsène Wenger.
Chelsea CHELSEA
Petr Cech, Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Cezar Azpilicueta; Obi Mikel, Ramires e Frank Lampard; Willian (Oscar, 32’/2T), Fernando Torres (David Luiz, 42’/2T) e Eden Hazard (André Schürrle, 28’/2T). Técnico: José Mourinho.
Local: Estádio Emirates, em Londres
Árbitro: Mike Dean (ING)
Gols: Nenhum
Cartões amarelos: Rosicky e Walcott (Arsenal); Ramires (Chelsea)
Cartões vermelhos: Nenhum