Após uma longa eleição, a Libéria finalmente elegeu o seu novo presidente. E você provavelmente sabe quem é. George Weah recebeu 61,5% dos votos, com 98,1% apurados, e foi confirmado o vencedor do pleito pela comissão eleitoral, nesta quinta-feira. Torna-se o líder de um dos países mais pobres do mundo.

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Esta foi a segunda vez que Weah candidatou-se ao cargo máximo da Libéria. Em 2005, foi derrotado por Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher democraticamente eleita chefe de estado de um país africano. Recebeu apenas 40% dos votos. Seis anos depois, compôs chapa como vice-presidente com Winston Tubman e foi destruído por Sirleaf, que ficou com 90,7% da preferência do eleitorado.

Apesar das derrotas, Weah não desistiu de entrar para a política e, em 2014, foi eleito senador pelo condado de Montserrado, construindo capital político para tentar a presidência mais uma vez. E finalmente conseguiu vencer. O líder do partido Congresso para a Mudança Democrática sucede Sirleaf na primeira transição democrática de poder da Libéria desde 1944.

Desde então, o país fundado por escravos americanos e caribenhos passou por um golpe militar e uma guerra civil de 14 anos que terminou apenas em 2003. Naturalmente, o discurso de Weah é de união. “Acredito que o povo da Libéria tem que ser seguro e unido. Estamos vindo de uma era de desentendimentos, em que não conseguimos entender nossa diversidade cultural. Sem solidariedade e reconciliação e paz, não conseguimos crescer, não conseguimos avançar”, disse, antes da eleição.

Ex-embaixador da Unicef, Weah conduziu trabalhos comunitários com a juventude da Libéria antes de entrar para a política. “Se você percorrer a Libéria e perguntar sobre o senador Weah, as pessoas vão dizer que sou um bom homem, que faço o que esperam de mim”, completou. “Tudo que eu faço, tudo que eu toco é um sucesso”. Essas declarações foram dadas em resposta a críticas de adversários políticos de que Weah não é o senador mais presente da bancada.

Alex Cummings, ex-executivo da Coca-Cola, foi o outsider da eleição. Concorrendo pelo partido Alternativa Nacional para o Congresso, ficou em quinto lugar no primeiro turno, com apenas 7,2% dos votos. Antes do pleito, criticou o currículo de Weah. “O senador Weah está no cargo desde 2014 e não propôs nem apoiou nenhuma legislação. Como candidato à presidência em 2005 e à vice-presidência em 2011, o senhor Weah não construiu sequer uma academia de futebol na Libéria”, disse.

Além das declarações de Cummings, o Instituto de Pesquisa e Empoderamento Democrático colocou Weah como o senador que menos participou de deliberações do Senado em 2015. O ex-jogador de futebol respondeu que co-patrocina legislações e que representa bem o seu povo. “Estamos em uma época política, então as pessoas dizem mentiras contra mim. Pessoas contra a minha ideologia dirão o que quiserem dizer”, afirmou.

O argumento era que Weah não tinha maturidade política para enfrentar os desafios da Libéria, que sofreu com um surto do vírus ebola recentemente, tem problemas sérios de corrupção e pobreza crônica. Tanto o Fundo Monetário Internacional quanto o Banco Mundial colocam a Libéria como o quarto país mais pobre do mundo, com base no PIB per capita (a divisão de toda a riqueza da nação pelo número dos seus habitantes), de aproximadamente US$ 800.

Weah recebeu 38,4% dos votos no primeiro turno e se estabeleceu como favorito para a votação decisiva contra o vice-presidente governista Joseph Boakai, que recebeu 28,8% da preferência. O segundo turno deveria ter acontecido no começo de novembro, mas foi adiado pela Suprema Corte, depois que o terceiro colocado Charles Brumskine, contestou judicialmente os resultados preliminares.

A presença do eleitorado nas urnas para o segundo turno foi de 56%. Com 98,1% dos votos apurados, Weah chegou a 720 mil contra 451 mil do adversário, liderando 14 dos 15 condados da Libéria. É o equivalente político de uma goleada.