Dzeko fez dois gols em Old Trafford (AP Photo/Jon Super)

Só um dos clubes de Manchester é um time em campo, e não é o lado vermelho

O Manchester United não considera o Manchester City o seu maior rival. Normal, até pela tradição do confronto com o Liverpool, uma das camisas mais pesadas da Inglaterra e da Europa. Só que hoje o Manchester City é uma potência dentro da Inglaterra, que tenta ser uma potência continental. E com o lado vermelho de Manchester passando por uma transição mais dura do que se esperava após a saída de Alex Ferguson, o Manchester City se aproveita.  Nesta temporada, foi amplamente superior que o rival, não só pela posição que ocupa na tabela, mas no futebol apresentado em campo. Nos confrontos diretos, essa diferença foi escancarada. Nesta terça, no jogo do returno pela Premier League, os Citizens foram até o Old Trafford e venceu por 3 a 0. Na ida, tinha vencido por 4 a 1.

A formação escolhida pelo técnico David Moyes foi com Marouane Fellaini como meia central, Wayne Rooney adiantado como centroavante. Welbeck jogou pelo lado esquerdo, com Mata pela direita. Não funcionou, muito porque Fellaini errou muito, não conseguiu nem marcar nem atacar. Foi pouco efetivo, para dizer o mínimo. Coletivamente, o time não existe. Há bons jogadores, mas que não parecem se articular. Sem Robin van Persie, seu principal atacante, o time perde muita força ofensiva e nas bolas paradas, já que ele é uma ameaça não só nas cobranças, mas no jogo aéreo – algo que, com Rooney como centroavante, o time perde.

O Manchester City, ao contrário, é coletivamente forte, além de individualmente mais talentoso que o rival. Já tinha mais talentos, mas faltava a mentalidade vencedora e o senso coletivo que o United sempre teve mais. Até que Alex Ferguson saiu e deixou um vácuo que não foi preenchido. Nenhuma alteração promovida pelo técnico foi suficiente para dar mais consistência ao time. E, desta vez, só Rooney não foi suficiente, porque o camisa 10 não teve uma grande atuação. Muito porque o time também não ajudou. Fica evidente que falta coletividade, um senso de equipe.

Se há um time em Manchester atualmente, pensando em termos de futebol apresentado em campo, esse é o Manchester City. Em 29 jogos, o Manchester City chegou a 66 pontos, três a menos que o Chelsea, ainda líder, mas com dois jogos a mais. O City tem elenco para ser campeão e como não tem mais nenhuma competição para se dedicar, terá toda sua concentração para isso. É o favorito, mesmo contra um Chelsea forte que tem José Mourinho no banco.

O Manchester United precisará se reconstruir. Não como clube, mas como equipe. Enquanto isso, tem tudo para ver o rival brigar forte pelo título na Inglaterra e com potencial para crescer na Liga dos Campeões, competição que dificilmente o United estará na próxima temporada. Aliás, se eu fosse Moyes, colocaria as barbas de molho. A situação tende a piorar.

Formações iniciais

Man Utd x Man City

Destaque do jogo

Dzeko fez os dois gols e teve participação fundamental no jogo. É verdade que no primeiro gol ele teve liberdade e no segundo, em parte, também. Mas a sua participação foi fundamental.

Momento-chave

O gol logo no primeiro minuto fez o Manchester City ter toda a tranquilidade do mundo para o jogo. O que já é uma vantagem importante considerando o time que o Manchester United (não) é no momento.

Os gols

1’/1T: GOL DO MANCHESTER CITY! David Silva teve a chance, De Gea defendeu, a bola voltou e, no bate e rebate, sobrou para Nasri finalizar, a bola desviar e sobrar para Dzeko fazer o gol.

11’/2T: GOL DO MANCHESTER CITY! Cobrança de escanteio no início do Segundo tempo e Dzeko finalizou de primeira para ampliar o placar.

46’/2T: GOL DO MANCHESTER CITY! Com o Manchester United praticamente entregue em campo, Yayá Touré conduziu a bola até entrar na área e finalizar cruzado, fechando a conta.

Curiosidade

Com a vitória desta terça, o Manchester City venceu as duas partidas contra o Manchester United. Na última vez que isso aconteceu, na temporada 2011/12, o Manchester City foi campeão. Nos últimos 10 jogos, quatro vitórias do Manchester United e seis vitórias do Manchester City, sendo que nos últimos três confrontos, três vitórias do time azul.

Ficha técnica

Manchester United 0×3 Manchester City

Manchester United escudoManchester United
David de Gea; Rafael, Rio Ferdinand, Phil Jones e Patrice Evra; Michael Carrick e Tom Cleverley (Shinji Kagawa, intervalo); Juan Mata, Marouane Fellaini (Antonio Valencia, 21’/2T) e Danny Welbeck (Javier Hernández, 32’/2T); Wayne Rooney. Técnico: David Moyes

Manchester City_escudoManchester City
Joe Hart; Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Martín Demichelis e Gael Clichy; Yayá Touré e Fernandinho; Jesus Navas (Javi García, 23’/2T), David Silva e Samir Nasri (James Milner, 29’/2T); Edin Dzeko (Álvaro Negredo, 34’/2T). Técnico: Manuel Pellegrini

Local: Estádio Old Trafford, em Manchester (ING)
Árbitro: Michael Oliver (ING)
Gols: Dzeko, 1’/1T, 11’/2T, Yayá Touré, 46’/2T (Manchester City)
Cartões amarelos: Welbeck, Fellaini (Manchester United), Kompany, Fernandinho (Manchester United)
Cartões vermelhos: Nenhum