Foi um título com a cara da torcida do Flamengo. O Maracanã abarrotado, onde nem o preço exorbitante dos ingressos ou ambiente protocolar das novas arenas impediu a festa autêntica. Foram 90 minutos de êxtase dos 68 mil rubro-negros nas arquibancadas, que cantaram, pularam, rodaram as camisas – por mais que os 80 primeiros minutos da decisão não tenham justificado tamanha empolgação. Mas os flamenguistas são persistentes. E, confiando em um time limitado, mas aguerrido, viram seu Mengão faturar a Copa do Brasil.

A terceira conquista do Flamengo na competição talvez seja a mais simbólica. Não com um time de basicamente montado com pratas da casa, como em 1990. Ou em uma final contra o rival Vasco, em uma época de vacas magras, a exemplo do que aconteceu em 2006. Porém, o título de 2013 une diversos elementos comuns no clube ao longo dos últimos anos: o técnico interino que conhece a Gávea, o time comprometido, a presença massiva da torcida. Tudo coroado por uma campanha irretocável.

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Afinal, quando a Copa do Brasil começou a valer de verdade, o Fla eliminou quatro dos cinco primeiros colocados do Brasileirão. O campeão Cruzeiro foi a vítima nas oitavas, com o gol salvador de Elias. Nas quartas, a vítima foi o Botafogo, tripudiado pelo Brocador Hernane. O Goiás foi presa fácil nas semifinais, graças à atuação soberba de Paulinho na ida. E, justamente graças ao poder de decisão do mesmo trio, bateu o Atlético Paranaense por 2 a 0, para fazer o Maracanã explodir.

Assim como tinha acontecido no 1 a 1 de Curitiba, poucas foram as emoções na finalíssima do Rio de Janeiro. O Flamengo tinha a iniciativa, o domínio, mas pouco conseguia fazer diante da forte marcação do Furacão. Luiz Antônio foi o único que destoou. Um bom chute de fora da área defendido por Weverton, uma cobrança de falta em que Zico baixou sobre o corpo do bom volante e a bola bateu caprichosamente na forquilha. No mais, foi até difícil para a tv escolher os melhores momentos no intervalo.

O roteiro seguia de doer no segundo tempo. Parecia tudo meticulosamente planejado por Jayme de Almeida, que queria conter o ‘oba oba’, o pior adversário do Flamengo nas decisões com o estádio lotado. Contudo, aquela empolgação toda nas arquibancadas não merecia um título tão xoxo, de um empate por 0 a 0 coroado pelos gols fora. Foi então que os rubro-negros resolveram jogar e, com o Atlético também se abrindo em busca do gol, chegaram à vitória.

A foto oficial do Flamengo campeão (Fonte: Site do clube)

A foto oficial do Flamengo campeão, clique para ampliar (Fonte: Site do clube)

Depois de uma sequência de defesas de Weverton, incluindo uma no improvável voleio de Hernane, Elias abriu o placar. O jogador, que sofreu tanto com a doença de seu filho durante os últimos meses, apareceu mais uma vez, após uma excelente jogada de Paulinho. E, nos acréscimos, veio o dele, do Brocador. Não foi um lance tão plástico quanto o anterior. Mesmo assim, valeu para o artilheiro do novo Maraca consagrar o primeiro clube campeão no estádio.

A vitória fez o Flamengo voltar no tempo. Mais exatamente, para o dia 19 de setembro, no mesmo Maracanã, contra o mesmo Atlético Paranaense. Nos oito primeiros minutos, Hernane e Luiz Antônio desenhavam um triunfo que parecia fácil. Entretanto, os 2 a 0 se transformaram em um 4 a 2, Mano Menezes cedeu à pressão e pediu demissão. Deixou a bomba nas mãos de Jayme de Almeida. Que parou para entender seus jogadores, motivá-los. O time se transformou. Pouco mais de dois meses depois, Elias e Hernane retomaram aqueles 2 a 0 justamente nos oito minutos finais. Fecharam uma reviravolta com a cara do Flamengo de 2001, de 2007, de 2009. Só dessas capazes de provocar uma vibração tão impressionante da massa rubro-negra.