A torcida no Estádio Nacional já estava impaciente, mas não deixava de acreditar. Naquele momento, a Costa Rica precisava de apenas um gol para se confirmar na Copa do Mundo. E ele veio, nos últimos suspiros, aos 50 do segundo tempo. Para fazer explodir a massa vermelha nas arquibancadas. Graças ao empate por 1 a 1 com Honduras, os Ticos confirmaram a classificação ao quinto Mundial de sua história. Darão mais uma chance à geração que ganhou uma legião de fãs pelo Brasil em 2014, esperando surpreender outra vez na Rússia. O embalo dos costarriquenhos nas Eliminatórias da Concacaf não foi tão grande, mas algumas das armas permanecem.

Ao longo da campanha no hexagonal final da Concacaf, a Costa Rica perdeu apenas para o México. Sofreu alguns tropeços em casa, o que não é muito costume, empatando contra Panamá e contra os próprios hondurenhos. O grande trunfo dos Ticos, entretanto, veio nos embates ante os Estados Unidos. Se o sofrimento dos americanos foi tamanho ao longo do torneio, a responsabilidade dos costarriquenhos por isso é enorme. Primeiro, enfiaram 4 a 0 no Estádio Nacional. Já em setembro, veio o atordoante triunfo por 2 a 0 em Harrison. O resultado que deixou a equipe a um triz do Mundial.

Depois do empate contra o México na rodada passada, a Costa Rica preparou a festa em San José. Não seria um jogo fácil, considerando a importância do duelo para Honduras, ainda com esperanças. Ao longo dos 90 minutos, o confronto se seguiu tenso. Houve confusão e seis cartões amarelos distribuídos. Além disso, os Ticos estiveram distantes de fazer sua melhor apresentação. Criando mais chances, os hondurenhos abriram o placar aos 21 do segundo tempo, com Eddie Hernández cabeceando firme no canto de Keylor Navas. Os costarriquenhos precisaram insistir. Até que o empate, já suficiente para a vaga no Mundial, saísse aos 50. Jogadaça de Bryan Ruiz pela direita, cruzando para Kendall Watson completar dentro da área. O êxtase tomava a atmosfera do Estádio Nacional, com fogos de artifício explodindo nos céus.

A maior parte dos protagonistas da Costa Rica em 2014 continua sendo convocada, quase todos próximos ou na casa dos 30 anos. A única ausência sentida é a de Joel Campbell, lesionado. Em compensação, Marco Ureña se firmou no comando do ataque. O problema é que, se sobra experiência, a energia para manter o padrão de jogo que se viu no Brasil, dependendo bastante no empenho tático, diminui com o peso da idade. Além disso, os Ticos não contam mais com seu mestre no banco de reservas. Jorge Luis Pinto trabalha justamente em Honduras, com Óscar Ramírez imprimindo os seus conceitos desde 2015. De qualquer forma, o esquema com cinco homens na defesa segue como marca.

As expectativas da Costa Rica se concentram, sobretudo, em seus dois grandes astros. Keylor Navas é o cara que muda o time de patamar. O goleiro sofreu apenas seis gols nesta campanha nas Eliminatórias, acumulando milagres. É o homem de confiança da maioria absoluta dos costarriquenhos, por tudo o que pode oferecer sob as traves – e já ofereceu em 2014, com atuações impressionantes. Já no ataque, mesmo sem viver boa fase, Bryan Ruiz permanece como o ponto de referência. Dono da camisa 10 e da braçadeira, o veterano é o mais capaz de chamar a responsabilidade, como se viu neste sábado.

Em um continente no qual a competitividade é relativamente baixa, a Costa Rica não tem problemas para se colocar entre as principais seleções da Concacaf. Se a classificação em 1990 parecia um feito histórico na época, desde 2002 os Ticos conseguiram avançar ao Mundial com frequência – exceção feita apenas a 2010, quando caíram para o Uruguai na repescagem. Prêmio a um trabalho consistente, que merecia mais uma chance depois da façanha no grupo da morte em 2014. Repetir aquele desempenho parece difícil, mas os costarriquenhos podem ao menos esperar uma campanha digna de seus compatriotas.

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Última rodada na Concacaf

Com México e Costa Rica classificados, restam duas vagas em disputa na Concacaf, uma delas para a repescagem. O Estados Unidos é o favorito pelo terceiro posto. Somando 12 pontos, um empate contra Trinidad e Tobago fora de casa já deve ser suficiente, considerando o saldo de gols – com sete tentos de vantagem sobre o Panamá e 12 sobre Honduras, ambos com 10 pontos. Os panamenhos recebem a Costa Rica, devendo ir à repescagem em caso de vitória. Já os hondurenhos encaram o México em sua casa, torcendo por um tropeço dos concorrentes.