Uma das cenas mais marcantes da campanha da Colômbia na Copa do Mundo de 2014 não aconteceu no Brasil. Após a histórica caminhada até as quartas de final, o time de José Pekerman foi recebido com honras na volta ao país. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para exibir seu orgulho com o melhor desempenho dos cafeteros na história dos Mundiais, naquilo que também era uma festa aguardada após 16 anos de ausência no torneio. A trajetória no Mundial de 2018 não foi tão impressionante. Teve os seus altos e baixos, mas terminou com uma pitada de altivez, diante da reação contra a Inglaterra nos minutos finais e na prorrogação. Então, esqueceram-se as broncas com Pekerman e qualquer reclamação com este ou aquele jogador. Novamente, centenas de milhares tomaram as ruas e as arquibancadas para saudar a seleção, mostrando a melhor face de um povo.

Depois de tudo o que aconteceu contra a Inglaterra, dentro e fora de campo, a recepção tem um quê de orgulho nacional. Ainda assim, a resposta dos colombianos esteve longe da raiva e do rancor. Foi cheia de empatia, fanatismo e alegria com os compatriotas. Um mar amarelo tomou Bogotá e inundou as margens das ruas, por onde seguia o ônibus cafetero. A falta de sorrisos dos jogadores e os vidros fechados frustraram alguns. Mas a verdadeira comunhão seria celebrada no gramado do Estádio El Campín, de arquibancadas abarrotadas por 30 mil pessoas. Em vez do azul ou do vermelho, cores do clássico entre Millonarios e Independiente Santa Fe, o predomínio era amarelo.

“Muito obrigado a todos por esta recepção. Todos estamos emocionados e felizes pela participação na Copa do Mundo. Não somos ganhadores e nem perdedores, estamos orgulhosos por esta camisa”, apontou Pekerman, diante da massa, vestindo a 9 de Radamel Falcao García. Apoio suficiente para que os cafeteros sigam em frente e, quem sabe, ofereçam nova alegria à essa gente nos próximos quatro anos.