É fácil de ver, até porque uma coisa daquele tamanho é notada por qualquer um: em jogos do Brasil, na Fan Fest pernambucana, no Cais da Alfândega, bairro do Recife Antigo, bonecos gigantes de Olinda emprestam um clima de carnaval à festa dos torcedores. Jogadores da seleção brasileira de Felipão, Pelé, craques do passado e até narradores e comentaristas de televisão assistem a tudo do alto dos seus quase quatro metros de altura. E quando não estão fazendo isso, ficam expostos à visitação na Embaixada de Pernambuco dos Bonecos Gigantes de Olinda, na Rua do Bom Jesus, bem próximo ao Marco Zero e à Praça do Arsenal.

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O espaço é pequeno e os bonecos precisam ser colocados em cima de pessoas para ficarem realmente gigantes. O museu em que descansam à espera da próxima festa não passa de uma sala funda, não tão alta quanto se esperaria, em uma casa aparentemente normal. Dos mais de 200 que a empresa coordenada por Leandro Castro construiu, apenas 60 cabem esse espaço. O restante fica no ateliê, também no Recife. A equipe com cinco pessoas ganha dinheiro com o preço da visitação (R$ 20 a inteira e atualmente a meia-entrada está disponível para todos) e emprestando-os para eventos, como blocos de carnavais, festas e etc.

Eles revezam os que ficam expostos, mas alguns só deixam o museu para serem cedidos a eventos. São intocáveis: Michael Jackson, Pelé, Luiz Gonzaga e Silvio Santos, por exemplo. E sempre vão acompanhados por uma equipe do ateliê. Nunca ficam sozinhos. O grande trunfo da empresa são os bonecos de celebridades, modelados em bairro, com base em uma simples foto, depois transformados em fibras de vidro. “Fica mais leve e resistente. Pode levar chuva”, explica a figurinista Sineide Castro, responsável também pelos cabelos. “Os cabelos às vezes são um problema. Nem sempre dá para imitar a cor, então tentamos chegar o mais próximo possível”.

A Embaixada sempre pede autorização dos homenageados antes de fazerem os bonecos. Alguns demoram muito para responder, outros dizem que não, como Maria Betânia, católica, que recusou aparecer porque “a religião dela não permite”. Xuxa, por outro lado, demorou tanto para responder que eles desistiram. “Estava mais para não do que para sim mesmo”, explica Sineide. Nunca houve um pedido de celebridade por bonecos, mas alguns políticos requisitaram para eventos de candidatura e comícios.

Sineide conta que vários artesões em Olinda fazem bonecos gigantes também, mas usam isopor e criam figuras imaginárias. De fibra e sobre celebridades, apenas a empresa dela, que fará uma exposição histórica em agosto, no prédio da Associação Comercial do Recife. Contarão a história do Brasil com bonecos gigantes, desde a Princesa Isabel a presidentes, como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, exposta no museu, escondida no canto atrás de um boneco do cantor brega Falcão.

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Chamam a atenção também os bonecos estrangeiros, como o Papa Francisco, a Rainha Elizabeth e Che Guevara. Ainda mais nessa época de Copa do Mundo, em que os turistas de outros países são os principais clientes do museu que existe desde 2009 e abre de domingo a domingo. “Todo mundo tira fotos. Eles pegam os chapéus, ficam loucos com os bonecos”, afirma Sineide.

Com a Copa do Mundo, vários jogadores do time de Scolari foram construídos, como David Luiz, Fred, Hulk e – obviamente – Neymar. Hulk está pintado de verde desde a última partida da seleção brasileira, contra Camarões, e Fred acabou de ganhar um bigode, que será estreado nas oitavas de final contra o Chile. “Vamos ver se dá sorte”, brinca. Neste sábado, inclusive, uma banda de Frevo irá acompanhá-los até a Fan Fest, para torcer pelo Brasil. Caso vocês tenham ficado curiosos, deve ser fácil avistá-los: basta olhar para cima.


Veja alguns dos personagens expostos à visitação na Embaixada de Pernambuco dos Bonecos Gigantes de Olinda.