Aranha, Arouca, Márcio Chagas, Tinga, Hulk, Daniel Alves. O ano de 2014 teve um número vergonhoso de casos de racismo envolvendo jogadores brasileiros. Episódios que mancham o futebol, mas que ao menos ressaltam a importância de um problema que não está impregnado apenas nos estádios, mas em toda a sociedade brasileira. Cada vez mais, fica claro que a ideia de democracia racial brasileira é falsa, diante do racismo institucionalizado que impera no país. E o futebol, como um retrato popular do que acontece em outros setores, é importante para escancarar o debate.

Neste contexto é que o Observatório da Discriminação Racial no Futebol divulgou o Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol. O documento lista os episódios envolvendo times brasileiros, atletas do país no exterior e também a Copa do Mundo que tiveram cobertura da imprensa durante o último ano. Números alarmantes. Como define o próprio relatório, “que identifica o crescimento dos casos de racismo no futebol nacional”.

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Ao todo, o Observatório listou 37 ocorrências de racismo, sendo 20 envolvendo os jogos realizados nas competições nacionais. Destas, 19 aconteceram dentro do estádio e apenas uma, na internet. Obviamente, a lista se restringe ao que repercutiu na imprensa, e não se aprofunda em casos mais específicos. A cobertura esportiva mais intensa também expõe os estados do Sul e Sudeste, com 16 dos episódios – todas as sete unidades federativas registraram ao menos um. O Rio Grande Sul aparece à frente, com cinco, um a mais do que São Paulo.

Além disso, o relatório também agrupa as punições dadas às ocorrências. Ao todo, 70% tiveram alguma punição, enquanto 10% seguem em andamento e 20% não tiveram informações. As instituições de justiça desportiva se encarregam das decisões, punindo nove episódios com multa aos clubes, perda de pontos ou perda de manda de campo. Em compensação, apenas dois agressores acabaram punidos no âmbito civil.

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O Observatório aponta alguns caminhos para combater a discriminação racial no futebol brasileiro. Entre eles, estão: um Plano de Ação Nacional da CBF, padronizando os procedimentos das federações; ações sociais mais efetivas dos clubes e também penas internas antes do posicionamento da esfera pública; ações sociais entre as torcidas organizadas; conscientização sobre a importância de denúncias; e a participação do governo federal através de programas educacionais nas escolas.

O combate ao racismo no futebol, sobretudo, necessita de um trabalho conjunto e profundo. Mais do que expor o problema, também é preciso denunciar, esperando as devidas punições criminais ou civis quando necessário. E, o principal, conscientizar sobre as discriminações aos quais muitos fecham os olhos. Se o futebol acaba refletindo o que acontece nas ruas, que ele seja também o espelho de um ambiente de respeito, de igualdade e de tolerância zero à discriminação.

>>> Para quem se interessou pelos detalhes completos, o relatório completo pode ser conferido neste link.