Naquele mês de setembro, 21 anos atrás, ninguém poderia adivinhar que o Barcelona estava recebendo um adolescente que se tornaria uma das suas principais bandeiras. Andrés Iniesta chegou ao clube em 1996 e só irá embora quando quiser, depois de ter assinado um contrato vitalício, nesta sexta-feira.

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Em vez de renovar por uma temporada, ano a ano, como se costuma fazer com veteranos, o Barcelona preferiu confiar na sensatez do seu capitão, que decidirá sozinho se ainda tem cabeça e pernas para continuar atuando no alto nível que o clube exige. Uma demonstração de respeito a um ídolo da diretoria catalã e, também, uma ação política esperta do presidente Josep Bartomeu, cada vez mais contestado por dirigentes blaugranas e torcedores.

Iniesta, 33 anos, tem 639 partidas com a camisa do Barcelona, marcou 55 gols e conquistou 30 títulos, marca recorde ao lado de Lionel Messi. Capitão desde 2015, quando Xavi, seu eterno parceiro, saiu para o Catar, já vive a reta final da sua carreira. Não consegue manter um alto nível de desempenho, principalmente físico, ao longo de uma sequência de jogos, mas ainda tem a capacidade de ser a diferença entre a derrota e a vitória nos grandes duelos.

“Meu vínculo e meu amor por este clube nunca levarão ao confronto”, disse Iniesta. “Estarei aqui até que meu corpo e minha mente me digam para estar. Espero que seja muito tempo. Minha intenção sempre foi permanecer o maior tempo possível, não apenas para estar, mas para somar e ter significado para o clube. Não consigo imaginar o que minha cabeça pensará em maio ou junho, espero que continue assim”.

Já há três temporadas, Iniesta tem sofrido com lesões e sendo poupado de algumas partidas, principalmente do Campeonato Espanhol. Nesse período, atuou em 75 das 114 rodadas disputadas pelo Barça em La Liga, e apenas 57 desde o começo. Na atual campanha da equipe, com 100% de aproveitamento sob o comando de Ernesto Valverde, só perdeu a estreia, contra o Bétis, por lesão muscular, e saiu do banco de reservas contra o Las Palmas.

É a primeira vez na história do Barcelona que um jogador recebe um contrato como este. E não dá para dizer que Iniesta não o merece.