Muitos clubes costumam manter os pés no chão durante a Série B. Natural, considerando as possibilidades financeiras mais modestas na segunda divisão nacional. O que não necessariamente impede a contratação de medalhões, que buscam uma chance de refazer os seus nomes e se reerguer. A Segundona de 2018 é pródiga neste sentido, com muitas figurinhas carimbadas dando as caras. Destacamos 16 deles, mais outros oito que estarão na Série C. Escolhemos um jogador por clube, para aumentar a “diversidade”. Abaixo, a lista e a caixa de comentários aberta para outras adições. Confira:

Osvaldo (Fortaleza)

Rogério Ceni tem os seus homens de confiança no Fortaleza. Entre eles, um velho companheiro dos tempos de São Paulo: o ponta Osvaldo. Dono da camisa 11 na abertura da segundona, tinha deixado o Fluminense para defender o Sport no último ano, sem sucesso. Pelo Leão do Pici, participou do último Campeonato Cearense. Só não causa o impacto do ex-corintiano “Gustagol”. O centroavante começou a Série B brilhando, com um golaço de falta nos acréscimos do segundo tempo, para dar a vitória por 2 a 1 sobre o Guarani – e isso após já arrebentar no estadual.

Williams (CRB)

O time do CRB que estreou na Série B nesta sexta foi um festival de “AQUELES”. Neto Baiano, Ayrton, Edson Ratinho, Diego Rosa, Everton Sena, Tinga (ex-Palmeiras e Ponte) e Willians Santana (o atacante que despontou no Vitória) entraram em campo. Mas o que mais chama a atenção é Willians, volante campeão brasileiro com o Flamengo em 2009. Sem se firmar no Corinthians, passou pelo Goiás no último ano e agora aporta em Maceió. Aos 32 anos, o “Pitbull” pode ser útil.

Édson Silva (Guarani)

O Guarani possui um elenco relativamente experimentado em divisões de acesso. E entre as opções à disposição está o zagueirão Édson Silva. Desde que deixou o São Paulo, o veterano rodou bastante. Passou por Estrela Vermelha, Red Bull Brasil, Londrina e disputou o último Paulistão pelo Mirassol. Agora, tenta agregar no Brinco de Ouro. No meio, Baraka ganhou a braçadeira de capitão de Fumagalli, que se aposentou. Já no ataque, Bruno Mendes se reencontra após muito rodar e não deslanchar, indo bem na A-2 do Paulistão.

Jorge Henrique (Figueirense)

O Figueirense possui seu festival de medalhões que inclui até o técnico, Milton Cruz. No gol, destaque para a recuperação de Denis, após a frustração mútua no São Paulo. Já a principal referência é Jorge Henrique, capitão e dono da camisa 10. Trazido do Vasco, participou da Série B pelo Figueira em 2017 e agora protagoniza o time, aos 35 anos. Foi eleito o melhor jogador do Campeonato Catarinense.

Mazinho (Oeste)

O “Messi Black” teve seu momento mais marcante pelo Palmeiras, importante para a conquista da Copa do Brasil em 2012. No entanto, entre idas e vindas, o meia-atacante de 30 anos está em sua sexta passagem pelo Oeste. Foi muito bem na Série B de 2017, com 16 gols, quase possibilitando o acesso. Seguiu no time e, depois de participar da Série A-2 do Paulista, vem para o Brasileirão. Só não estreou por uma lesão.

Zé Carlos (Criciúma)

Treinado por Argel, o Criciúma buscou um “especialista” de Série B para o seu ataque em 2018. O atacante Zé Carlos possui uma carreira experimentadíssima. Fez sucesso pelo Tigre no início da década, somando 27 gols na segundona em 2012, o que foi primordial ao acesso. Passou os últimos tempos no CRB e, depois de cair de rendimento, tenta reencontrar o seu melhor em Santa Catarina.

Edcarlos (Goiás)

O Goiás possui um dos maiores orçamentos da Série B, mas nem por isso cometeu tantas loucuras nesta campanha. O número de medalhões é menor do que poderia se esperar. Entre estes, uma novidade na zaga: o rodadíssimo Edcarlos. O Olimpia foi o último clube do defensor, em trajetória extensa que inclui São Paulo, Cruzeiro, Grêmio Sport, Fluminense e Atlético Mineiro. Chegou ao Serra Dourada no início do mês, mas não saiu do banco na estreia da segundona.

Moacir (Vila Nova)

Enquanto Elias e Diego Giaretta estão entre aqueles que compõem a espinha dorsal do Vila, há no banco um velho conhecido: o lateral Moacir. Surgiu como uma aposta do Sport, foi contratado pelo Corinthians e, sem agradar, voltou a Recife. Já a partir de 2013, iniciou sua caminhada por várias agremiações, que inclui Paraná, Coritiba, Boa Esporte, Fortaleza, Luverdense e Novorizontino. Disputou o Paulista pela Ferroviária e é como novidade para a Série B.

William Barbio (Boa Esporte)

O time do Boa Esporte parece um catadão de “ícones” do Campeonato Carioca – com Gustavo Geladeira, Amaral e John Cley. Já na frente, o dono da camisa 11 é William Barbio, com sua trajetória ligada principalmente ao Vasco, por mais que tenha rodado o Brasil inteiro desde que os cruz-maltinos perceberam a aposta furada. Seu currículo ainda inclui Nova Iguaçu, Atlético Goianiense, Bahia, Chapecoense, América Mineiro, Joinville e Santa Cruz. Invejável para quem tem apenas 25 anos.

Rubinho (Avaí)

O Avaí confia em uma base jovem, mas possui os seus decanos entre os titulares, como Aranha e Betão. O nome que mais salta aos olhos, entretanto, está no banco de reservas. Após uma longa passagem pelo futebol italiano, Rubinho volta ao Brasil. O irmão de Zé Elias defendeu clubes tradicionais, como Juventus, Torino, Genoa, Palermo e Livorno. Chegou para o Catarinense e, aos 35 anos, faz aquilo que se acostumou: compõe elenco.

Dagoberto (Londrina)

Se Keirrison foi a aposta na Série B de 2016, de volta ao clube neste ano, desta vez o Londrina apelou um pouco mais ao passado do futebol paranaense. Dono de cinco títulos do Brasileirão, Dagoberto tenta ressuscitar a carreira, trazido do San Francisco Deltas, da NASL. E a estreia não poderia ser mais estrondosa: o atacante saiu do banco contra o Boa Esporte e, logo no primeiro toque na bola, anotou o gol da vitória por 1 a 0. Não é de se duvidar que possa dar certo, mesmo aos 35 anos.

Felipe Mattioni (Juventude)

Depois da fraca campanha no Gauchão, o Juventude buscou alguns reforços para a Série B. Entre eles, um foguete molhado: Felipe Mattioni, que um dia surgiu como grande revelação no Grêmio e foi contratado pelo Milan. Sem se firmar na Itália, passou por Mallorca, Espanyol e Doncaster Rovers. Mal jogou pelo Boa Esporte na Série B passada, mas se reergueu no Veranópolis durante o estadual e ganha a confiança no Alfredo Jaconi. Leandro Lima e Ricardo Jesus são outros “famosos”.

Edinho (CSA)

Assim como o rival CRB, o CSA volta à Série B confiando em diversos medalhões. Mas nenhum com a experiência e o renome de Edinho, do alto de seus 35 anos. Multicampeão com Internacional e Fluminense, o volante não emplacou muito em suas empreitadas recentes por Grêmio e Coritiba. Chega ao Trapichão para seguir como o velho cão de guarda na cabeça de área. E os azulinos ainda aguardam a estreia do (literalmente) grande Walter, que vem de uma passagem relâmpago pelo Paysandu.

Marcelo Cordeiro (São Bento)

Do alto de seus 37 anos, Marcelo Cordeiro vestiu diversas camisas tradicionais. Vitória, Internacional, Botafogo, Portuguesa e Sport estão em seu passado. Mas este não é um fim de carreira ruim ao lateral. Já ajudou o São Bento a conquistar o acesso na Série C e apareceu entre os melhores laterais do último Paulistão. Agora, tenta liderar a campanha de (ao menos) permanência na segundona nacional. Marcou um gol de pênalti na estreia, com o empate diante do Brasil de Pelotas.

Deyvid Sacconi (Brasil de Pelotas)

Deyvid Sacconi não é o nome que provoca maiores amores na torcida do Palmeiras, mas teve sua principal passagem com a camisa alviverde. Depois disso, defendeu um punhado enorme de clubes, incluindo passagens por Japão, Coreia do Sul, Azerbaijão e Irã. Chegou ao Brasil de Pelotas neste ano e, depois de ficar no banco durante a maior parte do vice-campeonato no Gauchão, não deve mudar seu status durante o Brasileirão.

Alecsandro (Coritiba)

O Coritiba se desfez de Kleber Gladiador, mas continua com sua cota de centroavantes tarimbados, por mais que os cintos estejam mais apertados nesta Série B. Alecsandro se reencontra com a história da própria família, defendendo o clube onde o pai Lela marcou época. Parte do elenco no rebaixamento de 2017, anotou dois gols durante o Paranaense. Lesionado, não pôde ajudar o time na estreia da segundona, já com derrota para o Sampaio Corrêa.

Leandrão (ABC)

Um dos principais negócios do ABC para a Série C está em seu ataque. Os potiguares contrataram o centroavante Leandrão, de 34 anos. O jogador com passagens por Internacional e Vasco, entre muitos outros clubes, disputou o último Carioca pelo Boavista. Anteriormente, teve também uma boa estadia no Frasqueirão, inclusive auxiliando no acesso da terceirona em 2010.

Gladstone (Botafogo-PB)

Com um elenco bastante rodado, o Botafogo da Paraíba confia em Gladstone no miolo de sua zaga. O defensor possui histórico até mesmo na Juventus e no Sporting, mas os últimos anos foram bem mais modestos, disputando a Série C passada pelo Botafogo de Ribeirão Preto. Chegou a João Pessoa no final de 2017, já provocando os rivais. Faturou o Campeonato Paraibano.

Ortigoza (Náutico)

Em um time do Náutico com os pés no chão, o “Coalhada” Ortigoza é um dos raríssimos luxos. O centroavante, com passagens por Palmeiras e Cruzeiro, não atuava no Brasil desde 2011. Desde então, rodou por vários clubes, com um pouco mais de sucesso no Cerro Porteño, de onde foi trazido. Anotou gols importantes no Pernambucano e carrega uma responsabilidade grande, diante da missão do Timbu na terceirona.

Frontini (Confiança)

O argentino mais brasileiro do futebol vai para a sua enésima empreitada nas divisões de acesso. Frontini teve seu último grande momento na Série C de 2015, entre os protagonistas do Vila Nova que acabou com a taça. Desde 2017, abraçou o Confiança na missão. Anotou seis gols na última edição do Campeonato Sergipano, na qual seu time não chegou tão longe assim.

Robert (Santa Cruz)

Diferentemente do Náutico, o Santa Cruz possui um cardápio mais amplo de veteranos à sua disposição. Ao longo dos últimos meses, os pernambucanos acertaram a contratação de medalhões como Danny Morais, Leandro Salino e Carlinhos Paraíba. Já no ataque, a aposta é em Robert, aos 37 anos.O veterano girou muito desde que voltou ao Brasil, através do Palmeiras. Disputou a Série A-2 do último Paulistão pelo Osasco Audax. Anotou apenas dois gols, em um time que terminou rebaixado.

Pierre (Joinville)

Na zaga do Joinville, há o curioso caso de Emerson Silva, que há menos de um ano vivia o sonho da Libertadores como titular do Botafogo e, sem engrenar no Atlético Paranaense, vai à Série C. Todavia, o grande nome do elenco é mesmo o volante Pierre. Importante no Palmeiras e no Atlético Mineiro, não causou o mesmo impacto no Fluminense. E, assim como o companheiro, chega do Furacão. Não é de se duvidar que, mesmo aos 37 anos, possa render bem na terceirona.

Tchô (Botafogo-SP)

Um dia apontado como grande promessa do Atlético Mineiro, Tchô nunca vingou. Até experimentou alguns momentos razoáveis por Figueirense, Bahia e América Mineiro, mas nada de espetacular. Disputou o Campeonato Mineiro pelo Tupi e, agora, tenta agregar um pouco de experiência ao Botafogo de Ribeirão Preto. Nem parece, mas tem “apenas” 30 anos. No gol, outra figurinha conhecida é Tiago Cardoso, antigo ídolo do Santa Cruz.

Saimon (Ypiranga)

Zagueiro de longa passagem pelo Grêmio, sem nunca emplacar como titular, Saimon buscou um novo rumo a partir de 2015. E só viu sua carreira degringolar. Não deu certo no Vitória ou no Figueirense. Passou pelo Mogi Mirim e defendeu também o Passo Fundo. Chegou ao Ypiranga para a disputa do Campeonato Gaúcho. Cabe lembrar que, quando surgiu, foi convocado até à seleção sub-20 – reserva no timaço que conquistou o Sul-Americano de 2011, ao lado de Neymar, Oscar, Lucas Moura, Casemiro e outros destaques.