Jaílson virou titular do Palmeiras com Roger Machado e com todos os méritos. Já havia mostrado o que poderia fazer na campanha do título brasileiro e tem empilhado milagres debaixo das traves alviverdes. No entanto, para que isso acontecesse, foi necessário colocar na reserva o homem que, dependendo da preferência pessoal de cada um, é o maior ídolo recente do clube. Na noite desta quarta-feira, na vitória por 3 a 1 sobre o Júnior de Barranquilla, a torcida palmeirense teve a oportunidade de matar um pouco da saudade de gritar “Fernando Prass”. 

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Foi mais um exercício de idolatria do que qualquer outra coisa porque havia pouco em jogo. O Palmeiras estava classificado e com o primeiro lugar do grupo garantido. Jogava apenas para ter a melhor campanha geral da fase de grupos. A questão antes da partida era se os brasileiros entregariam o jogo para eliminar o Boca Juniors. Não entregaram, embora Roger tenha entrado em campo apenas com Dudu e Borja (e Willian, opção direta ao colombiano) entre os titulares. Na outra partida, os argentinos golearam o Alianza Lima e também estão nas oitavas de final. 

Entre duelos vocais das arquibancadas, com a Mancha pedindo a saída de Roger Machado, e o resto do estádio vaiando a Mancha, houve um espírito de pelada pairando no Allianz Parque. O Palmeiras fez seu jogo e buscou o gol, sem se matar. Houve espaços e chances criadas nos dois lados. E muitas defesas de Fernando Prass. 

Em meio de maio, Emerson Santos, contratado do Botafogo, teve sua primeira partida inteira para mostrar o que pode fazer. Sem ritmo, foi o autor da jogada da primeira oportunidade clara de gol. Saiu jogando errado, o Júnior recuperou, e Téo Gutiérrez ficou cara a cara com Prass. O atacante tentou encobriu o goleiro palmeirense, que ergueu os braços para bloquear. Dudu, da entrada da área, respondeu com um arremate perigoso. 

Em tabela com Guerra, Borja ficou de frente com Sebastián Vieira, mas mandou por cima. William quase marcou um gol antológico ao receber dentro da área e dar um chapéu na marcação. Na hora de chutar, foi desarmado. Gutiérrez, mais uma vez, exigiu ótima defesa de Prass, que também caiu para espalmar uma boa cabeçada de Chará. Antes do intervalo, Dudu recebeu de Borja e, cara a cara com Vieira, bateu na pernas do goleiro. 

O segundo tempo foi ainda mais movimentado. Tchê Tchê abriu os trabalhos com uma bomba de longe no travessão. Logo em seguida, Mayke tabelou com Guerra e cruzou da entrada da área. Vieira soltou e Borja pegou o rebote. A bola desviou na zaga, fez um arco pelo céu e morreu nas redes do Allianz Parque. O Júnior teve a chance de empatar em um pênalti discutível de Luan em Gutiérrez. Barrera bateu no canto, e Prass pulou para fazer a defesa, lembrando seus melhores momentos com a camisa do Palmeiras, quando parou cobranças do Corinthians e do Santos. Nem deu rebote. 

A pressão voltou a ser palmeirense. Imediatamente depois da defesa de Prass, Borja recebeu na marca do pênalti um passe de peito de Mayke e encheu o pé. Vieira fez uma linda defesa. Dudu tentou de longe, e Borja ampliou. Em jogada que começou com Fernando Prass. O goleiro deu um chutão para a frente e encontrou Willian. A bola chegou a Borja que teve rara tranquilidade para esperar Vieira cair e bater por cima. 

Gutiérrez, impedido, descontou para o Júnior, mas Borja, outra vez, mostrou seu oportunismo. Em cobrança de falta na área, a bola sobrou para o centroavante dentro da pequena área: 3 a 1. Com todos os problemas técnicos que ainda apresenta, o atacante colombiano chegou a 14 gols na temporada e seis em seis partidas da fase de grupos da Libertadores. Ainda fez sete no Campeonato Paulista e um na Copa do Brasil. 

Entre as 32 equipes que disputaram a fase de grupos da Libertadores, nenhuma fez campanha melhor que a do Palmeiras, que garante decidir todos os mata-matas em casa até a decisão. Mais uma vez, como contra o Alianza Lima, o time reserva fez bonito e colocou dúvidas na cabeça de Roger Machado. Guerra, por exemplo, foi muito bem. Nenhum, porém, foi mais celebrado do que Fernando Prass que, depois de suas intervenções, beijou o escudo e bateu no peito como se tivesse conquistado mais um título. Pouco importa se a partida não valia nada: para ele, poder defender o clube mais uma vez já é grande coisa.