Uma das partes mais importantes do trabalho de um treinador é manejar o psicológico dos jogadores. Motivá-los, cobrá-los, passar confiança, descontrair o ambiente. As táticas variam de profissional para profissional, mas esta provavelmente nunca havia sido usada: Ronny Deila, ex-treinador do Celtic, entre 2014 e 2016, tirou a roupa antes de uma partida crucial do seu Valerenga, que luta contra o rebaixamento no Campeonato Norueguês.

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A partida foi realizada no final do mês passado, em 24 de setembro. O Valerenga estava próximo da zona de rebaixamento e enfrentaria o Brann, que atualmente é o quarto colocado da Eliteserien. Deila provavelmente calculou que deveria fazer algo diferente para motivar os seus jogadores e decidiu que esse algo diferente seria ficar pelado. Funcionou: o Valerenga venceu por 2 a 1 e, com outra vitória alguns dias depois, já abriu cinco pontos da zona da degola.

“Muitas pessoas provavelmente já me viram pelado”, disse Deila, ao site norueguês VG. “Temos que ter um pouco de diversão no meio de tanta seriedade”. O meia Herman Stengel, do Valerenga, disse que, apesar de não ter sido muito bonito, funcionou bem. “Precisamos dar a cara a bater. Era o que ele estava tentando dizer. Precisamos correr o risco de fazer papel de bobo. Isso precisa acontecer no campo também”, explicou.

Para a sorte dos jogadores do Valerenga, na próxima vez que Deila quiser passar essa mensagem, ele provavelmente usará apenas palavras. “Não posso tirar a roupa todas as vezes. Perde o efeito surpresa”, afirmou. O capitão Christian Grindheim concorda. “Ninguém ficou decepcionado que ele não tenha feito mais isso. Foi ótimo. Uma metáfora para que tentarmos ser nós mesmos. Ele queria nós relaxássemos um pouco”, contou.

Em 2009, quando Deila evitou o rebaixamento com o Stromsgodset, também da Noruega, ele comemorou só de cueca. Parece haver um padrão aí.