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A oitava posição no Apertura me deixou satisfeito. Para um time recém-promovido o resultado estava ótimo. Ainda mais porque deu pra manter o esquema ofensivo do 3-3-1-3. Mas como muitos observaram bem neste espaço, a equipe foi a que menos perdeu no torneio, mas precisava ser melhor no setor ofensivo, sobretudo na participação dos meias abertos pelos lados. Se analisarmos, eles contribuíram muito pouco com a criação e foram às redes apenas uma vez, com Encina. Além deles, o desempenho do Diego Lagos aberto pelos lados beirou o ridículo; o atacante não fez um só gol.

Ciente disso fui ao mercado com meus parcos recursos e contratei cinco novos jogadores para o Clausura 2014:

Damián Lizio: O argentino de 23 anos estava com poucas chances no Bolívar, que aceitou uma proposta de US$ 85 mil pelo meia-ofensivo. Lizio se tornou a contratação mais cara da história do Instituto. A ideia é tentar adaptá-lo às funções ofensivas de lado de campo.

Jonathan Germano: Da Austrália veio o segundo reforço para o Clausura. Aos 26 anos, Germano foi pinçado por um de meus olheiros e aceitou vir para o clube para ganhar menos por mês, mas com ganhos por produtividade. O Melbourne FC aceitou a oferta de US$ 50 mil. Ele é meia direita. Deve jogar no lugar do Canever, que se lesionou. Encina deve ir pra esquerda.

Sebastián Ubilla: O chileno de 23 anos estava sem contrato depois de uma passagem apenas razoável pela Universidad de Chile. Como é atacante, pode tentar ganhar a vaga em uma das funções pelo lado de campo.

Sanchez Miño: Confesso que esta foi muito mais pela minha percepção do futebol na vida real que pela avaliação dos meus olheiros. Miño ficou sem contrato com o Boca Juniors e chega ao Instituto com 24 anos de idade. A ideia é que ele seja um volante mais armador, mas que também jogue pelo lado se necessário.

Miguel Mejía: Um regen colombiano pinçado pelos meus olheiros. Tem 18 anos e joga de lateral-esquerdo. Como vocês devem se lembrar, jogamos apenas com alas, então precisarei adaptá-lo à função. Ele tem boas valências defensivas e também pode ser que vire um zagueiro nosso.

Bom, com estas contratações entramos em campo no Clausura com a escalação:

12.Lerda; 3.Mauro dos Santos, 2.Piriz e 4.Delfino; 28.Gomez, 14.Brum e 6.Encina; 29.Lizio, 9.Bevacqua e 11.Medina.

Vou detalhar mais a sequência, porque ela merece:

- Nosso primeiro jogo foi com o rival Belgrano e desta vez vencemos por 2 a 1, com gols de Mauro dos Santos (de cabeça após escanteio) e Leonel Ríos, que entrou no lugar de Luna na segunda etapa. Depois tomamos um, mas seguramos a vantagem.

- Na sequência enfrentamos o San Martín e Luna, em um chute de longa distância, nos deu a vitória por 1 a 0.

- O Tigre veio visitar o Monumental de Alto Córdoba e levou um 2 a 1. Luna, de novo de longe, e Ubilla, que fez seu primeiro gol com a camisa vermelha e branca.

- Visitamos o Huracán e pra minha surpresa vencemos de novo; 2 a 0. Bevacqua deu uma de centroavante e abriu o placar e depois Luna, outra vez, ampliou.

- Contra o Racing eu achei que ia perder, mas… Outra vitória! Desta vez com Encina e depois com Lizio, que cortou da direita pro meio e fez 2 a 0 de novo.

- A cada vitória o time se enchia de confiança e contra o Lanús sofremos demais da conta. Mas quase aos 45 do segundo tempo, eis que surge Figueroa, banco de Bevacqua, para fazer de cabeça. 1 a 0.

- Visitamos o San Lorenzo cientes de que o desafio era grande. Mas Dos Santos decidiu marcar de cabeça em cobrança de escanteio e no fim Lizio, em contragolpe, fez o 2 a 0.

- Vencer o Boca Juniors parecia demais pra nós. E era… Perdemos. 2 a 1 pros xeneizes, com Germano descontando para nós.

Ou seja, tivemos esta sequência:

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Estávamos no topo da tabela com sete vitórias (mais que no Apertura inteiro) e uma derrota. Foram 13 gols marcados e só quatro sofridos.

Bom, achei que a nossa maré de sorte tinha acabado, mas…

- Enfrentamos o Colón e fizemos mais um 2 a 0. O jogador deles fez um contra e Mauro dos Santos, de novo em escanteio, garantiu o placar mais dilatado.

- Depois de uma vitória contra o Banfield pela Copa da Argentina com gol de Ríos, o time cansou e perdeu para o Godoy Cruz por 2 a 1. Gol contra deles para nós.

- A ponta da tabela ainda era nossa, mas contra o All Boys o resultado não veio. Ficamos no 1 a 1 (gol de Delfino) e a queda de desempenho já era visível.

- Recebemos então o Vélez Sarsfield e voltamos a vencer! Roberto Brum em rebote de escanteio e Mauro dos Santos – adivinhem! – em cobrança de escanteio fizeram os tentos do 2 a 0.

- Na sequência visitamos o ofensivo Newell’s e tomamos um 3 a 1 depois de termos saído na frente com Brum.

- O Boca Juniors se aproximava da ponta e o Instituto entrou pressionado contra o Independiente. Fizemos o 2 a 0 com Medina e Delfino, mas eles empataram. No segundo tempo Dos Santos, de cabeça mais uma vez, e Rios determinaram o 4 a 2!

- O Banfield apareceu no nosso caminho de novo e eu contava com a vitória para brigarmos pelo título. Não deu. Eles saíram na frente. No finzinho, porém, Guillermo Barrera, 17 anos, formado nas nossas canteras, fez seu primeiro gol com a camisa do Instituto e determinou o 1 a 1.

A sequência então foi essa:

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Bem, tivemos uma vitória na Copa da Argentina por 3 a 0 contra o Independiente Rivaldavia, e voltamos ao Clausura com a expectativa de vencer o Atlético Rafaela.

- Não conseguimos. O 0 a 0 continuava no placar e eu decidi me lançar à frente. Tomamos um 3 a 0 sonoro. Pra piorar, enfrentamos o mesmo Rafaela nas quartas de final da Copa da Argentina e perdemos de novo. Desta vez por 1 a 0.

- De volta ao Clausura, tínhamos o River Plate em casa. Eles saíram na frente e eu comecei a achar que já éramos. No finzinho do jogo, porém, o zagueiro Leonardo Sanchéz, reserva a temporada toda, fez de cabeça o salvador empate.

- O Boca estava próximo. Precisávamos vencer o Arsenal de Sarandí em casa. E foi justamente o que aconteceu! Luna e Lizio foram às redes e vencemos por 2 a 1, garantindo a liderança na penúltima rodada com dois pontos de vantagem para os xeneizes.

- A última rodada do Clausura chegou. Precisávamos vencer o Estudiantes fora de casa para sermos campeões! Era só isso para fazer história logo em nosso primeiro ano na elite. Os jogadores estavam motivados. Entraram em campo e abriram o placar, com Ubilla. Era só segurar a vantagem, pois no outro jogo o Boca vencia. Era…

Logo no começo da segunda etapa o time de La Plata fez o 2 a 1. Eu não tinha palavras para expressar a raiva que estava sentindo… E ela se refletiu dentro de campo. Mandei o time inteiro pra frente para tentar um gol salvador. Quando parecia que nada mudaria Bevacqua, que não fazia gol há muito tempo (lesionado e má fase), decidiu aparecer e fazer o 2 a 2!

Na hora eu não estava raciocinando direito. Olhei a tabela e vi o Boca com o mesmo número de pontos, mas na frente pelo saldo de gols. Fiquei em desespero! Mandei um 2-3-5 dentro da cancha para tentar vencer o Estudiantes, mas o tempo era escasso. Não conseguimos… Estava devastado. Tínhamos perdido pelo saldo… Pelo saldo.

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Enquanto passava pelas telas do pós-jogo sentia uma frustração gigantesca. Tanta coisa e perdemos assim?  Olhei a tabela uma, duas, três vezes… Apenas na terceira me dei conta. O Boca estava na frente, mas não tinha o C de campeão. Como assim?! Deu bug no jogo?!

Pois é… Eu tinha esquecido. Na Argentina não tem decisão por saldo de gols ou número de vitórias. Ou seja… Quando dois times empatam no número de pontos há uma decisão em jogo único para saber quem é o campeão!  Tínhamos chance ainda! Estávamos no páreo!

A decisão foi marcada para campo neutro no dia 24 de maio de 2014. Eu estava animado, mas ao mesmo tempo pessimista. Afinal de contas, tínhamos encontrado o Boca duas vezes: empatamos uma e perdemos a outra. Será que eu poderia fazer mais que isso? Salvei o jogo e entrei na partida com a mesma escalação de sempre, exceção feita apenas para Germano, que não vinha me agradando e que deu lugar a Sanchez Miño em uma função mais marcadora.

Pois bem….

A partida começou e logo aos 3 minutos fizemos um gol. Dele. Do nosso centroavante: Maxi Bevacqua! Um a zero Instituto. Passaram mais 20 minutos e numa bola cabeceada lá de longe ele surgiu de novo. Bevacqua! Instituto 2 a 0. Passei a pensar que o jogo ia me sacanear muito para fazer eu perder esta.

E a sacanagem começou aos 30 minutos, quando o Boca diminuiu para 2 a 1. Eu estava na ponta do sofá balançando a perna… Mas o time estava bem. E ele apareceu de novo. Maximiliano Bevacqua com o primeiro hat-trick com a camisa do Instituto fez o 3 a 1 aos 44 do primeiro tempo. Impressionante que o cara que tinha marcado duas vezes no Clausura inteiro tenha feito três gols na mesma partida.

Veio o intervalo e orientei meus atletas para não serem complacentes. Era a nossa chance de fazer história!  O jogo passou a ser truncado no segundo tempo, mas administrávamos bem a vantagem. Lerda fazia milagres e só dava Boca! Por isso tomamos o 3 a 2. Pra mim estava escrito… Ia ser um daqueles jogos em que o PC espera os 94 minutos para fazer o 3 a 3 e você perde. Decidi não mudar nada e ver no que dava.

Só dava Boca. Só eles. Nós não… Aos 88 minutos o time adversário inteiro estava na minha área. Só que a bola não entrou… Brum deu um chutão pra frente e Sanchez Miño correu em disparada. Ele driblou dois e pra minha surpresa…. Foi às redes!  Festa nas arquibancadas! O ex-jogador do Boca decidiu a parada! 4 a 2! Instituto campeão!

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A tabela ficou assim:

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Fantástico! Que conquista! Que sorte! Que inesperado!  Só restava agradecer ao time da temporada:

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Lição do dia: o Football Manager tem dessas também!

Quer lembrar como foram os outros capítulos? Leia mais:

Capítulo 1: a inspiração em Bielsa e a escolha do time

Capítulo 2: Contratações

Capítulo 3: balanço da primeira temporada

Capítulo 4: para embalar!

Capítulo 5: Um imbatível Instituto!

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