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Aperte a primeira tecla quem nunca torceu para que o time mais fraco vencesse aquele time que era favorito! Não há quem não se apaixone por um time que surja das profundezas do futebol, que ignore os grandes orçamentos, todo tipo de prognóstico negativo e conquiste um título importante (O Leicester da temporada passada não deixa margem de dúvidas para isso). Esta é a proposta desta minha história no Football Manager 2017. “Os doze trabalhos de Hércules” relatará a epopeia do pequeno Hércules a partir da terceira divisão espanhola. Esta escalada rumo ao Olimpo do futebol mundial terá como caminho doze trabalhos, que serão completados a medida que o clube alcance os objetivos propostos. Estes são os trabalhos:

1º Trabalho: Leão de Nemeia

– Após primeiro acesso, consolidar-se entre as dez melhores equipes.
– Após três temporadas na primeira divisão, consolidar-se entre as cinco melhores.

2º Trabalho: Hidra de Lerna

– Ter nove jogadores formados no clube entre favorito, ícone ou lenda.
– Um jogador deve obrigatoriamente figurar como lenda do clube.

3º Trabalho: Javali de Erimanto

– Conquistar dez copas (continentais, nacionais e supercopas).

4º Trabalho: Corça de Cerinéia

– Colocar o Hércules entre os três clubes mais ricos do país.

5º Trabalho: Aves de Estínfale

– Terminar o save com mais vitórias nos confrontos com os rivais.: Valencia, Elche e Alicante, Múrcia e Castellon
– Estabelecer uma sequência de dez jogos sem perder para o Valencia (time rival com maior tradição).

6º Trabalho: Cavalariças de Augias

– Não ser rebaixado nenhuma vez.
– Subir para a primeira divisão com o time saudável financeiramente.
– Após o acesso à Primeira Divisão, não contabilizar prejuízos.

7º Trabalho: Touro de Creta

– Fazer parcerias com clubes em outro continente.
– Fazer parceria de merchandising, promovendo a marca do Hércules ao mundo inteiro.

8º Trabalho: Éguas de Diomedes

– Jogar pelo menos duas temporadas com um plantel sem estrangeiros.
– Vencer pelo menos um campeonato ou copa com time sem estrangeiros.

9º Trabalho: Cinto de Hipólita

– Ser bicampeão de qualquer campeonato.

10º Trabalho: Bois de Gerión

– Ser campeão espanhol.
– Vencer Atlético de Madrid, Real e Barcelona dentro de sua casa.
– Estabelecer um tabu como visitante contra os três grandes: cinco partidas sem derrota.

11º Trabalho: Pomos de ouro

– Vencer o Mundial de Clube duas vezes seguidas.

12º Trabalho: Guardião de Hades

– Devolver o Hércules à Primeira Divisão.

1º Temporada

#Episódio 1: Que comecem os trabalhos!

Em seu primeiro dia como presidente do Hercules Alicante, Oscar Carvajal, demonstrou a atitude que os torcedores do Hércules esperavam de um mandatário. Seu discurso cheio de energia relembrou que o clube foi fundado com um destino do qual várias gestões tragicômicas trataram de desviar: “Somos hoje um clube movido por chacotas, um adversário inofensivo e que não demonstra reação”. Com frases de efeito e usando de expressões que faziam analogia ao herói da mitologia grega, Carvajal chegou ao clube em meio a um clima de dúvida e desesperança, que de fato exigia uma administração que resgatasse o orgulho herculano.

As analogias feitas ao herói homônimo, porém, não ficaram só no discurso, mas ganharam o papel e viraram uma espécie de “programa de governo”. Durante sua campanha, Carvajal notabilizou-se por utilizar das redes sociais para promover seu projeto intitulado de “Os doze trabalhos de Hércules“. O projeto consistia em dar às metas do clube um nome de um trabalho do herói, algo que serviria não só de motivação, como também serviria como uma ótima ferramenta de marketing:

Gastei algum tempo pensando sobre os trabalhos do Hércules e observava o que tudo aqui tinha a ver conosco e como trazer aquilo para o futebol. Foi assim que cheguei a esta fórmula. Faltava ser eleito, e felizmente, os torcedores do Hércules fizeram sua parte.

Carvajal foi eleito por 57% dos sócios, uma das eleições mais bem sucedidas da história recente do clube. Seria ainda maior, tendo em consideração que uma parte dos sócios eram senhores conservadores, que viam Oscar como um lunático. Talvez fosse um sonhador, mas os pés do dirigente estavam cravados no chão:

– Herdamos um clube que lutará muito para pagar seus compromissos, por isso não vamos fazer loucuras, espero que o torcedor entenda o nosso momento. Porém, garanto que não nos faltará vontade e com o tempo e muito trabalho, nosso torcedor poderá andar pelas ruas de cabeça erguida novamente.

twV0xgb.png Nuñes, o louco

De fato, o Hércules já entrava na nova temporada com uma folha salarial maior que o orçamento, e para piorar, contava com uma verba muito pequena para contratações. O esforço em evitar que o clube não tivesse prejuízo começou início da temporada 15/16 com a  escolha do treinador. Francisco Nuñes, de 34 anos, nasceu em Alicante e nunca escondeu ser torcedor do Hércules. No mais, era só um aluno recém-formado na Escola Nacional de Treinadores na Espanha, onde era apontado por muitos como um maluco indisciplinado. Adepto do jogo ofensivo, e um crítico incorrigível do futebol de resultado, acumulou inimigos com seu jeito polêmico e de fala mansa e irritante.

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Nuñes foi apresentado uma semana após a posse do novo presidente. Fez uma coletiva de 40 minutos e a deixou antes do fim, após se irritar com a pergunta de um jornalista. “Até onde vai a sua coragem, treinador? Até a primeira derrota?.  Havia mesmo uma grande dúvida de quanto tempo duraria esta tendência ofensiva do comandante do Hércules. Apresentado o novo treinador, era hora do clube fazer as escolhas: quem permaneceria, quem sairia e quem chegaria ao clube:

Cheguei ao clube e encontrei jogadores com baixa autoestima, e isso é complicado, pois antes de tudo eu sou um torcedor do Hércules, e com isso acabo sofrendo dobrado. Como a dificuldade financeira não me permitia uma mudança mais radical na equipe, concentrei minhas forças em recuperar o plantel e tentar aproveitar alguma brecha do mercado para reforçar alguns setores. 

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twV0xgb.png O início da temporada

Foram um total de quatro reforços, entre eles, dois brasileiros, Arthuro (atacante) e Gabriel Soares (volante) e dois jogadores emprestados pelo Villareal, Carlos (atacante) e Edgard Iê (zagueiro). Os reforços chegaram com a pré-temporada em andamento e estrearam na única vitória da equipe no “esquenta” da nova temporada.

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No dia 28 de agosto de 2016, a terceira divisão espanhola teve início. A Segunda División B, como é conhecida, divide-se em quatro grupos regionalizados com 20 equipes cada, com disputa de pontos corridos entre os times da divisão. Ao final do campeonato, os quatro primeiros, 16 clubes no total, classificam para uma fase eliminatória até chegar ao número de quatro equipes: os quatro clubes promovidos à segunda divisão.

Os quatro últimos colocados de cada grupo são rebaixados. O quinto último de cada grupo (16º colocado) classifica-se para a “Despromoción”. Estes quatro clubes jogam em sistema eliminatório, e os dois perdedores são rebaixados. Os confrontos eliminatórios para ambos torneios são de ida e volta contabilizando os gols fora de casa em caso de empate.

Além da disputa da Segunda Divisón B, o Hércules disputaria a Copa do Rei, uma das boas chances de ganhar notoriedade, ainda que fosse praticamente impossível acreditar em uma campanha surpreendente para uma equipe sem grandes talentos individuais e com um trabalho ainda tão embrionário.

Essa saga é narrada por Jirimias, um veterano membro da área de histórias de FM do FManager Brasil. Com mais de 10 anos de casa e muitos deles dedicados a narrar seus saves, ele é um dos membros mais importantes da área. Essa história e tantas outras são narradas no Profissão: Manager, a área dedicada do FManager Brasil para as pessoas que gostam de compartilhar seus saves de FM e é uma das áreas mais ativas e importantes do fórum. O FManager Brasil está no ar há mais de 12 anos, foi o primeiro fórum/site brasileiro a ser reconhecido como afiliado da Sports Interactive no país e é um dos maiores fóruns de FM do mundo, além de ser a principal referência do jogo em nosso país.