Manchester United, Real Madrid e Barcelona estão no primeiro patamar dos acordos de fornecimento de material esportivo, aponta um relatório detalhado da Uefa que analisou as finanças de 268 clubes nas 16 principais ligas europeias, referente ao ano fiscal de 2016, com acordos que lhe rendem anualmente entre € 75 milhões e € 150 milhões. Representa dez vezes mais do que muitos rivais domésticos e 100 vezes mais do que a maioria dos menores clubes das suas ligas.

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Em seguida, aparecem Juventus, Tottenham, Liverpool, Arsenal, Bayern de Munique e Chelsea, com contratos entre € 25 milhões e € 75 milhões. Manchester City, Internazionale, Atlético de Madrid, Paris Saint-Germain e Milan recebem anualmente de € 10 milhões a € 25 milhões. Outros 16 clubes tiram de € 3 milhões a € 10 milhões dessa fonte de renda, e a maioria não chega a € 1 milhão.

A divisão do valor total pela duração do contrato, segundo a Uefa, não é uma ciência exata, por causa das estruturas de pagamento e de bônus.

Há uma ampla gama de marcas fornecendo material esportivo para os clubes europeus. Maior do que se imagina. Apesar de Nike e Adidas dominarem o mercado mundial, no futebol europeu elas são parceiras de apenas 40% dos clubes – a empresa americana com 21% e a alemã com 19%. Não há domínio em nenhum campeonato específico. O maior índice de clubes patrocinados pela Adidas está na Rússia, com sete equipes da primeira divisão. E a Nike fornece uniforme para oito times da elite turca. Em ambos os casos, alcançam apenas 44% desses mercados nacionais.

Há bastante estabilidade nos contratos com empresas de material esportivo. Dos 268 clubes analisados nas 16 ligas, apenas 13% trocaram de empresa para a temporada 2017/18. Em quatro campeonatos (Suíça, França, Alemanha e Áustria), ninguém trocou. A média do contrato dos maiores clubes é de oito anos.

Patrocínio de camisa

A Uefa mergulhou nos patrocinadores das camisas dos clubes europeus e descobriu que Manchester United, Barcelona e Real Madrid também lideram a indústria com os acordos de patrocínio mais valiosos, entre € 55 milhões e € 75 milhões anuais. Tottenham, Bayern de Munique, Liverpool, Arsenal, Chelsea e Manchester City aparecem na segunda faixa de preço, de € 25 milhões a € 55 milhões. Atlético de Madrid, Ajax, Everton, Milan, Internazionale, PSG, Juventus, Schalke e Borussia Dortmund recebem de € 10 milhões a € 25 milhões. Outros 11 clubes ficam entre € 3 milhões e € 10 milhões por ano, e a maioria dos clubes não chega a € 3 milhões.

O desequilíbrio é menor no patrocínio de camisa em relação aos acordos de fornecimento de material esportivo. A Uefa alerta que United, Barça e Real recebem mais de cinco vezes do que muitos rivais domésticos e 25 vezes mais do que a maioria dos clubes menores das suas ligas nacionais.

O estudo aponta que 64% dos times, dois a cada três, ainda recorrem a marcas locais para tirar uma graninha. Como 12%, no primeiro mês da temporada 2017/18, não tinham nenhum patrocinador, apenas 24% dos clubes europeus recebem dinheiro estrangeiro em troca de exposição. Áustria, Grécia, Holanda e Rússia são as únicas ligas exclusivamente locais.

A única liga que tem predominância de marcas estrangeiras é a Premier League, com 16 dos 20 clubes expondo empresas internacionais. E metade dos 24 clubes da Championship, segunda divisão inglesa, recebe dinheiro de outros países. O continente mais responsável por patrocínios estrangeiros na Europa é a Ásia, com 11% dos negócios, ou 31 clubes diferentes.

A Uefa conseguiu dividir todas as marcas que patrocinam clubes de futebol em oito indústrias diferentes, e nenhuma realmente controla o mercado. As mais presentes são as empresas de apostas, com 19% dos clubes. Em seguida, aparecem serviços financeiros e “soluções empresariais” e construção e bens industriais, com 18% cada. Bens de consumo estão em quarto lugar (13%), seguido por companhias aéreas e indústria automotiva (9%), energia (8%), comidas e bebidas (6%) e turismo (5%).

Empresas de aposta patrocinam aproximadamente 50% dos clubes das duas primeiras divisões da Inglaterra e da elite grega. Equivale à presença de serviços financeiros nas camisas dos clubes suíços e de construção e indústria no Campeonato Escocês.

Apenas cinco das 212 marcas identificadas aparecem em mais de uma liga. A mais diversa é a Emirates, que patrocina seis clubes europeus – mais do que qualquer outra empresa – em seis campeonatos diferentes. As outras são Red Bull, Gazprom (energia), Dafabet e Marathonbet (apostas) que são parceiras de times de dois países ao mesmo tempo.

A exposição de uma marca em um clube de futebol não precisa necessariamente ser no peito da camisa, espaço mais nobre e mais comum. O relatório mostra que 56% dos times também alugam as mangas. E há os estádios: 26% têm acordos de naming rights com os campos onde mandam seus jogos.

Ao contrário dos acordos de fornecimento de material esportivo, os patrocínios são mais instáveis. Excluindo os clubes que não têm esse tipo de acordo, um em cada quatro times europeus trocou de parceiro da temporada 2016/17 para a seguinte. A média de duração dos contratos cai quase pela metade: 4,4 anos.

Camisa mais cara da Europa

A camisa mais cara da Europa é a do Campeonato Suíço. O estudo recolheu os preços publicados nos sites oficiais dos times em outubro de 2017. Em média, o uniforme suíço custa € 87 euros. O mais barato, entre as principais 16 ligas do continente, é o da Ucrânia, ao preço médio de € 43. Não à toa, o clube que cobra o maior preço pela sua camisa é suíço: o Young Boys, a € 102. O pódio é completado por Alemanha (€ 80) e Itália (€ 79).

O estudo descobriu que a Bundesliga é o campeonato europeu em que menos há diferença entre o maior e o menor preço de camisa. A mais cara da Alemanha é do Bayern de Munique e do Schalke 04 (€ 90). As mais baratas são de Hamburgo, Freiburg e Werder Bremen (€ 70). A maior diferença é na Rússia, onde o Zenit cobra € 85 pela sua camisa, e o Arsenal Tula apenas € 23.