Joel Cambpell marca o gol de empate da Costa Rica (AP Photo/Bernat Armangue)

Uruguai 1×3 Costa Rica: Joel “Caça-Fantasmas” Campbell derruba a Celeste

A CRÔNICA

Em Fortaleza, em uma Copa do Mundo que tem sido tão fantástica, a Costa Rica tratou de rasgar todos os bolões, todas previsões, todas as estimativas. Sob o comando do atacante Joel Campbell, a Costa Rica foi como o grupo formado por Peter, Raymond e Egon e caçaram o fantasma de 1950. Em uma virada completamente inesperada, os costarriquenhos saíram de 1 a 0 contra para um 3 a 1 a favor e, no grupo da morte, deram um brado retumbante no Brasil. O grupo pode ser da morte, mas a Costa Rica se recusou a ser dada como morta. Assim como os professores do filme Caça-Fantasmas, demitidos por se preocuparem demais com aparições sobrenaturais, ninguém que dissesse que a Costa Rica faria essa aparição para pegar o fantasma.

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Não foi como o Chile e a Colômbia, que tinham um estádio pintado com suas cores fazendo com que se sentissem em casa. Mesmo assim, a torcida uruguaia marcou presença no estádio. Só que o torcedor da Costa Rica também estava por lá. E o Uruguai, que parece ter gosto pelo sofrimento em todo e qualquer jogo, caprichou desta vez. Depois de sair em vantagem contra a Costa Rica, o time tomou a virada e se complicou demais em um grupo tão complicado. Os 3 a 1 para a Costa Rica deixam o Uruguai em uma situação complicadíssima no Grupo D. Até porque a Costa Rica era o único adversário “fraco” na chave, que tem Inglaterra e Itália.

O Uruguai, como esperado, foi melhor no começo do jogo. Não criou tanto, mas conseguia chegar ao campo de ataque e fazer alguma pressão no time da América Central. Abriu o placar em um pênalti bem marcado por Felix Brych. O gol de Cavani parecia direcionar o jogo ao seu curso natural, a vitória uruguaia. É, mas como Garrincha disse ao técnico Vicente Feola sobre as instruções para o jogo com a União Soviética: “mas combinou isso com os russos?”. Não combinaram. Não com a Costa Rica.

Joel Cambpell fez um pouco de tudo em campo. Foi participativo em um esquema tático onde só ele era o atacante. Bryan Ruiz, outro jogador ofensivo, fechava o lado do campo. O uruguai, acostumado ao sofrimento, sentou na sua vantagem. E quando sofreu uma pressão ainda no primeiro tempo, pareceu algo só da empolgação. Mas não foi. O segundo tempo mostraria que a Costa Rica estava disposta a assombrar o Uruguai e tornar o seu fantasma inofensivo.

A jogada logo no início do segundo tempo que resultou no gol de Cambell, recebendo livre dentro da área, já dava a letra: algo está errado. Mas antes que o Uruguai percebesse qual era o problema, antes de se recuperar do jab de esquerda, veio o gancho de direita, bem no queixo. O gol de Duarte virou o jogo para os costarriquenhos e colocou o jogo em uma loucura. O Uruguai não sabia como reagir. Não conseguia, na verdade.

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Sem forças, o Uruguai viu a Costa Rica ter até mais chances. E aí as coisas ficaram complicadas. Luis Suárez não estava em condições e não entrou. Entraram Lodeiro, González e Hernández. Nenhum deles foi capaz de reverter o quadro. Forlán ficou apagado, Cavani não apareceu e o Uruguai ficou apagadíssimo em campo.

A derrota deixa o Uruguai em uma situação de vida ou morte com dois campeões do mundo como adversários nos dois próximos jogos. A Inglaterra será a adversária na segunda rodada, enquanto a Itália será a da terceira. Em um grupo de três campeões do mundo, a Costa Rica dá um berro para dizer que não é galinha morta.

O fantasma de 1950 teve problemas contra a Costa Rica

O fantasma de 1950 teve problemas contra a Costa Rica

FICHA TÉCNICA

URUGUAI 1X3 COSTA RICA

URUGUAI

Fernando Muslera; Maxi Pereira, Diego Lugano, Diego Godín e Martín Cáceres; Christian Stuani, Walter Gargano (Álvaro González, 15’/2T), Arévalo Ríos e Cristian Rodríguez (Abel Hernández, 31’/2T); Diego Forlán (Nicolas Lodeiro, 15’/2T) e Edison Cavani. Técnico: Oscar Tabárez

COSTA RICA

Keylor Navas; Cristian Gamboa, Oscar Duarte, Giancarlo González, Michael Umaña e Júnio Díaz; Bryan Ruiz (Marcos Ureña, 38’/2T), Yeltsin Tejeda (José Cubero, 30’/2T), Celso Borges e Christian Bolãnos (Michael Barrantas, 44’/2T); Joel Campbell. Técnico: Jorge Luis Pinto

Estádio: Castelão, em Fortaleza
Árbitro: Feliz Brych (ALE)
Gols: Cavani, 23’/1T (pen), Cambpell, 9’/2T, Duarte, 12’/2T, Ureña, 39’/2T
Cartões amarelos: Lugano, Gargano
Cartões vermelhos: Maxi Pereira

OS GOLS

24’/1T: GOL DO URUGUAI!
Junior Díaz, lateral esquerdo da Costa Rica, realizou o sonhos de várias moças e agarrou Lugano. Pênalti bem marcado por Felix Brych. Cavani cobrou bem, forte e no canto direito do goleiro, e marcou.

9’/2T: GOL DA COSTA RICA!
Boa jogada pela direita da Costa Rica, que arrancou um cruzamento quando a bola parecia que sairia e Campbell, livre dentro da área, dominou e chutou cruzado para marcar.

12’/2T: GOL DA COSTA RICA!
Cobrança de falta de Bolaños para a área, Stuani dormiu na marcação e o zagueiro Duarte cabeceou para virar o jogo, surpreendendo todo mundo.

39’/2T: GOL DA COSTA RICA!
Com muito espaço para jogar, Joel Campbell fez o passe em profundidade para Marcos Ureña, que tinha acabado de entrar. O atacante toca no canto e mata o jogo.

O CARA

Joel Cambpell foi o grande jogador da partida. Foi dele o gol de empate, foram dele as melhores jogadas do time no ataque, incluindo um chute lindo de fora da área que o goleiro Muslera teve que torcer para ir para fora – e foi mesmo. Foi dele também o passe para que Uraña marcasse o terceiro gol e cravasse a vitória mais improvável da Copa até aqui. Sozinho, Cambpell fez quatro dribles, tomou sete faltas e foi o jogador que causou a expulsão de Maxi Pereira, que se enervou quando o atacante segurava a bola peto da bandeirinha de escanteio e deu um pontapé. Foi a grande atuação individual da Copa até aqui.

A TÁTICA

Uruguai x Costa Rica

A ESTATÍSTICA

 30

Número de vezes que Cavani tocou na bola durante o jogo. Só tocou mais vezes na redonda que o goleiro Fernando Muslera (27). É muito pouco para um jogador que era visto como a grande estrela do time. Precisa fazer mais. Muito mais.