Há três meses, Chilavert desembarcou em São Paulo para um encontro com ex-jogadores sul-americanos e dirigentes do Corinthians e afirmou ter provas de corrupção nas contas apresentadas pela Conmebol. O ex-arqueiro já havia passado pela Venezuela, onde encontrou representantes dos clubes locais, para discutir a questão da entidade que controla o futebol na América do Sul. Agora, foi a vez de Peñarol e de vários clubes pequenos do Uruguai entrarem de cabeça na movimentação para desmascarar a instituição presidida pelo também uruguaio Eugenio Figueredo. Os times do país decidiram apresentar uma denúncia penal contra os dirigentes da Conmebol por manipulação nos valores apresentados nos balanços financeiros.

O que motivou a intenção de denúncia foi o fato de a entidade não ter sequer ouvido a proposta da Global Sports, presidida por Francisco Casal, empresário uruguaio,  pelos direitos de transmissão de suas competições. O presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani, afirmou que a empresa oferecia cinco vezes maior que a Torneo y Competencias, que tem acordo com o Fox Sports na América Latina.

A oferta da Global Sports seria de US$ 120 milhões anuais pelo direito de transmissão de metade das competições organizadas pela Conmebol, e o valor poderia subir a US$ 170 milhões se um acordo entre 2015 e 2018 para obtenção dos direitos de todos os torneios fosse fechado.

El Tanque Sisley, Cerro, Rentistas, Cerro Largo e Miramar Misiones são as outras equipes que acompanharam o Peñarol na ação contra a Conmebol. Eduardo Ache, presidente do Nacional, que assim como o rival aurinegro está classificado para a próxima Libertadores, afirmou que partilha da preocupação quanto à manipulação dos balanços, mas disse não concordar com a denúncia e preferir “recorrer a outros caminhos”.

Os clubes sul-americanos estão se organizando bem para tentar desmantelar o suposto esquema que funciona atualmente. Afirmam que os números dos balanços são maqueados para que as equipes recebam menos que o que têm o direito de receber e reclamam do fato de dirigentes de federações receberem mais que as agremiações. A denúncia uruguaia – ou pelo menos o anúncio de que ela será feita – é o fato mais sólido até agora em toda essa história. Resta esperar para ver o que resultará disso. Pode não ser algo imediato, mas a semente plantada nos últimos meses começa a germinar e formar raízes.