Wayne Rooney, Kasper Schmeichel

Usar a base do Liverpool foi uma boa ideia, mas havia um Schmeichel no meio do caminho

Quantas vezes aqueles torcedores não ficaram frustrados por causa desse sobrenome? Qualquer um que estivesse no estádio Wembley, com mais de 20 anos, e não fosse torcedor do Manchester United, xingou Peter Schmeichel em algum momento da vida. Nesta quarta-feira, coube ao filho do dinamarquês, Kasper, impedir uma vitória mais confortável da Inglaterra, que ganhou por 1 a 0, no último amistoso antes da convocação final para a Copa do Mundo de 2014.

A sensação de que o passado estava presente no estádio mais importante do Reino Unido foi fortificada pela decisão de Roy Hodgson de escalar a base do Liverpool. Foi a primeira vez desde 1977 que cinco jogadores do clube vermelho começaram jogando pela seleção inglesa. A ideia de usar o que for possível do melhor ataque da Premier League é ótima, mas ainda precisa ser melhor executada.

Porque mesmo que Schmeichel não tivesse feito meia duzia de defesas milagrosas, ou que Sturridge conseguisse acertar a rede ao invés da trave, é impossível replicar fielmente o esquema de jogo do técnico Brendan Rodgers. Obviamente. Os jogadores são diferentes e têm outras características. Jack Wilshere carrega mais a bola que Philippe Coutinho, mais afeito a dribles e passes. E Wayne Rooney não é Luis Suárez, intenso, incansável e goleador.

A temporada de Rooney está mais voltada para as assistências que para os gols. Rende mais na zona entre a intermediária e a entrada da área. Hodgson não conseguiu adaptar essa função a Sturridge e Sterling. O camisa 10 do Manchester United não foi centroavante e não municiou os companheiros como faz em Old Trafford. Não deu um passe para finalização. E o seu pé estava descalibrado. Todos os cinco chutes, quase todos de fora da área, passaram longe do gol de Schmeichel.

A dupla do Liverpool foi diferente. Sturridge precisa atuar próximo do gol. Quando abria pelas pontas para que Rooney entrasse na área, a Inglaterra perdia força. O seu gol foi clássico de um centroavante que se posiciona bem. Completou o cruzamento de Lallana com a cabeça, no contrapé do goleiro. Antes, quase havia marcado em jogada individual pela direita, depois perdeu cara a cara com Schmeichel e chegou a acertar a trave. Seu companheiro, rápido e habilidoso, também foi muito bem. De um jovem que acertava uma jogada a cada lua cheia, Sterling evoluiu muito em pouco tempo e deve ter lugar garantido no Mundial.

Hodgson precisa fazer ajustes, como acertar o trio ofensivo, adaptando Rooney, mas usar a base do Liverpool parece uma boa aposta, ainda mais se a fase iluminada do time persistir até as vésperas da Copa do Mundo. O problema de Brendan Rodgers é a defesa, e na seleção há mais opções para deixá-la sólida. Não vai levar a Inglaterra ao título da Copa do Mundo, mas pode render uma vaga nas oitavas de final e, ao menos, uma campanha digna no Brasil.

Formações iniciais

campinho Inglaterra x Dinamarca

 

Destaque do jogo

A presença do pai em Wembley deve ter inspirado o goleiro do Leicester City. Schmeichel fez excelentes defesas, com destaque para as intervenções nas tentativas de Sturridge e Welbeck, ambas cara a cara. Foi o principal responsável pelo placar magro da vitória inglesa.

Momento chave

A partida poderia ter ficado mais fácil para a Inglaterra se Sturridge tivesse aberto o placar no final do primeiro tempo. Cahill desviou de cabeça e a bola caiu na frente do atacante do Liverpool, dentro da pequena área. Schmeichel tirou com o pé.

Os gols

37′/2T – GOL DA INGLATERRA! Adam Lallana fez ótima jogada pela ponta esquerda e cruzou na cabeça de Daniel Sturridge, que finalizou no contrapé de Schmeichel.

Curiosidade

Foi a primeira vez desde 1977 que a Inglaterra começou o jogo com cinco jogadores do Liverpool. Naquele ano, venceu Luxemburgo com Ray Clemence, Emlyn Hughes, Ray Kennedy, Terry McDermott e Ian Callaghan de titulares. Nesta quarta-feira, foram Glen Johnson, Steven Gerrard, Jordan Henderson, Daniel Sturridge e Raheem Sterling.

Ficha técnica

INGLATERRA 1 X 0 DINAMARCA

Inglaterra Escudo Inglaterra
Joe Hart; Glen Johnson, Gary Cahill, Chris Smalling e Ashley Cole (Luke Shaw, 1′/2T); Steven Gerrard, Jordan Henderson (Alex Oxlade-Chamberlain, 32′/2T) e Jack Wilshere (Adam Lallana, 13′/2T); Daniel Sturridge (James Milner 42′/2T), Raheem Sterling (Andros Townsend, 40′/2T) e Wayne Rooney (Danny Welbeck, 15′/2T). Técnico: Roy Hodgson
Dinamarca_escudo Dinamarca
Kasper Schmeichel;  Lars Jacobsen (Jesper Kristensen, 1′/2T), Simon Kjaer (Andreas Bjelland, 17′/2T), Daniel Agger e Peter Ankersen;, Simon Poulsen (Danny Olsen, 36′/2T), William Kvist, Casper Sloth (Niki Zimling, 17′/2T), Emil Larsen (Kasper Kusk, 1′/2T) e Michael Krohn-Dehli; Nicklas Bendtner (Steffen Rasmussen, 18′/2T). Técnico: Morten Olsen
Local: Estádio Wembley, em Londres (ING)
Árbitro: Kevin Blom (HOL)
Gols: Daniel Sturridge, 37′/2T
Cartões amarelos: Casper Sloth e Steffen Rasmussen
Cartões vermelhos: Nenhum