Antes mesmo de a temporada passada acabar, o clima de fim de festa havia tomado conta da Fiorentina. A péssima campanha no Campeonato Italiano se somava à descrença da torcida, à permanência cada vez mais difícil de Stefan Jovetic, à saída já confirmada do capitão Riccardo Montolivo, às negativas da prefeitura de Florença para a construção de um estádio particular. Mas a Fiorentina ressurgiu. E, para o espanto de todos, nem demorou tanto tempo assim.

Passo 1: foi contratado um treinador promissor, Vincenzo Montella. Passo 2: a reformulação urgente foi tratada como prioridade. Passo 3: o dinheiro economizado com contratos inúteis pôde ser investido em novas aquisições. Com essa equação simplória, afastou-se a desconfiança que rondava o primeiro ano de trabalho do diretor esportivo Daniele Pradè em Florença. Atletas que não rendiam mais como em anos passados (Gamberini, Marchionni, De Silvestri…) deram adeus e foram muito bem substituídos.

Essencial para essa mudança de rumo o fato de Andrea Della Valle, principal acionista do time violeta, ter topado abrir o bolso, convencido pela presença de Mario Cognini como presidente do clube, antes no papel e agora finalmente na prática. O balanço negativo de julho e agosto, contabilizando só as transferências, chegou aos € 17 milhões. O alto custo representa o último risco contábil que a atual direção do clube topou correr para recolocar a Fiorentina em alguma competição europeia.

A Fiorentina já está alguns passos à frente do time que terminou o campeonato passado na 13ª posição. É possível afirmar isso sem se deixar levar pelo famoso entusiasmo de agosto. Montella pediu jogadores polivalentes e foi atendido. A maioria dos recém-chegados prima pelo dinamismo e permitirão ao comandante mudar estratégias e esquemas táticos durante as partidas, algo que o treinador se acostumou a fazer no Catania, temporada passada. Partindo do 4-3-3, a Fiorentina poderá se moldar até com três zagueiros sem fazer nem sequer uma substituição.

A abundância de boas opções começa no gol, que conta com três selecionáveis. Titular na última temporada, o polonês Boruc tende a perder espaço para o italiano Viviano e o brasileiro Neto. Na defesa, Pasqual retomou a posição na lateral esquerda, enquanto o lado direito terá uma boa disputa entre Roncaglia e Cassani. A zaga, com os ótimos jovens Camporese, Nastasic e Hegazy, recebeu o reforço do argentino Gonzalo Rodríguez, autor de uma carreira no Villarreal.

O meio-campo recebeu as ótimas adições de Matias Fernández, Borja Valero, Cuadrado, Della Rocca e Aquilani a um grupo que já contava com o regular Lazzari e o tão promissor quanto imaturo Ljajic. O ataque terá de recuperar o polêmico marroquino El Hamdaoui, que passou um ano afastado no Ajax. Ainda falta mandar embora Vargas (faz mal ao ambiente), Cerci (não agrada Montella porque não consegue segurar a bola) e Rômulo (muito dinheiro, pouco futebol) e contratar um volante, um centroavante e talvez um zagueiro. Mas agora há uma boa expectativa para a estreia contra a Udinese, em casa, no próximo dia 25.

A Fiorentina já conseguiu recontagiar seu público, algo essencial. Além de animada, a torcida contará com preços camaradas se quiser comprar carnês para a temporada. Na última segunda-feira, o clube atingiu a marca das 10 mil vendas, perto dos 13 mil da temporada passada e ainda faltando três semanas para o fim da comercialização. No ambiente de grave crise econômica italiana, nada mal.

Mas nenhum feito é mais importante do que a manutenção de Jovetic, e ele finalmente parece ter topado (de boa vontade) ficar. No retiro de pré-temporada realizado no meio dos alpes de Moena, no norte italiano, o montenegrino foi blindado pela direção do clube, que parece ter chegado a um acordo que garanta a permanência dele por pelo menos mais um ano, apesar da vontade da Juventus em contratá-lo.

Reza a lenda que presidente Andrea Della Valle lhe prometeu um time que jogue para divertir, tendo o montenegrino como capitão, no comando de ataque e no centro do projeto. Sem contar o maior salário do grupo e prêmios por objetivos. É agora ou nunca.

Pallonetto

- Assistente técnico e braço direito de Antonio Conte, Cristian Stellini pediu demissão da Juventus. O cidadão jogava no Bari em 2008 e 2009, é acusado de fraude esportiva e deve passar pelo menos dois anos afastado do futebol. Ele é a primeira baixa oficial sentida pela Velha Senhora por causa do escândalo de apostas.

- O próprio Conte, então comandante do Bari, também deve pegar algum gancho. Deve assumir como comandante da Juventus o ex-zagueiro Massimo Carrera, coordenador técnico das categorias de base do clube desde 2009.

- A Inter estreou na terceira fase preliminar da Liga Europa com uma vitória por 3 a 0 contra o Hajduk Split, na Croácia. Sneijder foi um dos melhores em campo. Coutinho marcou o último dos gols. E Maicon, que pelo jeito vai mesmo ser vendido, não jogou.

- Continua o namoro do Milan para tentar buscar Kaká de volta. Difícil é entender se Max Allegri quer o brasileiro no elenco. O técnico rubro-negro disse que pretende utilizá-lo “à Pirlo” caso realmente seja contratado. Ou seja, como um meia postado na frente da zaga, responsável pela primeira distribuição de passes. No lugar de Kaká, eu ficaria desanimado.

- Pare tudo o que você esteja fazendo: a Copa da Itália já começou. O primeiro turno do torneio eliminatório foi disputado no último fim de semana, com times das terceira, quarta e quinta divisões. Entre os times que já passaram pela Série A, vitórias para Pisa (2 a 0 no Arezzo), Vicenza (6 a 0 no Andria BAT), Perugia (3 a 0 no Barletta) e Avellino (3 a 1 na Sambenedettese). O Treviso caiu para o Sorrento, por 2 a 0.


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