Uma das grandes ansiedades em ano de Copa é saber quando sairá o álbum de figurinhas. Os aficionados esperam ansiosos o momento de ir à banca comprar os envelopes e começar aquela corrida desenfreada para completar o álbum antes da Copa começar. Antes era visto como uma brincadeira de criança. Não é mais. Especialmente pela empresa que fabrica o álbum.  Depois da febre de 2010, a Panini prepara uma operação de guerra e tem como meta chegar a oito milhões de colecionadores.

Até 2006, a Alemanha era o país onde mais se vendiam figurinhas da Copa. É uma tradição por lá mais fortes que na maioria dos países, mais até que no Brasil. Isso até 2006. Em 2010, o Brasil ultrapassou os alemães, e passou por muito, segundo informou Márcio Borges, diretor de marketing da empresa. Aliás, 2010 é uma marca para a Panini. O álbum virtual da Copa, no site da Fifa, teve 52% de acessos vindo do Brasil. O Brasil passou a ser o grande mercado dos cromos da Copa e isso mudou muito a forma como a própria empresa encara o produto. Por isso tamanho investimento, por isso tanta divulgação. A empresa percebeu que aqui era um mercado importante demais a ser explorado. Não por acaso, a multinacional, conhecida no mundo editorial por fabricar álbuns de figurinhas, quadrinhos e revistas, tem duas fábricas: uma em Modena, na Itália, e uma em São Paulo.

Motivados pelo sucesso das figurinhas, a Panini aposta em uma novidade: cards, que serão vendidos separadamente. Cards são sucesso em várias partes do mundo. O presidente da Panini, José Martins, falou sobre a experiência bem-sucedida da empresa ao fazer os cards da NBA e da NFL nos Estados Unidos, onde esse tipo de produto é bem comum. Será uma espécie de Super Trunfo com jogadores de futebol, com possibilidade inclusive de jogar online. O pacote com seis cards custará R$ 4,90, o que torna a brincadeira um pouco mais cara. Os cromos a empresa afirma que produz igualmente, não há as tais “difíceis”. Já os cards, há uns que valem mais do que outros e, portanto, sua produção é limitada, os tornando mais raros. A brincadeira é interessante, mas o preço não é exatamente atrativo, já que são 416 cards. A ideia é muito boa, mas o preço não é convidativo. Será preciso esperar para ver se haverá público para isso.

Cards da Copa 2014

Cards da Copa do Mundo 2014: acabamento primoroso e preço salgado

Para preparar o álbum com suas 640 figurinhas e os 416 cards, com logística e distribuição para o Brasil todo e para os mais de 120 países que as receberão, é preciso planejamento e antecedência. Algo que os estádios da Copa não tiveram. Algumas das fotos dos palcos do Mundial mostram estádios inacabados e obras. A questão sobre por que usar essas fotos, e não maquetes ou projeções dos estádios, está no ar desde a semana passada, quando vazaram as fotos que iriam para o produto. O álbum, ao contrário das obras, não pode atrasar. “Se as fotos fossem feitas hoje, ainda não teríamos alguns estádios prontos”, justificou Vilson Manfrinati, assessor da Divisão Futebol da empresa italiana. Caso você esteja confuso, estamos no dia 31 de março de 2014, a 73 dias da partida de abertura. E não, não temos os estádios prontos.

Por que não usar fotos de maquetes ou das projeções, aquelas em 3D que nos mostram nos projetos? Por contrato. A Panini é obrigada a usar as fotos dos fornecedores oficiais da Fifa. “As fotos são um retrato do momento”, disse Vilson Manfrinati, que ainda ressaltou que, ao contrário da imprensa, que pode produzir e distribuir a informação com agilidade. O álbum, por ser um produto que precisa de aprovação na Fifa, nas federações e na própria Panini, não tem essa agilidade. Tudo tem que ser feito com antecedência.

A escolha dos jogadores que estão no álbum – desde semana passada destacamos que Robinho, que dificilmente vai à Copa, está no time do Brasil -, Vilson Manfrinati respondeu que a maioria dos nomes está fechado desde setembro. Há uma equipe que trabalha no mundo todo analisando jogadores, times e seleções não só para o álbum da Copa, mas para os álbuns de 30 campeonatos nacionais que a empresa produz anualmente. Essa equipe de “scout” é quem analisa e escolhe os 17 jogadores de cada seleção que vão para o álbum.

Era preciso fechar as fotos dos estádios e só foi possível escolher essas fotos no momento que elas foram compradas, ainda em 2013. Perguntados se as fotos com obras não manchariam a imagem da Copa – algo que a Fifa, por exemplo, poderia não gostar -, os executivos minimizaram. Será um retrato do pré-Copa no Brasil: obras sendo feitas a toque de caixa para o maior evento esportivo do mundo.

Além da questão contratual, a preparação para o álbum é feita com muita antecedência. Segundo José Martins, a preparação começa cedo e alguns contratos já estavam fechados em 2011. É preciso comprar os direitos para cada uma das seleções e dos jogadores. O Brasil, aliás, é o país que mais custa caro para estar no álbum. Além do prestígio da seleção brasileira, o que complica é que além de pagar os direitos de uso da marca da CBF, é preciso pagar os direitos para cada jogador. Em outros países, como na Argentina de Lionel Messi e na Itália, país de origem da empresa, os direitos são negociados direto com o sindicato dos jogadores, de forma coletiva.

Na Itália, o dinheiro pago pela Panini ao sindicato pelos direitos de imagem de cada jogador vai para um fundo que é usado para complementar a aposentadoria de todos da categoria. Messi, assim como todos os argentinos, têm sua imagem cedida também via acordo com o sindicato dos jogadores. Sem complicações. E Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo? Sem problemas também. No caso dele, os direitos de imagem do jogador como atleta da seleção estão vinculados à Federação Portuguesa de Futebol, com quem é assinado o acordo.

Um caso complicado é com a Inglaterra. Uma outra empresa é dona dos direitos da seleção inglesa para figurinhas, o que impede a Panini de usar o escudo da Football Association (FA) e mostrar a camisa do time. Por isso que vemos a bandeira da Inglaterra no lugar do escudo e as camisas dos jogadores editadas para não aparecer nada além do branco. Os jogadores aparecem no álbum porque seus direitos de imagem são negociados diretamente com eles. A empresa diz que é experiente no assunto e não tem problemas, mas que não são negociações fáceis.

Os executivos da Panini, da esquerda para a direita: Vilson Manfrinati, José Martins e Márcio Borges

Os executivos da Panini, da esquerda para a direita: Vilson Manfrinati, José Martins e Márcio Borges

Brasil, o país do futebol (ao menos nas figurinhas)

Para não ter os mesmos problemas de 2010, quando chegou a faltar figurinhas em diversos pontos do país, a Panini ampliou a sua capacidade de produção. Segundo José Martins, a fábrica em São Paulo importou maquinário e aumentou sua capacidade para nove milhões de envelopes por dia – algo que, ainda segundo a empresa, é quase o dobro de 2010. Foram mais de R$ 2 milhões investidos na fábrica, além de outros R$ 18 milhões só com marketing. A aposta da Panini é que essa será a Copa com maior venda de envelopes com os cromos em todos os tempos. E a animação da empresa é justificada.

A tiragem inicial do álbum será três vezes a de 2010. Serão 8,5 milhões de álbuns na primeira remessa, sendo que 6,5 milhões serão distribuídos gratuitamente em jornais, revistas, em escolas e pontos de venda de figurinhas, como livrarias e supermercados. Claro, isso só na primeira remessa, porque já há pedido para reimpressão do álbum, colocado em pré-venda em alguns lugares.

Uma das novidades será uma versão luxo do álbum, com capa dura e custando R$ 24,90, e não os R$ 5,90 do álbum tradicional. Uma versão criada para evitar que o álbum fique todo amassado, como costuma acontecer depois de completar a coleção e levar o álbum para cima e para baixo. Para quem gosta da versão tradicional, uma ação promocional da Liberty Seguros, patrocinadora da Copa, será feita na semana de lançamento. Serão distribuídas 1,8 milhões capas protetoras de plástico para os álbuns tradicionais.

Prepare o coração (e o bolso), porque agora a Copa do Mundo começa de verdade. A Panini mandou as informações sobre o álbum em uma ficha técnica, que você vê abaixo:

Álbum de figurinhas oficial da Copa do Mundo da FIFA 2014™
Formato: 23,2 x 27 cm
Estrutura: 80 páginas
Distribuição: nacional
Preço do álbum – brochura: R$ 5,90
Preço do álbum – capa dura: R$ 24,90
Preço do envelope com 5 cromos: R$ 1,00
Lançamento envelopes: nas bancas a partir de 04/04/2014
Lançamento álbum: nas bancas a partir de 08/04/2014
Cromos
Total de cromos: 640
Cromos especiais: 40 (metalizados, com efeito holográfico)