SÃO PAULO – O jogo era entre Chile x Holanda. Mas não dava para negar que também tinha uma aura de Palmeiras x Corinthians. Por mais que Aránguiz e Mena atuem em clubes brasileiros, que vestindo laranja estivessem alguns dos carrascos da Seleção em 2010, nenhum jogador era mais visado do que Valdívia. O meia de qualidade técnica evidente, que mesmo assim se torna discutível pelas partidas apagadas que alterna e os problemas físicas que o perseguem. El Mago não foi o melhor em campo, mas foi o grande personagem da tarde no Itaquerão.

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Era previsível que acontecesse, desde antes do início do jogo. Tanto quanto Vargas ou Sánchez, Salas ou Zamorano, muitas pessoas carregavam o nome de Valdívia nas costas. Chilenos, e também brasileiros, muito provavelmente palmeirenses, com o 10 estampado em La Roja. Mais do que isso, havia também muitas pessoas com a camisa do Palmeiras, por maior petulância que isso se sugira em Itaquera. E principalmente com aquela versão amarela do uniforme alviverde, a que mais parece ter pegado entre os clubes brasileiros. Em compensação, também havia corintianos, muito mais numerosos, como tinha que ser em sua casa. Já do lado de fora do estádio, andavam em bandos, e com o grito de “Vai, Corinthians” ouvido a cada canto.

Logo que a bola começou a rolar, Valdívia foi o primeiro homenageado. Não, ele não era titular. Mas boa parte do estádio se lembrou de sua existência naquele momento, na zoeira de já mandá-lo para aquele lugar. A partida se desenvolveu tensa para o Chile. La Roja dominava a bola, mas não conseguia passar pela compacta Holanda. Aqui e ali, pedidos por Valdívia e também xingamentos, por mais que ele estivesse apenas esquentando banco.

No segundo tempo, enfim, veio o momento. E na bipolaridade que afasta os torcedores brasileiros de qualquer generalização nesta Copa, aplausos e gritos de Valdívia – e, pelo volume, dava até para acreditar que alguns corintianos também resolveram pedi-lo. Sim, muita gente queria vê-lo em campo. Nem que fosse apenas para achincalhar.

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Logo depois de dois lances do camisa 10, o primeiro momento marcante: Valdívia parou no círculo central, parecia que tinha sentido uma lesão. Não foi suficiente para um grito em uníssono (ao menos que desse para ser ouvido nas arquibancadas provisórias), mas os burburinhos e as brincadeiras com o “chinelinho” ficaram evidentes. Em um time que criava pouco, Valdívia conseguiu abrir espaços com bons passes. Nada que possibilitasse uma virada do Chile. Mas que o fizeram sempre lembrado pela torcida: algumas vezes elogiado e muitas outras xingado.

Na saída do estádio, o Corinthians x Palmeiras foi ainda maior do que aquele Holanda x Chile, que já tinha se consumado. Era a galhofa, a picardia, a zoeira. Como você preferir chamar, as brincadeiras que tomam conta da torcida brasileira nesta Copa, especialmente em jogos de outras seleções. O “carinho” com Valdívia foi imenso. E isso porque não houve chute no vácuo, gol do Mago, chororô na comemoração. O camisa 10 foi só mais um entre os 26 que entraram em campo naquela partida. A rivalidade clubística, no entanto, fizeram com que fosse muito mais gritado do que as arrancadas de Robben ou os gols holandeses.