“Fui recebido por diretores do clube, jornais, televisão. Fui levado até a cidade da equipe, recebido na sala do xeique. Ganhei a camisa do Al Fujairah com o número 10. Tirei foto com o xeique, que subiu a foto no Facebook, falando que estava apresentando o novo jogador do clube. Fiz exames médicos e pedi pelo menos dez dias de férias. O clube falou que não tinha problema, era só me apresentar no dia 5 na Alemanha, para a pré-temporada. Infelizmente, não chegamos a assinar contrato porque era época do Ramadã no país. Ramadã é uma história completamente diferente da gente”

Essa foi a explicação de Valdivia para não sacramentar a sua negociação com o Al Fujairah, dos Emirados Árabes, como você pode conferir neste link. No Ramadã, nono mês do calendário islâmico, os muçulmanos praticam um jejum durante os 30 dias. É uma época para renovar a fé e fortalecer os laços familiares. Pelo que sabemos, nada impede a contratação de jogadores de futebol, mas, como não somos especialistas em religião, fomos procurar alguém que fosse.

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O xeique Jihad Hammadeh, vice-presidente latino-americano da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, tem mais duas credenciais para falar sobre o assunto: é a principal referência do islã no Brasil e torce para o Palmeiras. Não sabe dizer por que o Ramadã impediria a assinatura de um contrato. “Talvez por causa de algum feriado, por causa do jejum. Se o clube estivesse de folga ou tivesse alguma restrição de horário. Mas nada da parte religiosa”, afirma à reportagem da Trivela.

O problema seria se a sua apresentação tivesse ocorrido durante o feriado do Eid al-Fitr, que celebra o fim do jejum nos últimos três dias do Ramadã. “Nessa época ninguém faz nada. Estaria cada um com sua família”, completa. Mas o mês sagrado começou em 29 de junho, o que colocou o Eid al-Fitr na última semana de julho. Valdivia foi apresentado antes, no dia 18. E também não há nenhuma restrição moral de realizar negócios e movimentar dinheiro nesse período. Muito pelo contrário. “Qualquer negócio realizado no mês do Ramadã é abençoado”, explica.

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O Palmeiras, portanto, perdeu a chance de uma ajuda de Alá que seria muito bem-vinda. Não ganha uma partida do Campeonato Brasileiro desde o final da Copa do Mundo e está a três pontos da zona de rebaixamento. A situação é tão complicada que até o xeique Jihad cornetou Paulo Nobre. “Eu fico triste que o investimento seja tão baixo e, quando há, acaba sendo, não vou dizer errado, mas equivocado”, diz, cauteloso. “Eu gosto do Valdivia, acho que deveria ter mais jogadores de alto nível. O Palmeiras está precisando de muita ajuda. Também está precisando de bastante reza, bastante oração.”

Alguma coisa aconteceu para Valdivia não ter assinado contrato com o Al Fujairah, mas está claro que o problema não foi o Ramadã e não estamos chamando o chileno de mentiroso. Alguém pode muito bem ter dito isso para ele. A única coisa que fica difícil de acreditar é que ele não ficou sabendo do fracasso da negociação antes do final das suas férias na Disney porque “não ficava entrando na internet”. Se não tem a obrigação de conhecer os hábitos do islamismo, o lugar onde vai morar dali a um mês é muito mais relevante.

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