Foram 210 minutos intensos de futebol, sobretudo os 120 de Porto Alegre. A Recopa não é um título tão expressivo quanto a Libertadores ou a Copa Sul-Americana, mas Grêmio e Independiente buscaram a taça com todas as suas forças. Era a oportunidade para o vencedor reafirmar a sua posição como “Rei de Copas”, afinal. O Rojo protagonizou atuações valentes. Mesmo jogando a maior parte do tempo em ambas as partidas com um a menos, segurou os adversários e contou com as defesas estupendas do goleiro Martín Campaña. Mas o Tricolor preponderou, superior ao longo dos duelos, apesar dos gols desperdiçados. E depois do 0 a 0 que persistiu na Arena, brilhou Marcelo Grohe mais uma vez. O goleiro pegou o pênalti derradeiro e garantiu a conquista, com o triunfo por 5 a 4 na marca da cal.

Após o empate por 1 a 1 em Avellaneda, a partida seguia aberta em Porto Alegre. O gol qualificado não seria critério de desempate. E o Grêmio começou partindo para cima. Agressivos, os tricolores fizeram Campaña trabalhar e ficaram com o grito preso aos sete minutos, quando Fernando Amorebieta salvou o tento de Everton em cima da linha. Do outro lado, Fernando Gaibor também faria Grohe trabalhar, mas o momento era dos gaúchos, que martelavam, apostando especialmente na velocidade de seus pontas. Ao mesmo tempo, o jogo tinha a sua pegada. Eram várias entradas mais fortes, com ambos os times sem aliviar nas divididas. Representava bem a ambição.

Aos 21 minutos, o Grêmio perdeu o contundido Léo Moura, substituído por Paulo Miranda. O duelo era lá e cá. E cada vez mais, os jogadores entravam forte. Antes dos 25, já tinham sido distribuídos dois amarelos para cada lado. Por volta dos 30, a confusão tomou conta do gramado, num lance em que Maximiliano Meza e Bruno Cortês se estranharam. O árbitro deixou passar. Após mais dois amarelos e um chute de Luan perigosíssimo de Luan para fora, o lance capital aconteceria 38. Em uma dividida com o camisa 7 gremista, Amorebieta levantou o pé e deixou a sola. As travas de sua chuteira fizeram um corte no peito de Luan, que levantou a camisa e mostrou ao árbitro. Só então Enrique Cáceres acionou o VAR e decidiu expulsar o venezuelano com o vermelho direto. Ainda assim, os argentinos reclamaram demais.

No segundo tempo, o Grêmio tomou o domínio do jogo em definitivo. O Independiente se segurava e fechava os espaços. Mas também dependia da estrela de Campaña. O goleiro fez uma defesaça em arremate de Everton aos oito minutos, evitando o gol. E os tricolores partiram com tudo, com a entrada de Jael no lugar de Jaílson. O time da casa insistia e criava, mas não conseguia finalizar de maneira clara, com a zaga do Rojo travando. Os argentinos seguraram o placar até o fim do tempo regulamentar, forçando a prorrogação.

Seriam mais 30 minutos para os gremistas tentarem resolver. E a equipe de Renato Portaluppi continuava gerando os lances mais claros. No primeiro tempo, Jael cabeceou no travessão e houve a reclamação de um pênalti não assinalado. Depois, no segundo, o centroavante cobrou falta que desviou na barreira e Campaña conseguiu salvar. Porém, o Independiente ainda tentava aprontar, e uma bola que passou por todo mundo dentro da área tricolor por pouco não mudou o destino da decisão. Já na última chance, com Maicosuel, Campaña negou o tento do Grêmio novamente. As penalidades seriam inescapáveis.

Na marca da cal, ambos os times foram praticamente perfeitos. Um a um, os jogadores cobravam seus pênaltis com qualidade. Maicon, Gaibor, Cícero, Meza, Jael, Domingo, Everton, Romero e Luan converteram. Já na quinta cobrança do Independiente, Martín Benítez encheu o pé, mas mandou a bola mais centralizada, à meia altura. Grohe caiu no canto certo e salvou com a perna. O paredão da Libertadores fazia o Grêmio conquistar mais um título continental, para o delírio da torcida em Porto Alegre.

O Independiente, novamente, mostra que é time para fazer boa campanha na Libertadores. O elenco de Ariel Holan tem suas lacunas, mas coletivamente a equipe apresenta recursos e conta com um baita goleiro – o que tem sido valioso nas últimas edições do torneio continental. O Grêmio, todavia, se consagra com méritos. O nível de confiança pode não ser dos maiores, até pelo início claudicante no Campeonato Gaúcho. O título continental chega justamente para ajudar a quebrar isso. Há ajustes a se fazer. Mas também algumas boas opções para retomar os prumos.