A ausência do nome de Vanderlei na convocação da seleção brasileira soou como uma grande injustiça. E a impressão se reforçou ainda mais nas horas seguintes, durante a partida que definiu o destino do Santos na Copa Libertadores da América. O goleiro teve mais uma atuação magnífica nesta quinta, como de praxe nos últimos meses. Operou ao menos cinco defesas difíceis, fundamental para conter a pressão do Atlético Paranaense, e, com uma pitada de sorte, foi determinante para o sucesso do Peixe na competição continental. Os santistas presentes na Vila Belmiro precisaram lidar com o sofrimento, mesmo que a vitória por 3 a 2 na ida desse boa vantagem. O alívio só veio aos 32 do segundo tempo, em raro ataque dos anfitriões, após um bombardeio do Furacão. Bruno Henrique decidiu para a equipe e garantiu o triunfo por 1 a 0, que selou a classificação às quartas de final.

O Atlético entrou em campo na Vila Belmiro com a postura que se pedia, após a derrota no primeiro jogo. Os rubro-negros martelavam, com muita mobilidade em seu ataque, comandado por Nikão. O camisa 11 criava as principais oportunidades da equipe, mas a defesa do Santos ia conseguindo abafar. Já do outro lado, o Peixe tinha dificuldades de se aproximar da meta de Weverton, por mais que conseguisse equilibrar a posse de bola. Exceção feita a uma finalização de Bruno Henrique para fora, o ataque alvinegro mal aparecia.

Com o passar dos minutos, o Furacão intensificou o seu trabalho no campo ofensivo. E a melhor sequência veio aos 24 minutos, com três ótimos arremates, para três defesas monumentais de Vanderlei. O goleiro começou pegando uma cabeçada à queima-roupa de Paulo André. Depois, parou a cabeçada de Fabrício. E ainda defendeu o chute cruzado de Guilherme, salvando a pele do Santos. O bom momento impulsionou os atleticanos, que seguiam sufocando um Peixe acuado, sem saída de bola – sofrendo principalmente com a ausência de seus principais volantes, Renato e Vecchio. Pelos rubro-negros, Jonathan era um dos que mais chamavam a responsabilidade. Aos 37 minutos, o lateral aplicou um drible da vaca e exigiu nova defesa de Vanderlei. Na sobra, Sidcley bateu para a meta desguarnecida, mas Lucas Veríssimo salvou em cima da linha.

Quem esperava que o intervalo pudesse acalmar a situação para o Santos se enganou. O Atlético Paranaense não diminuiu seu ímpeto, explorando principalmente as jogadas pelas pontas. Ao Peixe, restava afastar os perigos e tentar administrar a posse de bola, para que o tempo passasse. Mas, novamente, as chances eram escassas. E o gol do Furacão parecia muito mais próximo. Outro clímax aconteceu aos 26 minutos, com mais duas boas defesas de Vanderlei, além de uma bola na trave de Jonathan, aproveitando cruzamento de Nikão. Não era o dia dos rubro-negros, como ficaria bem claro instantes depois.

Aos 32, enfim, o Santos sacramentou sua classificação. O raro golpe que acabou sendo fatal. Em jogada iniciada por Lucas Lima, Ricardo Oliveira recebeu em profundidade e passou para Bruno Henrique arrematar na saída de Weverton. O gol, mais do que a vantagem, representava um enorme alívio. E os santistas se soltaram mais nos 15 minutos finais do confronto. Lucas Lima quase fez o segundo, em bom chute de longe. Já o Atlético viu o desespero bater, sem a mesma qualidade na conclusão. Até voltou a exigir de Vanderlei, mas as melhores oportunidades dos paranaenses seguiram para fora. Era preciso se conformar com a eliminação.

O Furacão pode sair de cabeça erguida pelo que jogou na Vila Belmiro. Até por aquilo que o time vinha apresentando no mês anterior, foi uma atuação bastante convincente. Partiu para cima dos santistas em busca do resultado e criou várias oportunidades. Faltou mesmo aproveitar melhor essas chances, por mais que existam méritos de Vanderlei e uma pontada de sorte do outro lado. Claramente os rubro-negros vêm em recuperação, depois de três vitórias consecutivas no Brasileiro, e não podem deixar que a eliminação na Libertadores afete o seu ano, com o time ascendendo na tabela da Série A.

Já o Santos, apesar da noite cheia de riscos, segue com sua campanha invicta na Copa Libertadores. E, graças ao esforço de Vanderlei, a defesa continua com ótimos números na competição. A equipe espera voltar completa para a sequência, especialmente pela importância de Renato no meio de campo. O Barcelona, depois do bom desempenho na primeira fase e de tudo o que aprontou contra o Palmeiras, será um desafio grande aos alvinegros. A próxima etapa para seguirem em seu sonho pelo tetracampeonato continental. No teste cardíaco contra o Atlético Paranaense, os santistas acabaram aprovados.

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