O grande momento de Vanderlei no Santos perdurá há tempos. Os milagres se repetem a cada partida e o saldo do veterano é infinitamente positivo. Afinal, muitos dos bons resultados conquistados pelo Peixe nos últimos anos passam obrigatoriamente pelas luvas do goleiro. Inclusive o desta quinta, com uma vitória essencial na Copa Libertadores. O Peixe não fez um bom jogo na Argentina. Sofreu contra o Estudiantes durante a maior parte do tempo e contou com um gol irregular para sair em vantagem. Mas, ao final, preponderou a atuação gigantesca do camisa 1. Ele operou quatro milagres e garantiu o triunfo por 1 a 0 em Quilmes, que deixa os alvinegros na liderança do Grupo 6.

O Santos não se encontrou durante os primeiros minutos. O time dava a bola ao Estudiantes de graça e se fechava no campo de defesa, aguardando um respiro para o contra-ataque. E neste início, Vanderlei não estava tão atento. Errou em um recuo de bola e demorou a sair em um cruzamento, depois fechando o ângulo de Lucas Melano para ceder escanteio. Logo na sequência da jogada, porém, o arqueiro se redimiu e recobrou sua confiança. Em cabeçada à queima-roupa de Jonathan Schunke, o camisa 1 fez uma intervenção estupenda, de pura agilidade.

Seis minutos depois, aos 18, o Santos abriu o placar. A partir de uma cobrança de escanteio do Estudiantes, o Peixe armou um contra-ataque fulminante. Em belíssima combinação, Arthur Gomes passou para Eduardo Sasha, que se livrou da marcação e bateu na saída de Mariano Andújar. A bola bateu na trave e, impedido, o próprio Arthur Gomes escorou para dentro. O árbitro, todavia, deixou passar.

Depois do gol, os santistas finalmente se soltaram mais e passaram a aparecer no ataque. O Estudiantes demorou a se recobrar do baque, mais acuado. Na melhor chance de empatar, os pincharratas jogaram fora um contra-ataque claríssimo, com Melano batendo para fora, mesmo de frente para Vanderlei. De qualquer maneira, o Peixe parecia mais próximo do segundo gol – como realmente ficou aos 45. Mariano Andújar fez grande defesa em arremate de Arthur Gomes e, no rebote, Jean Mota mandou para fora com a meta escancarada.

A partir do segundo tempo, o Estudiantes retomou a pressão, se postando no campo de ataque. A entrada do veterano atacante Mariano Pavone deu mais presença de área. Mesmo sem contarem com uma equipe técnica, os pincharratas se impuseram ao redor da área adversária. Já o Santos jogava por acertar outro contra-ataque, como quase aconteceu em uma boa chegada aos dez minutos. A etapa final, ainda assim, seria de Vanderlei. Em meio à insistência dos alvirrubros, por mais que eles não apresentassem grande criatividade, o arqueiro trabalhou bastante para evitar o empate.

Vanderlei voltou a aparecer aos 14. Carlo Lattanzio desviou dentro da área e o goleiro conseguiu salvar, mesmo sendo pego no contrapé. O Santos errava demais nas saídas de bola, o que contribuía para a superioridade do Estudiantes. Já nos dez minutos finais, o duelo se tornou um sufoco aos alvinegros. Virou um monólogo de Vanderlei, que pegou duas bolas difíceis em sequência aos 36. Já o impossível aconteceu aos 42, em arremate de Pavone na pequena área, que o camisa 1 rebateu com os pés. O atacante não se conformou, botando as mãos na cabeça. Nos instantes finais, até Andújar subiu à área, mas a defesa alvinegra prevaleceu.

Com a vitória, o Santos chega aos seis pontos na Libertadores, dois a mais que Estudiantes e que Real Garcilaso. Vantagem importante para se reencontrar em casa com os pincharratas na próxima rodada, assim como para receber os peruanos no último compromisso. A situação ainda é incerta, mas os alvinegros têm o caminho aberto para buscar a classificação aos mata-matas. Precisam agradecer Vanderlei, por tudo o que o goleiro tem proporcionado ao clube. Dentre tantas grandes atuações, a desta quinta certamente terá um lugar especial na memória da torcida.