O quesito arbitragem está longe de ser um dos pontos positivos do futebol português. Árbitros e assistentes de nível técnico duvidoso e dirigentes que mais atrapalham esquentando polêmicas do que ajudam tentando fortalecer a qualidade do apito formam um conjunto que faz o noticiário ser tão recheado de discussões sobre arbitragem quanto de gols.

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Na temporada atual, porém, surgiu uma luz no fim do túnel. Portugal foi um dos países que adotou o árbitro de vídeo (VAR). Com tantos erros e discussões sem sentido via imprensa e redes sociais, seria no mínimo leviano criticar a inovação – que certamente trará bons frutos. Neste início, o VAR está chamando a atenção por colocar uma lupa sobre o nível dos árbitros e assistentes lusitanos.

 Passadas apenas quatro rodadas do Campeonato Português, já são diversas as interferências do VAR e, consequentemente, os elogios e as reclamações sobre ele. O caso mais famoso foi contado aqui, na partida em que dois gols seguidos foram anulados e garantiram a vitória do Sporting sobre o Estoril.

O próprio Estoril entrou para a história como protagonista do primeiro lance alterado pelo VAR no Campeonato Português. Na rodada de abertura, Marcano fez o quarto gol da vitória do Porto contra os canarinhos. O tento, a princípio, foi invalidado pela arbitragem, que viu impedimento na jogada. Porém, o VAR entrou em ação para corrigir a falha e o gol valeu.

Na segunda rodada, VAR e Estoril se encontraram de novo. Na partida em que venceu o Vitória de Guimarães por 3 a 0 em casa, o time viu o árbitro dar cartão amarelo ao vimaranense Josué, que cometera pênalti em Kléber. O VAR advertiu que o lance era para expulsão e, após ver pessoalmente as imagens, o árbitro Carlos Xistra mudou a cor do cartão.

Na terceira rodada, o Vitória de Setúbal teve um pênalti marcado a seu favor porque Paulinho, do Desportivo Chaves, tocou a bola com mão na área. O que ninguém em campo havia visto, porém, é que instantes antes Gonçalo Paciência havia cometido falta ofensiva, o que anularia a jogada do pênalti. O fato não passou despercebido pelo VAR e a penalidade foi descartada.

Enquanto as três primeiras rodadas tiveram uma revisão de jogada cada, a quarta rodada foi pródiga em lances revistos pelo VAR. Dois deles foram os gols anulados em Alvalade. Houve ainda um pênalti desmarcado favorável ao Belenenses (contra o Vitória de Setúbal), um gol do Vitória de Guimarães anulado na partida diante do Paços de Ferreira (por conta de falta ofensiva) e um cartão amarelo que transformou-se em vermelho para Derley, do Desportivo Aves (na derrota da equipe para o Boavista).

Se abundam os casos de participação do VAR nas rodadas iniciais, obviamente também não faltam polêmicas. Adversários do Benfica reclamam muito que uma falta duríssima de Eliseu sobre Diogo Viana, do Belenenses, ficou impune. Já o Paços de Ferreira chegou a emitir um comunicado oficial reclamando da atuação do VAR numa das partidas – citando, inclusive, problemas no ângulo de filmagem das câmeras.

Um lado positivo das polêmicas é que o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol vem tornando público o que considera acerto e erro em cada caso. O de Eliseu, por exemplo, rendeu um puxão de orelha em toda a equipe de arbitragem.

O VAR ainda tem muito a evoluir, não só em Portugal, como em todo o mundo. Mas, ainda que com polêmicas e deixando a desejar em diversos aspectos, o fato de os portugueses já terem implementado o sistema poderá fazer com que o nível da arbitragem melhore no país. Ou seja: todo mundo tem a ganhar.