A vitória nos pênaltis contra o Jorge Wilstermann, depois da goleada inesperada na Bolívia, oferecia ao Vasco uma nova chance na Copa Libertadores. Tudo começaria do zero a partir da fase de grupos. Só que o reinício não surge tão promissor assim. Os cruzmaltinos perderam seu compromisso na primeira rodada, e talvez naquele que fosse o encontro mais acessível da chave. A Universidad de Chile não sofreu grande pressão em São Januário e voltou para casa com o triunfo por 1 a 0. Banho de água fria enorme sobre os cariocas, que teve o jovem Angelo Araos como o maior pesadelo dos anfitriões.

O primeiro tempo não ofereceu muitas emoções. O Vasco parecia nervoso, não conseguia acertar o seu jogo. A velocidade da Universidad de Chile incomodava, por mais que não gerasse grandes oportunidades aos visitantes. O trio composto por Yeferson Soteldo, Angelo Araos e Mauricio Pinilla era o maior motivo de preocupação. Apenas nos 15 minutos finais da primeira etapa é que os vascaínos se arrumaram. Encaixaram a marcação e passaram a atuar mais no campo de ataque, pecando no passe final. Em meio à insistência, a melhor chance veio em lance fortuito. Riascos cruzou e a bola enganou Johnny Herera, batendo o travessão. Se a virose que afetou o elenco cruzmaltino durante os últimos dias se refletiu em campo é difícil dizer, mas inegavelmente faltou clareza ofensiva. Estreante na zaga visitante, Rafael Vaz cumpria bem seu trabalho.

O Vasco melhorou logo no início do primeiro tempo. Paulinho entrou no lugar de Wagner e incendiou a partida, com duas boas chegadas. Mas os ânimos esfriariam. La U começou a controlar a bola no campo de ataque e a encontrar espaços. Aos 21, Araos deu seu aviso, obrigando boa defesa de Martín Silva. E a entrada de Andrés Rios não ajudou, com Zé Ricardo desprotegendo a cabeça de área ao tirar Desábato. Os cruzmaltinos até poderiam ter aberto o placar, em cruzamento de Yago Pikachu que Rildo cabeceou para grande defesa de Johnny Herrera. Contudo, dois minutos depois, os Azules puniram os cariocas.

Aos 31, após cobrança de lateral, Araos ganhou de Paulão no corpo e chutou rasteiro. A bola passou por baixo de Martín Silva, que falhou desta vez. Ótimo lance do ponta de 21 anos, recém-comprado junto ao Antofagasta, que vinha causando um salseiro na zaga cruzmaltina. Desencontrado, o Vasco tentou partir para cima nos minutos finais, mas pouco conseguiu. A falta de controle se tornou ainda mais evidente. As chances acabaram limitadas a cruzamentos a esmo, sem que ninguém arrematasse. Alguns jogadores que não foram bem, como Evander e Paulão, saíram vaiados. Além disso, a torcida vascaína, que fez uma belíssima festa a partir do primeiro tempo, terminou na bronca. E com razão. O tropeço traz muitas cobranças para a sequência do time na Libertadores.

Nas próximas duas rodadas do Grupo 5, o Vasco joga fora de casa. Visitará o Cruzeiro no Mineirão e o Racing no Cilindro. Missão duríssima, que pode gerar seu preço até a volta a São Januário. Além disso, o reencontro com La U fica apenas para a última rodada, na viagem ao Chile. O tal “grupo da morte” mal começou, mas se torna um tanto quanto sufocante aos cruzmaltinos.