Em meio ao caos que se instaurou no Estádio Rommel Fernández, durante o fim do jogo que definiu a classificação inédita do Panamá à Copa do Mundo, uma cena bastante bizarra aconteceu no centro do gramado. E eu não estou falando do gol fantasma que garantiu o empate ou do reserva isolando a bola antes da cobrança de um lateral. O mais surreal foi protagonizado por uma velhinha, que invadiu o campo e fingiu não um, nem dois, mas três desmaios para gastar o tempo. Quando o meio-campista Gabriel Gómez tentava acudi-la, ela falou: “Não me pare aqui! Vá ao Mundial, carajo!”. Só os policiais deram jeito na situação. E, no fim das contas, de três minutos de acréscimos, os dois times não jogaram nem um. “La Tía” ou “La Doña”, como ficou conhecida a idosa, se tornou ícone nacional.

VEJA TAMBÉM: A noite de êxtase do Panamá, rumo à primeira Copa, completa a caminhada que durou uma década

A senhora se chama Elida Morales de Mitchell e, embora sua invasão pudesse render detenção ou multa, ela acabou perdoada. Mais do que isso, ainda em campo, deu entrevistas a diferentes veículos de imprensa e recebeu os cumprimentos até mesmo de Juan Carlos Varela, presidente do Panamá. Segundo a idosa, inclusive o árbitro “parabenizou sua valentia”. Sua intenção era evitar que a Costa Rica marcasse mais um gol e deixasse os panamenhos de fora da Copa. Traumatizada há quatro anos, ela estava nas arquibancadas do Rommel Fernández em outubro de 2013, quando o Panamá tomou dois gols dos Estados Unidos nos acréscimos e acabou de fora do Mundial de 2014, sem conseguir nem mesmo superar o México pela vaga na repescagem.

Os dias seguintes de Doña Elida foram bem movimentados. Passou a ser cortejada por torcedores e pela mídia local. Recebeu dezenas de mensagens. Virou até mesmo uma versão extraoficial das figurinhas da Panini. E a melhor notícia à idosa ficou para esta semana, graças à RPC TV, uma das principais redes de televisão do Panamá. “La Tía” vai para a Copa do Mundo, com passagens garantidas para a Rússia e ingressos aos jogos dos panamenhos. Uma loucura que acabou premiada. Apesar de todos os pesares, já uma personagem eterna do folclore dos Mundiais.