O Brasil representa o maior contingente de estrangeiros no Campeonato Chinês. Neste momento, o país possui 18 jogadores figurando nos clubes que irão disputar a primeira divisão em 2018. Outras nacionalidades sul-americanas aparecem entre as preferências dos chineses, especialmente argentinos e colombianos. No entanto, vale notar também a penetração que os africanos possuem na liga local. Quinze atletas, representando nove nações diferentes do continente, figuram na liga. E nesta semana, o Beijing Guoan pagou €74 milhões para contar com Cédric Bakambu, centroavante congolês.

O valor astronômico não irá todo ao Villarreal, que comprou o artilheiro por €7,5 milhões há dois anos e meio. O Submarino Amarelo receberá o equivalente à cláusula de rescisão do contrato de Bakambu, estipulada em €40 milhões. Os €34 milhões restantes são de impostos, relativos à nova taxa obrigatória determinada pelo governo chinês, que cobra uma contrapartida de quase 100% nas negociações acima dos €6 milhões. O dinheiro recebido pelo estado será redirecionado para os programas de desenvolvimento de jovens jogadores locais.

De sucesso notável em seu primeiro ano no Villarreal, especialmente pelo desempenho na Liga Europa, Bakambu caiu de rendimento na temporada passada, mas vinha conseguindo se recuperar em 2017/18. Marcou 14 gols em 21 partidas e formou uma dupla de ataque potente com Carlos Bacca. Ainda assim, o valor desembolsado pelo Beijing Guoan soa como surreal, diante daquilo que o congolês realmente representa – segundo o site Transfermarkt, ele está avaliado em €25 milhões. E mesmo que tivesse mercado em outras grandes ligas, dá para entender a escolha do centroavante de 26 anos. Afinal, ele deverá receber €18 milhões anuais de salário.

Bakambu, além do mais, amplia a fila de africanos no Campeonato Chinês. Uma tendência dos clubes do país ao longo dos últimos anos, em seus negócios com estrangeiros, é buscar opções para os setores ofensivos. Em conjunto, os chineses costumam priorizar atletas com potência física. É o que se nota mesmo entre muitos dos brasileiros escolhidos. E que se torna mais evidente com os africanos. Entre os jogadores fortes ou velozes, há diversos nomes que conseguiram seu papel de destaque em clubes médios da Europa: Odion Ighalo, Gervinho, Stéphane Mbia, Benjamin Moukandjo, Papiss Cissé, John Obi Mikel, Obafemi Martins. Bakambu não foge da regra, embora tenha nascido na França, adotando a nacionalidade de seus pais ao defender a seleção principal da República Democrática do Congo.

Se há uma abertura maior de sul-americanos e africanos nas negociações com os clubes chineses, é difícil cravar, embora as vagas de estrangeiros sejam dominadas por ambos os continentes. E entre as possibilidades factíveis para um centroavante que aceitasse seguir a uma liga de menor prestígio, Bakambu parece entre as melhores. O valor pago, de fato, é exagerado, mas não há dúvidas que o Beijing Guoan amplia suas perspectivas em busca das primeiras colocações do Campeonato Chinês. Ao lado de Renato Augusto e Jonathan Soriano, o congolês adiciona competitividade ao time.