Ver Oscar jogar torna a transferência de Juan Mata para o Manchester United mais justificável. Pode ter sido difícil para os torcedores do Chelsea ver seu melhor jogador nas duas últimas temporadas reforçar um rival, mas o que o brasileiro vem fazendo pelos Blues torna compreensível a linha de raciocínio de José Mourinho ao liberá-lo sem resistência. Neste domingo, mais uma vez, o camisa 11 foi destaque dos londrinos, com uma ótima atuação e um golaço de falta que deu a classificação ao Chelsea na Copa da Inglaterra.

Desde a chegada de José Mourinho no começo da temporada, ficou claro que o português tinha muita estima por Oscar. Apesar de revezar bastante seu trio de armadores nos primeiros meses, o “Special One” vivia rasgando seda publicamente para o brasileiro. E o divisor de águas para que Mourinho sentisse que poderia contar com o camisa 11 para ser o protagonista na armação de jogadas veio na partida que abriu o ano de 2014 dos Blues.

Contra o Southampton, o Chelsea tinha feito um primeiro tempo sem criatividade, com Juan Mata, André Schürrle e Eden Hazard formando o tridente de meias ofensivos. O português não esperou muito e, com menos de dez minutos jogados da etapa complementar, sacou Mata e Schürrle para promover a entrada de Oscar e Willian. Nos menos de 45 minutos que teve em campo, o ex-jogador do Internacional mudou a história do jogo, dando dinâmica aos ataques contundentes do time, fazendo um gol e dando uma assistência para o outro brasileiro marcar. Foi a partir dali que os londrinos deixaram de fazer rotação entre os titulares do meio e tiveram Hazard, Willian e Oscar fixados como prioridades. E foi a partir dali que o time começou a crescer de qualidade em um ritmo singular na temporada.

Oscar em 2013/14: Premier League: 15 jogos – 6 gols – 2 assistências
Liga dos Campeões: 6 jogos – 1 gol – 3 assistências
Copa da Inglaterra: 2 jogos – 2 gols

O jogador mais efetivo do Chelsea na temporada segue sendo Hazard, mas suas características são diferentes das do brasileiro, que se assemelham mais as de Mata. Ver Oscar desempenhar tão bem as funções de criatividade da equipe, aliado ao descontentamento evidente do espanhol com o banco de reservas, deve ter sido o sinal verde para Mourinho de que era a hora de abrir as portas para a saída do antigo camisa 10. Sem falar na importância tática que Oscar tem tido para o time desde agosto. Como destacamos ainda no começo da temporada, Mourinho, já em seus primeiros jogos neste retorno ao Stamford Bridge, deslocou Mata para a ponta esquerda, centralizando o camisa 11, que voltava para buscar a bola, liberando as subidas de Ramires e Frank Lampard, e ainda caia pelos lados para propiciar as descidas em diagonal de Hazard e do próprio espanhol. A maneira como deu conta de todas essas funções com tanta qualidade deve ter dado mais certeza ao português de sua decisão.

É essencial também lembrar que essa é apenas a segunda temporada de Oscar no futebol inglês e que tem apenas 22 anos. Seu potencial de crescimento é muito grande, enquanto Mata já havia alcançado seu provável ápice – no máximo seria um pouco melhor do que foi nas últimas duas temporadas. O brasileiro, por outro lado, tem capacidade de, em alguns anos – não muitos – superar o melhor que o espanhol apresentou em sua melhor fase. Que Mata é um grande jogador e irá adicionar qualidade como poucos poderiam ao Manchester United, não há dúvidas. Mas Oscar não deixará a torcida do Chelsea sentir muito a falta do espanhol.

Veja o golaço de Oscar que garantiu a vitória sobre o Stoke City: