“Não é sobre hoje, sobre Jurgen Klinsmann ou Bruce Arena. Como um todo, a US Soccer não está preparada. Eles não fizeram um trabalho bom o suficiente para fazer esse grupo pronto para jogar”, disse Taylor Twellman, ex-jogador dos Estados Unidos e atualmente comentarista da ESPN.

E é verdade, ele está certo. A ausência dos Estados Unidos da próxima Copa do Mundo começou a ser desenhada aqui no Brasil, especificamente na Arena Fonte Nova, quando foi eliminada pela Bélgica com um show de Tim Howard, mas jogando de forma covarde. Ali, imprensa e até mesmo jogadores começaram a questionar o trabalho de Jurgen Klinsmann. Os dirigentes da US Soccer, porém, o bancaram de forma contundente. Este foi o primeiro erro.

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O ciclo da seleção americana entre as Copas pode ser perfeitamente descrito como fraco, muito fraco. Em 2015, foi apenas o quarto colocado na Copa Ouro, depois de ser eliminado pela Jamaica na semifinal.

Em 2017, foi campeão, é verdade, mas aos trancos e barrancos, sem empolgar muito. Na Copa América Centenário, ficou na quarta posição, depois de perder para a Argentina na semifinal, mas não deixou boa impressão.

As convocações polêmicas de Klinsmann não ajudam. Suas declarações, muito menos. O treinador chegou a dizer que não convocaria jogadores da MLS porque considerava a competição de baixo nível, mas acabou cedendo quando viu que chamar atletas da segunda divisão da Alemanha ou de divisões menores da Inglaterra não seria a solução para os seus problemas.

Em campo, as escalações também não convenciam, com esquemas estranhos e jogadores fora de posição. A maior reclamação era com a falta de combatividade no meio de campo, principalmente de Michael Bradley, um dos líderes.

Na Copa de 2014, os americanos até deixaram boa impressão ao passarem pelo complicado grupo que tinham pela frente, eliminando Gana e Portugal, mas o jogo das oitavas de final contra a Bélgica foi terrível. Acuado no próprio campo, pouco ameaçou no ataque, contou com um show de Tim Howard e deu sorte ao perder apenas por 2 a 1. Nas Eliminatórias para 2018, a pobreza do futebol continuou.

Quando estreou nas Eliminatórias, os EUA passaram no sufoco em um grupo que tinha Guatemala e Trinidad & Tobago, curiosamente a seleção algoz dos americanos na fase seguinte. O trabalho de Klinsmann começou a ser cada vez mais questionado e ele foi perdendo força, inclusive dos dirigentes que o bancavam sem hesitar.

A queda do técnico alemão se deu após as duas primeiras partidas do Hexagonal que definia os classificados para a Copa da Rússia, quando o time perdeu de forma incontestável para o México, em casa, e foi goleado pela Costa Rica.

Velho conhecido, Bruce Arena saiu do LA Galaxy para assumir a seleção. Nos quatro primeiros jogos, duas vitórias em casa e dois empates como visitante. Nada mal, ainda que os americanos continuassem atuando muito abaixo do esperado.

A derrota para a Costa Rica, em casa, e o empate com Honduras no suor, com gol aos 40 do segundo tempo, acendeu novamente a luz amarela para a US Soccer. Nada disso, no entanto, parece ter adiantado porque os mesmos erros de antes se repetiram na noite desta terça-feira contra Trinidad & Tobago.

Enquanto a MLS continua recebendo dinheiro e bons jogadores, a seleção americana não se prepara de forma decente. A liga não pode ser culpada pelo fracasso, até porque muitos jogadores que lá atuam estarão na Copa do Mundo por México, Costa Rica e Panamá, por exemplo.

O problema é a falta de investimento em jovens atletas. Quando sai um Pulisic, todos agradecem nos Estados Unidos, mesmo sem lembrar que ele foi formado no Borussia Dortmund. No país existem bons atletas jovens, mas eles ainda não despontaram, ficam escondidos no banco de reserva e pouco ganham destaque.

Isso explica o fato de os Estados Unidos terem ficado fora de três das últimas quatro Olimpíadas e de ter um enorme buraco de idade na seleção americana, com jogadores muito experientes e outros que acabaram de atingir a maioridade. Em Copas sub-20 e sub-17, o desempenho não é dos mais animadores também, sempre com futebol muito fraco e abaixo dos concorrentes.

Para os Estados Unidos, fica a vergonha de estar fora da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1986. Mudanças precisam ser feitas na US Soccer, com urgência, para que os erros não se repitam no próximo ciclo. Ver a Copa do Mundo de 2018 pela televisão pode ser um aprendizado e tanto para os americanos. Resta saber se eles vão conseguir absorver o duro golpe.

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