O México quase não se classificou à Copa do Mundo. E ainda bem que tragédia maior não aconteceu. Porque os mexicanos fizeram jus ao esforço de vir ao Brasil, dentro e fora de campo. Tiveram uma das torcidas mais fanáticas, capaz até mesmo de competir com os brasileiros. Apesar de todos os prognósticos pessimistas pela falta de um bom futebol às vésperas do Mundial, El Tri foi uma das seleções que mais surpreendeu no torneio. A eliminação para a Holanda foi dolorosa. No entanto, a evolução da equipe foi notável. Méritos totais de Miguel Herrera, um dos maiores personagens desta Copa.

Holanda 2×1 México: Oranje pune recuo mexicano com virada dramática no final

Miguel Herrera assumiu uma seleção na qual haviam passado outros três técnicos desde o início de 2013. Era um comandante qualificado, sobretudo pelo bom trabalho à frente do América. Mas que também conhecia muito o ambiente e o peso da camisa na equipe nacional. Como jogador, El Piojo disputou a Copa do Mundo de 1994. E tinha o caráter motivador para levantar o moral do time às vésperas da repescagem contra a Nova Zelândia, que definiria a classificação ao Brasil.

O técnico fechou um pacto com os atletas que atuavam no país e atropelou os neozelandeses. Era a medida emergencial para afastar os problemas de relacionamento que tanto atrapalhavam o México. Depois disso, porém, reabriu as portas da seleção. Não entrou em acordo com Carlos Vela, o melhor jogador do país na atualidade. Mas conseguiu montar uma equipe eficiente, bem montada pelo seu jogo incisivo pelos lados do campo. Foi muito além das expectativas na Copa.

Miguel Herrera comemora o gol contra a Holanda

Miguel Herrera comemora o gol contra a Holanda

O México passou por cima de Camarões, como tinha que ser. Segurou o Brasil graças à atuação fantástica de Guillermo Ochoa, mas também foi superior taticamente. Engoliu a Croácia e por muito pouco não ficou com a primeira colocação da chave. Teria que encarar a Holanda. E jogou melhor que os europeus durante a maior parte do tempo. Pressionou, fez por merecer a vantagem no placar. Mas se recuou cedo demais, deu campo para a Oranje. Tempo suficiente para que os craques laranjas resolvessem e virassem o placar nos acréscimos.

A forma como o México se portou no final do jogo pode ter sido um erro de Miguel Herrera. Muito menor do que tudo que ele proporcionou à seleção. A forma carinhosa que aparecia lidando com a torcida e com os jogadores foi um diferencial, especialmente nas redes sociais. A vibração à beira de campo, também. Certamente um motivador a mais. Para fazer El Tri se despedir da Copa de cabeça erguida, mesmo parando outra vez nas oitavas de final, como nos últimos cinco Mundiais.

A queda do México é uma perda para a Copa em alguns sentidos. Em especial, por Miguel Herrera não estar mais à beira do gramado. Todas as comemorações de gol do treinador eram um grande momento. Mas, ao menos pelo trabalho que desenvolveu até aqui, o comandante se credencia para permanecer à frente da seleção por muito tempo. El Piojo é um técnico que se inflama, entra em combustão facilmente com o futebol. E fez com que os mexicanos pegassem fogo como ele.