Vadim Vasilyev se tornou um dos executivos mais respeitados do futebol europeu. Vice-presidente do Monaco, o braço direito de Dimitri Rybolovlev comanda as ações dos alvirrubros no mercado de transferências. Fez muitas apostas acertadas nos últimos anos, levando os monegascos ao título da Ligue 1 e às semifinais da Liga dos Campeões, como também criando uma máquina de gerar dinheiro através da venda de jogadores. É o que faz o ciclo se manter no Louis II, com as negociações gerando caixa para manter o elenco e permitir novas contratações abaixo do radar, investindo em atletas que podem se desenvolver no principado.

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O modelo do Monaco vinha proporcionando uma equipe competitiva desde a chegada de Rybolovlev, magnata russo que desembarcou prometendo mundos ao clube, mas precisou frear suas pretensões após uma separação que custou parte de sua fortuna. O acaso, porém, fez os alvirrubros escolherem outro caminho para cumprirem suas ambições. E podem ser considerados até mais bem-sucedidos nesta nova empreitada. Nesta segunda, Vasilyev deu uma boa entrevista ao jornal inglês Telegraph. O ex-diplomata, que se tornou executivo das companhias de Rybolovlev antes de ser deslocado ao Monaco, ofereceu uma excelente noção sobre a visão do clube e o projeto para tentar manter a competitividade.

“Nós entendemos que somos basicamente um clube vendedor, e aceitamos isso. Geramos €360 milhões na última janela de transferências e poderia ter sido mais, algo próximo a meio bilhão”, declarou o dirigente. “Jogadores como Thierry Henry, David Trezeguet e Lilian Thuram saíram de nossas categorias de base, então o que aconteceu com Mbappé reconfirma o nosso status”.

“Não é algo sobre fazer muito dinheiro. Nós queremos ser bem-sucedidos, e isso é apenas uma consequência do sucesso. A diferença é que nós temos fontes de renda muito limitadas, se nos compararmos com clubes da Premier League. Eu quero dizer que o Arsenal gera nas bilheterias em um jogo o que levamos a temporada inteira. Os times na zona de rebaixamento da Premier League fazem quase três vezes mais do que nós fizemos como campeões da Ligue 1. E nós queremos ser competitivos nas copas europeias, o que conseguimos, então precisamos ser diferentes – e isso significa que precisamos ter sucesso no mercado de transferências”, complementou Vasilyev.

Analisando a situação do Monaco, Vasilyev reconhece que a postura do clube no mercado de transferências serve de atrativo a outros talentos: “É verdade que eu gostaria de manter o elenco campeão. É uma sensação agridoce. Não é apenas sobre recordes em transferências, mas ao mesmo tempo eu sei que deixar os jogadores saírem é parte do nosso modelo. Isso permite que outros jogadores escolham o Monaco, sabendo que poderão se juntar a nós para uma transferência futura. Não é o dinheiro, mas porque eles sabem que este é o clube perfeito para, se eles forem bem, conseguirem jogar em uma equipe de primeira grandeza. Tielemans ou Keita Baldé poderiam ter escolhido clubes maiores neste verão, mas eles sabem do nosso propósito”.

Sobre Kylian Mbappé, o vice-presidente reafirmou que não era a intenção do Monaco vender seu prodígio, mas a situação se tornou incontornável no momento em que a proposta do Paris Saint-Germain chegou à sua mesa. E demonstrou compreensão sobre a escolha do garoto.

“Nós sabíamos do interesse, mas eu provavelmente subestimei isso. Quando soubemos que o acordo com Mbappé estava muito próximo, nós aceleramos com Keita Baldé, mas não foi fácil. O preço de Mbappé era fixo. Ele era fixo porque todo mundo pensava que não era possível. Realmente não queríamos que ele partisse. Sabíamos que havia algo extra nele, de extraordinário. O garoto queria sair. É um grande projeto, tenho que admitir isso, e é um clube que deseja conquistar a Champions, jogar ao lado de Neymar torna isso ainda mais atrativo para ele”, apontou.

“Outros clubes estavam realmente rondando Mbappé, falando com a gente, mas o único outro a tornar isso público foi o Real Madrid. Eu, pessoalmente, não o via em Paris, mas ouvi todos os seus argumentos e tentei entender seus sentimentos. Ele nasceu em Paris, veio de Paris e achava que era muito cedo para deixar a França. Decidimos que, se as condições estivessem no mesmo nível da outra oferta que recebemos, tudo bem, nós o deixaríamos ir. Como o empréstimo por um ano com opção de compra não quebrava qualquer regra, aceitamos. Mas foi difícil. Ele é realmente incrível. Estou certo que ele conquistará a Bola de Ouro no futuro”, finalizou.

Por fim, Vasilyev também se posicionou favoravelmente à antecipação da janela de transferências, para que o fechamento aconteça antes do pontapé inicial nas ligas nacionais: “Nós nos preocupamos com o esporte. Se adiantarmos a janela, podemos parar as negociações durante o início das ligas. Vocês viram todo o estresse com Coutinho e o que passamos com Mbappé, Lemar, Fabinho. Não tem nada a ver com uma competição esportiva justa. A Premier League tomou sua decisão, mas isso precisa acontecer ao redor do mercado, com a Fifa se posicionando. Falando com meus colegas em diferentes ligas, isso é um consenso. Saiu do controle, virou loucura”.