Até que as coisas seguiam o rumo normal no Estádio Monumental David Arellano. O Chile tentava pressionar, mantendo a posse de bola, enquanto o Paraguai buscava se segurar baseado numa forte postura defensiva. Então, Arturo Vidal cometeu uma infelicidade dentro de campo. E ela abriu o caminho de uma derrota muito prejudicial aos chilenos, a estas alturas das Eliminatórias para Copa de 2018 – logo, também iniciou uma vitória que reacende as esperanças da Albirroja voltar a um Mundial, após a ausência em 2014. Triunfo marcante dos guaranis por 3 a 0, como poucos poderiam esperar que acontecesse em Santiago.

Foi um erro até clássico. Aos 24 minutos do primeiro tempo, Vidal cumpriu o desastre típico num gol contra de cabeça: o meio-campista chileno viu a bola cobrada por Óscar Romero vindo para a área de defesa, tentou tirar de cabeça e… mandou no ângulo, sem chances para Claudio Bravo tentar consertar o erro. Inevitável (e imperdoável) usar o clichê: um golaço… contra.

A partir de tal adversidade, viu-se como a Roja não possui muitas alternativas coletivas sob o comando de Juan Antonio Pizzi. Tocava, tocava, tocava… e era insuficiente para entrar na fechada defesa paraguaia. Só restavam os chutes de fora da área. Como aos 41 minutos, ainda na etapa inicial, quando Eduardo Vargas arriscou, para o goleiro Anthony Silva rebater o chute de longe.

A pressão seguiu no início do segundo tempo. Mas os cruzamentos para a área eram infrutíferos, facilmente detidos pelo seguro Anthony Silva – como aos cinco minutos, quando Mauricio Isla mandou a bola para a área, mas no chão, fácil para o camisa 12 defender. Mais perigosos ainda eram os chutes de fora: aos oito minutos, Vargas tentou de novo, e a bola só saiu por desvios em Óscar Romero.

Contudo, se atacava, o Chile abria espaços. Algo muito bem vindo para uma equipe concentrada e determinada a ganhar nos contragolpes, como o técnico Francisco “Chiqui” Arce pensava para o time paraguaio. Aos 10 minutos, veio a chance esperada. E o Paraguai aproveitou: em disputa com Marcelo Díaz, Junior Alonso conseguiu ganhar, e a bola voou à feição para Victor Cáceres dominar e chutar cruzado para o 2 a 0 da Albirroja.

Imediatamente depois do segundo gol visitante, Jorge Valdívia entrou em campo. E aí, o Chile pressionou com mais velocidade. Envolveu mais a defesa, na medida do possível – e até marcou gol, anulado por impedimento (justo), aos 26 minutos. Mas o Paraguai seguia concentrado. Já decidira que os três pontos não escapariam. E essa decisão virou certeza nos acréscimos, quando Óscar Romero – o melhor do jogo: firme na marcação, voluntarioso no apoio – lançou Richard Ortiz em rápido contra-ataque, numa jogada semelhante à do 2 a 0, para dela vir o 3 a 0 que alegrou todos os jogadores paraguaios.

Alegria justa. Afinal de contas, de time desanimado, o Paraguai foi a 21 pontos, retornando de vez à disputa pelo quinto lugar que leva à repescagem. E provando que, enquanto tiver chance, segue na disputa. Ao Chile, por sua vez, só resta o consolo do empate entre Argentina e Uruguai. Somando 23 pontos, resta esperar que o azar não o prejudique, como o fez a partir do gol contra de Vidal.