David Trezeguet não era o mais técnico, o mais rápido, o mais habilidoso. E não precisou disso para se tornar um dos centroavantes mais letais de sua época. O bom posicionamento era o ponto de partida para fazer estrago. O francês combinava uma presença de área imensa com a capacidade de decidir em poucos toques na bola. Assim, marcou mais de três centenas de gols na carreira. Assim, conquistou torcidas. Assim, ergueu alguns dos títulos mais importantes do futebol internacional. Na Juventus e na seleção francesa, sobretudo, será lembrado como um dos maiores artilheiros da história, além de ter deixado a sua marca no Monaco e no River Plate. Completa 40 anos neste domingo como um dos atacantes mais icônicos da virada do século.

Nascido na França, quando seu pai – o defensor argentino Jorge Trezeguet – atuava pelo Rouen, Trezeguet cresceu na Argentina. Fez toda a sua formação nas categorias de base com a camisa do Platense, até ganhar uma oportunidade no Monaco em 1995, aos 17 anos. Logo os monegascos perceberiam a pérola que tinham em mãos. E que, de certa maneira, também beneficiaria a seleção francesa. O prodígio despontou nas equipes menores dos Bleus, optando por defender o seu país-natal. Uma escolha que permitiria ao jovem se tornar campeão do mundo. Formando uma dupla fantástica com Thierry Henry no Louis II, o centroavante precisaria de apenas uma temporada em alto nível para ser convocado ao Mundial de 1998, participando como reserva.

O grande momento de Trezeguet com a França, todavia, viria em 2000. Campeão nacional com o Monaco, o camisa 20 ainda permanecia no banco de reservas durante a maioria dos jogos da seleção. Conquistou o seu espaço definitivo justamente graças ao gol mais importante de sua carreira: o de ouro na decisão da Eurocopa, garantindo a vitória por 2 a 1 sobre a Itália na prorrogação. E as vítimas daquela final em Roterdã seriam justamente os novos fãs do artilheiro, transferindo-se à Juventus logo depois da competição.

O respeito construído por Trezeguet em Turim é inegável. O centroavante embalou temporadas históricas da Velha Senhora, conquistando quatro Scudetti em suas primeiras seis temporadas, embora os dois últimos tenham sido revogados pelo Calciopoli. Empilhava gols na Serie A, enquanto também levou os juventinos a uma final de Champions, perdida dolorosamente nos pênaltis contra o Milan. O francês desperdiçou a primeira cobrança. Os pênaltis, aliás, marcariam as duas grandes frustrações da carreira de Trezeguet. Em 2006, ele viveria a história reversa contra a Itália. Sem fazer uma grande Copa do Mundo, erraria justamente o chute que permitiu o tetra dos azzurri na final.

Neste momento, a carreira de Trezeguet começava a se encaminhar para o final. Ele permaneceu na Juventus após o rebaixamento à Serie B, fundamental para a conquista do acesso. E faria mais uma temporada em alto nível na elite italiana, até que os problemas físicos minassem a sua sequência de jogos. Passaria pelo Hércules e pelo Baniyas, até retornar à Argentina para mais um resgate. Chegou ao River Plate, seu clube de infância. Foi um dos líderes na campanha que recolocou os Millonarios na primeira divisão, após a traumática queda à segundona. Fundamental na reta final do campeonato, considerou o gol que garantiu o acesso como o mais importante de sua carreira – “não apenas porque deu o acesso, mas porque também sou torcedor, tem sentido dobrado”. O último capítulo apaixonado de um centroavante que jogava com muito coração. Ao final, ainda teria passagens pelo Newell’s Old Boys e Pune City, até pendurar as chuteiras em 2014.

Para celebrar a data, a única homenagem possível a Trezeguet: os gols, que tanto marcaram sua carreira. Abaixo, um vídeo exibindo alguns dos principais. Confira: