Faryd Mondragón era apenas um jovem goleiro em 18 de junho de 1994. Novato de 22 anos, mas bom o suficiente para representar seu país em uma Copa do Mundo. Fazia sucesso pelo Argentinos Juniors e vestia a camisa 12, reserva de Óscar Córdoba – que, por sua vez, ganhou a posição depois que Higuita foi preso por envolvimento com o tráfico de drogas. Sob o sol forte de Pasadena, viu o sonho de toda a Colômbia começar a ruir. O time que encantara nas Eliminatórias, goleando a Argentina em Buenos Aires meses antes, sofreu o seu primeiro baque. Naquela tarde, os cafeteros perderam para a Romênia de Raducioiu e Hagi por 3 a 1.  Desastre que se consumaria com a derrota para os EUA e a morte de Andrés Escobar.

Colômbia 3×0 Grécia: Cafeteros venceram ao ritmo do Armeration

Quase vinte anos depois, Mondragón estava novamente no banco. O sol em Belo Horizonte não era tão forte quanto o da Califórnia, mas o calor conseguia superar aquele de 1994 graças à torcida colombiana, que apareceu em peso no Mineirão e fez um barulho imenso – com direito até a hino à capela. Nas costas, o veterano de 42 anos vestia desta vez a camisa 22. Novo número, assim como o 10 era James Rodríguez, e não Valderrama. Ou a 1 era honrada por Ospina, tão bom e tão promissor quanto Córdoba duas décadas antes. Ao menos, a Grécia não era uma adversária tão perigosa quanto aquela Romênia.

Mondragón se tornou o primeiro jogador da história a disputar duas Copas em um intervalo de 20 anos. Quando era garoto de 22 anos, viveu a desilusão de ver a chamada “geração mais talentosa da Colômbia” fracassar quando mais se esperava dela. Em 1998, teve a chance de ser titular e jogou muito, mas a envelhecida equipe não passou da primeira fase novamente. Hoje, possui experiência suficiente para transmitir aos seus pupilos, aqueles que também apontam como os melhores desde a queda no Mundial dos Estados Unidos. Desta vez, para assistir um início diferente.

Em 1994, Valderrama foi para o sacrifício, com uma lesão recente no joelho, e não jogou bem. Em 2014, Falcao García foi cortado para não viver filme parecido. O maestro que herdou a função de El Pibe e assumiu a responsabilidade por El Tigre foi James Rodríguez. E Mondragón certamente gostou do que viu. O armador participou bastante do jogo, movimentou-se incessantemente, arriscou bastante a gol. No final, marcou o gol que fechou a vitória por 3 a 0 sobre a Grécia. Ao lado de Juan Guillermo Cuadrado e Pablo Armero, fez a turma de Asprilla e Rincón ficar apenas no passado, mesmo que por um momento.

Ao apito final, Mondragón apareceu comemorando no banco de reservas. Foi abraçar os garotos de quem é tutor, saudar a torcida que o acompanhou por tanto tempo. Não quer viver uma tragédia como a de 1994 – que, de qualquer forma, o ajudou muito a crescer. Assim como o goleiro, a seleção colombiana atual parece mais madura e mais calejada para alcançar seu objetivo. O Grupo C é equilibrado e não tão simples quanto possa sugerir. Entretanto, os cafeteiros já demonstraram que tem cancha para passarem ao menos às oitavas de final. Mondragón merece ter esse gostinho na última aventura de sua carreira.