Emoções, lindos gols, ótimos times, craques consagrados, jogos inesquecíveis, confraternizações e festas. A lista de lados positivos da Copa do Mundo é imensa, mas, acredite se quiser, o torneio também provoca reações lamentáveis das pessoas. Uma delas, identificada em uma pesquisa da Universidade de Lancaster, conduzida pelo criminologista e ex-policial Stuart Kirby, é a violência doméstica. As mulheres apanham mais dos homens durante o Mundial.

LEIA MAIS: Mulheres ainda enfrentam machismo velado no futebol

O ambiente do futebol, no geral, é um ambiente altamente machista. Para destacar apenas um de muitos casos, houve o apedrejamento seletivo da auxiliar Fernanda Colombo. E na Copa do Mundo, tudo é exacerbado, tanto a emoção, quanto a violência, segundo os dados coletados por Kirby, ao redor da Inglaterra e do País de Gales, nas competições de 2002, 2006 e 2010. Registrou um aumento de 38% em casos de violência doméstica quando a seleção inglesa foi eliminada. Mesmo quando ela venceu, a covardia masculina cresceu 26%. “Embora seja difícil dizer que o torneio é um fator casual, certamente concentra fatores de risco em um período pequeno e volátil. Intensifica, assim, conceitos de masculinidade, rivalidade e agressão”, explica o especialista.

O problema estende-se a outros países. Na Costa Rica, houve 150 casos a mais, em média, na primeira partida seleção nacional na Copa de 2014, contra a Itália. Nas oitavas de final, diante da Grécia, foram 20 ligações por hora com denúncias de violência doméstica. O Inamu (Instituto Nacional de Mulheres), fonte dessas informações, relacionou o fenômeno ao excesso de álcool dos homens.

Com esses dados em mãos, a ONG Tender Education and Arts Organization publicou um vídeo, no qual uma mulher torce desesperadamente pela Inglaterra. Ao constatar a derrota, fica aterrorizada. Não porque o sonho do bicampeonato mundial, mais uma vez, esvaiu-se. Mas porque previu a humilhação e a dor que estavam por vir quando se encontrasse com seu parceiro.

Você talvez já o tenho visto a essa altura. Mas a ONG pede que o vídeo seja compartilhado para ajudar com a conscientização de um problema tão sério e faremos nossa parte. Se não viu, vale ver e mostrar aos seus amigos. “O clima está ficando mais quente, mais bebidas são consumidas e as moções estão à flor da pele, mas nenhuma dessas coisas é desculpa para a violência. Pedimos que todos se unam durante a Copa do Mundo para dizer: ‘Não há desculpas’.”, escreveu a ONG.

Não. Não há desculpas.

Você também pode se interessar por:

>>>> Helena Costa será a primeira técnica de um time profissional na França

>>>> Preconceito é errado em todo lugar, inclusive no futebol

>>>> Alemanha e o pioneirismo na luta contra a homofobia no futebol

>>>> Por que bicha é xingamento?


Deixe uma resposta