Os rastros da violência no futebol argentino são evidentes. Episódios e mais episódios de intolerância dos barras, de coerção a jogadores e de arquibancadas limitadas a apenas uma torcida. O descontrole é evidente, em uma relação promíscua com o poder público e a polícia. Uma situação que se degrada cada vez mais e que registrou mais um episódio lamentável neste domingo, na última rodada da segunda divisão do Campeonato Argentino. Almirante Brown e Huracán faziam partida decisiva tanto para o rebaixamento quanto para o acesso. No entanto, o resultado acabou encoberto pela ignorância dos torcedores do time da casa.

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O Huracán arrancou conquistou uma vitória heroica dentro do Estádio Fragata Presidente Sarmiento, que lhe deu o direito de disputar o acesso à elite contra o Independiente, em um jogo-extra. Porém, o direito de celebrar a conquista foi usurpado. Ao mesmo tempo em que o Globo alcançava o feito, o Almirante Brown consumava seu rebaixamento. O campo acabou invadido pelos barras, que começaram a arrancar o uniforme de seus jogadores, “indignos de vestirem aquelas cores”.

A polícia entrou em ação e também abusou da violência para tentar conter os agressores. Não conseguiu impedir, no entanto, que jogadores e membros da comissão técnica do Huracán também apanhassem e recebessem ameaças antes de finalmente fugirem para os vestiários. Cenas de terror mostradas apenas parcialmente pela TV argentina, em transmissão gerida pelo Estado, que naturalmente opta por não expor os graves problemas do futebol local em rede nacional. Problemas estes que as autoridades não têm capacidade para combater.

O que é possível esperar depois desse episódio? Talvez algumas medidas paliativas, que não combatam em nada a questão e acabem prejudicando também o restante dos torcedores – o que já é de praxe no país. Ações mais incisivas contra os criminosos que comandam as barras, apenas o mínimo possível. O suficiente para que o jogo de interesses por trás dessas relações obscuras não seja prejudicado. Quem perde, sempre, é o futebol argentino.

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