Em 31 de agosto de 2005, Sergio Ramos trocou o Sevilla pelo Real Madrid. Este domingo, que marca o aniversário de nove anos do jogador no clube pelo qual entrou na história, deveria ser de comemoração – e foi até mais ou menos o final do primeiro tempo. Mas o zagueiro e todos os seus companheiros de defesa não conseguiriam sequer encontrar o caminho de casa neste domingo e foram engolidos pela Real Sociedad, que venceu a segunda rodada do Campeonato Espanhol, por 4 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0, e deixou claro que o adversário perdeu um pouco do rumo.

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Ramos pintou como o protagonista da tarde quando abriu o placar, de cabeça, aos 5 minutos. Pouco depois, acertou o travessão cobrando falta e foi responsável por um corte heroico, ao colocar o seu corpo na frente entre um míssil da Real Sociedad e a meta de Casillas. Era o melhor em campo. Mesmo o golaço de Gareth Bale, com direito a rolinho em Gorka Urkola, não havia ofuscado a apresentação do camisa 4 madrileno.

Os primeiros vinte minutos do Real Madrid foram eletrizantes. Amassava o adversário, mesmo jogando fora de casa, mas foi pouco a pouco perdendo o gás. A Real Sociedad não se intimidou e foi ganhando terreno. E o time de Ancelotti foi permitindo, principalmente nos cruzamentos. Os laterais Carvajal e Marcelo eram facilmente driblados e qualquer bola cruzada na área gerava o pânico em Pepe e Sergio Ramos. Até Casillas estava inseguro e às vezes parecia hesitante ao sair do gol.

O resultado foi a virada espetacular da Real Sociedad, com destaque para o meia David Zurutuza, autor de dois gols. O time dele precisou acertar apenas cinco chutes para balançar as redes quatro vezes e derrubar o Golias. Por que necessitaria de mais, afinal, se todos os tentos foram feitos na cara de Casillas? Dois na pequena área, um na entrada dela e outro da marca do pênalti.

Tentando deixar para lá que o campeão europeu não pode sofrer quatro gols praticamente da pequena área, seja da Real Sociedad, do Barcelona ou da seleção alemã, a equipe, coletivamente, parece um remendo do que foi na temporada passada, quando tinha uma forte defesa, a verticalidade de Di María para puxar os contra-ataques e a infiltração de Cristiano Ronaldo para furar os bloqueios.

Nenhum dos dois esteve em campo nesta tarde. O português porque a intensa temporada com título europeu e Copa do Mundo está cobrando o preço. O argentino por opção da diretoria, que o empurrou à porta com a contratação de James Rodríguez e apenas esperou que ele abrisse a maçaneta. O ataque de Ancelotti teve Bale adiantado ao lado de Benzema, Isco e James pelas pontas, mas não foi efetivo. A melhor chance de diminuir o prejuízo veio dos pés do atacante francês, em um giro dentro da área que terminou na trave direita de Zubikarai.

O Real Madrid paga o preço de ter que reinventar um time que venceu a Liga dos Campeões sem nenhuma necessidade. A defesa é a mesma, mas alguns jogadores, destaque para Marcelo, não passam pela melhor fase técnica das suas vidas. E o sistema defensivo sempre funciona melhor quando está coordenado com restante da equipe. Do meio-campo, que tinha Di María, Xabi Alonso e Modric, sobrou apenas o croata.

O clube deve voltar às compras nesta segunda-feira para contratar um reserva para Benzema e não deveria cair na tentação de solucionar os problemas gastando mais milhões de euros em Falcao Garcia. O nome mais forte no momento, Chicharito Hernández, faria mais sentido para compor o elenco. O Real Madrid não precisa de mais um craque, mas recuperar a coletividade que apresentou até o último mês de maio.

Ancelotti ainda busca o equilíbrio entre o que deu certo na temporada passada e as novas exigências que o elenco propõe. Isso costuma ser especialmente difícil em um elenco vencedor, que geralmente resiste a mudar as características que o levaram à glória. O italiano tem muita qualidade em mãos e conhecimento para cumprir essa missão, mas a pergunta que todo mundo se faz é: precisava?

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