No último minuto de uma partida acirrada, Michael Arroyo teve dentro da área suíça a bola do jogo para definir a vitória do Equador. Recebeu ela rolada, redondinha, a ajeitou para chutar, mas na última hora foi desarmado por um carrinho providencial de Valon Behrami. A jogada impressionante, que parecia ser a última do jogo, decretando o empate, foi, em vez disso, o começo da virada suíça em um último suspiro. Behrami não parou no desarme: ignorou os mais de 90 minutos e a temporada como titular no Napoli e tirou força sabe-se lá de onde para arrancar em direção ao gol equatoriano.

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No meio do caminho, foi bruscamente parado por um marcador adversário, mas foi até sua fonte de energia misteriosa mais uma vez para se levantar, seguir o arranque e tocar para Shaqiri. O atleta do Bayern de Munique então virou o jogo para Rodríguez completar o lance, cruzando para o gol de Seferovic.

A partida discreta de Behrami parecia ser a maneira que encontrou para reservar energia para o lance capital do jogo. As manchetes falarão muito das duas assistências de Ricardo Rodríguez, da estrela de Mehmedi e Seferovic, que saíram do banco para balançar a rede, e das boas escolhas de substituição de Ottmar Hitzfeld. Falará até do pobre Arroyo, que deverá ter dificuldades para dormir nesta noite, apesar de o jogo ser tão cedo. Mas o volante do Napoli merece tanto destaque quanto esses ou até mais.

Até quando brilhou, não brilhou: maioria dos replays começam já a partir do cruzamento de Rodríguez. E até quando não brilhou, brilhou: quietinho, sem alarde, foi o jogador que mais deu passes na partida (79), acertando 85% deles. Com a proposta da Suíça de manter a posse de bola, tentando controlar o ritmo do jogo, Behrami foi essencial mesmo quando não estava dando algum desarme milagroso ou armando todo um contra-ataque brilhante. Não reivindicou a glória correndo até o grupo de atletas que comemorava o gol derradeiro. Todo time precisa de um destaque altruísta como o volante.