A disputa por um lugar no pódio da Ligue 1 parecia favas contadas. Afinal, Paris Saint-Germain, Monaco e Lille dispararam, abriram boa vantagem para os concorrentes e tinham a vaga para a Liga dos Campeões a seus pés. O início do segundo turno da Ligue 1, porém, mostrou que a briga não está tão definida assim. Nada que afete PSG e ASM, mas sim o LOSC. A derrota por 2 a 0 para o Saint-Étienne acendeu o sinal de alerta nos Dogues, apenas três pontos acima dos próprios Verdes.

No caldeirão de Geoffroy-Guichard, o Saint-Étienne completou seu quinto jogo consecutivo sem sofrer gols na Ligue 1. Apesar da vitória, os donos da casa demoraram para pegar no breu durante a partida. O ASSE ainda sentia os efeitos da surpreendente eliminação na Copa da França para o Cannes, da quarta divisão, e cumpriu um primeiro tempo bastante burocrático diante de um Lille também perdido em campo.

O LOSC levou algum perigo apenas em jogadas de bola parada. Muito pouco para quem apresentava um toque de bola envolvente e criava chances para marcar com incrível facilidade. O Saint-Étienne soube matar o jogo no momento exato. Em seis minutos, os gols de Brandão e Tabanou, além da expulsão de Balmont, enterraram qualquer esperança de reação dos visitantes.

Após as primeiras 16 rodadas, o Lille havia sofrido apenas quatro gols. Nas cinco partidas seguintes, o time levou nada menos do que oito. O pragmatismo característico das sete vitórias por 1 a 0 obtidas pela equipe também desapareceram. Nas últimas vinte temporadas, apenas dois times que começaram tão bem a competição tiveram uma queda de rendimento tão brusca que as levaram para fora do pódio: Auxerre (1988/89, de segundo colocado a quinto) e Bordeaux (2009/10, líder e que acabou em sexto). Se não se cuidar, o Lille pode engordar esta estatística.

O Lyon segue os passos de seu maior rival e cumpre um início de 2014 perfeito. Desde o reinício da temporada, o OL venceu seus quatro jogos disputados até o momento, com direito a um 2 a 0 sobre o Olympique de Marselha na Copa da Liga Francesa. Na Ligue 1, a vítima da vez foi o Stade Reims, rival direto na tabela e batido por 2 a 0. Com 31 pontos, os lioneses estão vivos na disputa pela quinta colocação – hoje nas mãos do OM, com 32 e um jogo a menos.

Henri Bédimo foi o símbolo da vitória do Lyon no Auguste-Delaune. Sua segurança na defesa fez a diferença pelo seu lado do campo durante o primeiro tempo. No ataque, o camaronês mostrou-se decisivo no apoio. Além de acertar a trave, foi dele a jogada para Lacazette abrir o marcador. A vantagem permitiu ao OL controlar a partida na segunda etapa com eficiência. O Stade Reims até tentou quebrar o ritmo, mas foi envolvido de forma inteligente pelo 4-4-2 em losango montado pelo treinador Rémi Grade – um esquema que se mostra cada vez mais adequado aos jogadores lioneses.

De outro mundo

O Paris Saint-Germain continua firme em seu objetivo de disputar a Ligue 1 em um nível diferente, quase estratosférico. A goleada por 5 a 0 sobre o Nantes apenas ilustra o desejo dos parisienses de não apenas conquistar o título, mas também de entrar para a história com números de deixar qualquer torcedor embasbacado. Cabe aos reles mortais admirar tanta eficiência.

Pegando somente as estatísticas do duelo contra os Canários, o PSG teve 68% de posse de bola, 93% de acertos nos passes e 1045 toques de bola, novo recorde da Ligue 1. E não falamos de um time qualquer. O Nantes ocupa um honroso sexto lugar e briga para entrar no topo da tabela. Além disso, o desempenho dos atuais campeões impressiona quando comparado ao dos melhores times dos últimos tempos do futebol francês.

Nesta temporada, o PSG tem uma média de posse de bola de 61%. Com 50 pontos ganhos em 21 partidas, o time se igualou à máquina do Lyon no auge de seu domínio na Ligue 1, em 2005/06 e 2006/07. No apogeu do esquadrão comandado por Gérard Houllier, o OL fica atrás do clube da capital quando se analisa o poder ofensivo. Em 05/06, os lioneses marcaram 36 gols em 21 jogos; na temporada seguinte, foram 40 na mesma altura do torneio.

O PSG extrapolou os limites e alcançou uma nova dimensão, impulsionado pela dupla Zlatan Ibrahimovic e Edinson Cavani. Com os 30 gols marcados pela dupla, os parisienses chegaram a 51 tentos. É preciso voltar até 1969/70, quando o Saint-Étienne balançou as redes adversárias 57 vezes, para alcançar algum feito parecido. A tendência, claro, é a de manter este amplo domínio sobre os adversários sem ser incomodado.

Se mantiver o ritmo até o fim do campeonato, o PSG chegará aos 90 pontos, recorde em valor absoluto, com nada menos do que 92 gols marcados – 54 deles pela dupla Ibra-Cavani. Historicamente, a equipe que mais se aproxima deste desempenho é o Olympique de Marselha, com seus 94 gols feitos na temporada 1970/71. Uma breve comparação: em 2012/13, o PSG balançou as redes rivais 69 vezes.

Tantos números e tamanha superioridade apenas demonstram como o PSG está com a faca e o queijo na mão para dominar a Ligue 1 sem grandes dificuldades nos próximos anos – a menos que o Monaco ou outro rival elevem o nível (leia-se invistam pesado em seus times) para fazer frente ao clube da capital. Competir contra quem tem um orçamento de € 430 milhões está cada vez mais impossível.