Um acerto da arbitragem é sempre melhor que um erro. Na vitória por 2 a 0 da Roma sobre o Sassuolo, fora de casa, houve mais uma polêmica desse tipo. Isso porque o árbitro da partida, Nicola Rizzoli, único italiano que irá apitar na Copa do Mundo, se enrolou em uma marcação e, aparentemente, teve um auxílio externo para perceber o engano e voltar atrás. A polêmica se instalou. Pode ou não pode ter esse tipo de interferência no futebol?

O lance foi aos 36 minutos do primeiro tempo. Sansone invadiu a área pelo lado esquerdo, cortou para dentro e, marcado pelo zagueiro Benatia, desabou. O árbitro apontou a marca da cal e deu o pênalti, gerando muitas reclamações do time romanista – como era de se esperar. Berardi, atacante do Sassuolo, chegou a colocar a bola na marca do pênalti se preparando para a cobrança. O belga Nainggolan deu um bico na bola e não deixou. Enquanto isso, o árbitro falava com o assistente, ouvia jogadores dos dois times e, quase cinco minutos depois, decidiu voltar atrás e não marcar o pênalti. Em declaração à Gazzetta dello Sport após o jogo, Benatia disse que Sansone foi honesto, porque disse ao árbitro, ao ser questionado sobre o lance, que tinha escorregado. Algo que possivelmente só aconteceu porque o árbitro recebeu a informação, vindo de sei lá onde, que o lance não tinha sido pênalti. E, na discussão, levou o jogador do Sassuolo a admitir que não foi nada.

Voltamos à pergunta: pode ou não pode auxílio externo no futebol? Essa pergunta é ultrapassada há tempos. Não é de hoje que esse tipo de lance acontece e é revertido, depois de muito tempo e conversas, por causa de uma suposta intervenção externa. O caso mais famoso é o da final da Copa do Mundo de 2006, quando Zidane foi expulso claramente depois de alguém avisar o árbitro sobre a agressão o camisa 10 francês ao zagueiro Materazzi. A versão oficial foi que o quarto árbitro que fez isso, mas ficou evidente que foi depois que a televisão recuperou a imagem que mostrava a agressão – que não foi vista em tempo real.

A pergunta mais adequada é: quando iremos regularizar o uso de um auxílio externo para lances do futebol? Sim, não irá resolver tudo e nem é essa a intenção. O pênalti dado em Neymar no jogo entre Real Madrid e Barcelona, por exemplo, não é conclusivo nem com o uso de imagens. Há quem ache que foi, outros que não foi. Mas o uso dessas imagens ajudaria, por exemplo, a reverter um gol feito em impedimento, ou uma confusão como a do jogo entre Arsenal e Chelsea, que o juizão deu o cartão vermelho para o jogador errado.

Não podemos ser reféns do erro. O ser humano é falho e qualquer tentativa de minimizar os erros no futebol é bem-vinda. Incluindo aí esse suposto auxílio externo que impediu Nicola Rizzoli de cometer um erro. Só que é preciso acabar com esse jogo de “não sei de nada” que a Fifa faz. É preciso acabar com a hipocrisia: sim, há um auxílio externo que acontece em alguns casos. Por que não regulamentá-lo de forma a ser usado sistematicamente, evitando até que se demore tanto tempo para uma decisão? Ainda assim, é bom ressaltar: é melhor demorar cinco minutos para decidir e acertar no lance do que marcar imediatamente errado.

Ah sim, falando do jogo: a vitória da Roma veio com gols de Destro e Michel Bastos, já no final do jogo, aos 51 minutos da etapa final. Os gols você vê abaixo:

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