O Brasil venceu o Japão por 3 a 1 em Lille, nesta sexta-feira, em jogo amistoso. A partida, que serve como preparação pensando na Copa 2018, serviu para Tite testar o setor mais preocupante do time: o meio-campo. Com a queda de rendimento de Renato Augusto, o treinador viu duas opções ganharem espaço. Fernandinho é quem mais tende a ganhar espaço com uma boa atuação. É, atualmente, a maior ameaça ao time titular.

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Fernandinho e Giuliano foram titulares nos lugares de Renato Augusto e Paulinho. O primeiro vem sendo destaque no Manchester City, atuando como um volante de passe e bom chute de fora da área. Giuliano é um dos jogadores contestados por Tite e colocá-lo em campo, sendo um jogador da confiança do técnico, foi uma forma de dar oportunidade para que ele mostre serviço. E foi bem, dentro das suas possibilidades.

Quem aproveitou muito bem a chance como titular foi o lateral direito Danilo. Em uma posição que a reserva de Daniel Alves ainda parece muito aberta, o jogador do Manchester City ganhou espaço para ser, atualmente, o mais forte candidato a estar na lista final de 23 jogadores que vão à Rússia.

O Japão, por sua vez, sentiu problemas na criação de jogadas. O país foi um dos primeiros a garantir vaga na Copa do Mundo, depois do Brasil. O time comandado por Vahid Halihodzic é organizado, mas que não tem jogadores com grande capacidade criativa. Por isso, sofre para conseguir articular jogadas ofensivas com qualidade. Contra um time de qualidade, como o Brasil, só chegou ao ataque com os cruzamentos em faltas e escanteios.

O jogo foi em Lille, algo que é sempre estranho. Afinal, nenhum dos dois é mandante do jogo, de fato. Os ingressos variaram de 15 a 70 euros. Mesmo assim, o estádio ficou bastante vazio. Mais uma demonstração que o Brasil precisa jogar mais em território nacional, e não ser um time que vende seus jogos para outros lugares do mundo. Mas este é um outro assunto.

Tite escalou o time de forma bastante modificada. Entre os titulares, as novidades foram o lateral direito Danilo, os zagueiros Thiago Silva e Jemerson, e os meio-campistas Fernandinho e Giuliano. Willian também foi titular, com Philippe Coutinho ainda sem condições de estar em campo.

Nos primeiros cinco minutos, uma chance para cada lado. Primeiro, em uma jogada de Neymar, que tocou para Giuliano. O meia do Fenerbahçe demorou um segundo a mais para finalizar e acabou travado. Depois, em um contra-ataque com lançamento longo do Japão que Alisson saiu da área para interceptar, antes de Kubo chegar à bola.

A novidade do uso do árbitro de vídeo, o VAR, veio logo no começo do jogo. Logo a oito minutos, Yoshida agarrou Fernandinho de forma acintosa. O árbitro não viu, mas foi avisado pelo VAR. Revisou o lance por si mesmo e apontou a marca da cal. Neymar cobrou com categoria e marcou: 1 a 0.

Pouco depois, aos 15 minutos, Neymar tocou de cabeça para Gabriel Jesus e foi derrubado por Yamaguchi. Ou, ao menos, foi o que o árbitro interpretou. O árbitro apontou a marca da cal. Neymar trocou o canto e o goleiro Kawashima defendeu, mandando para escanteio. Um alívio? Não muito.

No escanteio, a zaga tirou depois do cruzamento para a área, mas Marcelo aproveitou a sobra e soltou uma bomba de pé direito – que não é o seu preferido, já que é canhoto. Um golaço do lateral esquerdo brasileiro, ampliando o placar para 2 a 0 em Lille. Aos 29 minutos do primeiro tempo, Yoshida cobrou falta com categoria, por cima da barreira, e assustou o goleiro Alisson: a bola bateu no travessão e se afastou.

O Brasil chegou ao terceiro gol em algo que sabe fazer muito bem: o contra-ataque. Depois de uma boa troca de passes no meio, Gabriel Jesus tentou o corte para dentro e a zaga cortou, mas a bola sobrou para Casemiro. O volante brasileiro tocou de primeira para Willian, na direita, e o meia deu um toquinho para a passagem de Danilo. O lateral do Manchester City cruzou rasteiro, na segunda trave, para Gabriel Jesus só empurrar para a rede.

Fernandinho, do Brasil, marca Hasebe, do Japão (Photo by Clive Rose/Getty Images)

No segundo tempo, o Japão conseguiu diminuir o placar aos 17 minutos. Ele completou de cabeça, na segunda trave, em cobrança de escanteio. O jogo entrou em um banho Maria depois disso. O Japão chegou a marcar mais um gol, aos 42 minutos, com Sugimoto, mas estava impedido e foi bem anulado.

Ao longo do segundo tempo, Tite colocou em campo alguns jogadores para observar. Um deles, Diego Souza, substituiu Gabriel Jesus. O jogador do Sport é considerado por Tite alguém acima da média, tecnicamente, que consegue se entender bem com outros jogadores de alto nível, como Neymar, Willian, Philippe Coutinho. Só que o jogador do Sport teve poucos toques na bola.

Outro que entrou foi Douglas Costa, atualmente na Juventus. O jogador entrou na ponta esquerda e tentou fazer algumas jogadas. Do outro lado, entrou Taison. Nos dois casos, os dois jogadores não conseguiram tocar muitas vezes na bola para, de fato, poderem mostrar algum serviço ao técnico.

Taison é um dos mais questionados na lista de convocados – justamente, aliás – e, como não conseguiu pegar muito na bola para mostrar serviço, deverá continuar sendo. No final do jogo, quem quase marcou foi um lateral. Alex Sandro teve uma grande chance de cabecear um belo cruzamento do outro lateral, Danilo.

Em um amistoso com temperatura morna, Tite conseguiu observar duas posições importantes dentro do que precisa. A lateral direita e o meio-campo ganharam opções. Danilo para a reserva de Marcelo e Fernandinho para a vaga de Renato Augusto – inclusive na disputa por uma vaga no time titular.

Ficha técnica

Brasil 3×1 Japão

Estádio: Stade Pierre-Mauroy, em Lille (FRA)
Árbitro: Benoit Bastien (FRA)

BRASIL: Alisson (Cássio), Danilo, Thiago Silva, Jemerson e Marcelo (Alex Sandro); Casemiro; Fernandinho, Giuliano (Renato Augusto), Willian (Douglas Costas) e Neymar (Taison); Gabriel Jesus (Diego Souza). Técnico: Tite

JAPÃO: Kawashima, Hiroki Sakai, Yoshida, Makai e Nagatomo; Hasebe (Morioka), Yamaguchi e Ideguchi (Endo); Osako (Sugimoto), Haraguchi (Inui) e Kubo (Asano). Técnico: Vahid Halilhodzic