As rodadas recentes das Eliminatórias da América do Sul para a Copa de 2018 mostraram que alguns novatos já estão sendo muito úteis para suas respectivas seleções adultas. O Uruguai testemunhou isso numa hora das mais importantes: contra o Paraguai, em pleno Defensores del Chaco, o meio-campista Federico Valverde estreou pela Celeste principal, três meses após se destacar na seleção sub-20, semifinalista do Mundial da categoria. Pois além de jogar bem, “Fede” foi autor do primeiro gol em uma importantíssima vitória da equipe de Óscar Tabárez, mais assentada na zona de classificação direta para a Copa. Pela primeira vez na história, os charruas triunfaram em Assunção pelas Eliminatórias, batendo a Albirroja por 2 a 1.

A rigor, Valverde já deu sinais de que poderia ser importante, na única chance uruguaia digna do nome ocorrida no primeiro tempo: aos 27 minutos, o meio-campista do Deportivo de La Coruña (mas emprestado pelo Real Madrid Castilla) fez ótimo lançamento em profundidade, e Edinson Cavani recebeu livre na esquerda. O atacante entrou na área e chutou cruzado, perto do gol. Além de um chute alto de Nahitan Nández, aos 32, e de um cruzamento de Luis Suárez interceptado por Gustavo Gómez aos 37, pouca coisa ocorreu nos primeiros 45 minutos.

Mesmo motivado pela vitória surpreendente e merecida contra o Chile, o Paraguai apostou demasiadamente nas bolas altas. Foi assim que Óscar Romero cabeceou, aos quatro minutos, para a defesa de Fernando Muslera. Aos 24, a jogada já foi melhor tramada: Ángel Romero escorou de cabeça a bola vinda de lançamento, mas Victor Cáceres completou sem perigo algum.

Todavia, apostando na mesma ideia, a Albirroja começou a ampliar a empolgação de sua torcida no segundo tempo. Criou mais chances. Começou aos seis minutos, graças a uma bonita triangulação: Victor Almirón passou, Junior Alonso cruzou, Ángel Romero cabeceou forçando Muslera a espalmar a bola para fora. E o escanteio vindo como consequência rendeu mais perigo, em cabeceio de Richard Ortiz. Outra boa oportunidade veio aos 16 minutos, em novo cabeceio de Gómez por cima do gol, após escanteio de Jorge Moreira. A sorte quase ajudou aos 20: Óscar Romero cruzou, e o desvio de Lucas Barrios foi mais perigoso do que parecia, passando rente à trave de Muslera, que precisou se esticar. Enfim, aos 29, houve um chute de Almirón, para fora.

Mas justamente quando os guaranis pressionavam mais, Valverde viu a ampliação do seu conto de fadas. Se estrear pela Celeste já era notável, mais notável ainda foi fazer o gol do 1 a 0, tirando os charruas do sufoco, aos 31 minutos. Escanteio cobrado, e Cristian Riveros ainda tentou tirar a bola da área. Mas ela sobrou para o jovem de 19 anos, que arriscou. O desvio na zaga ajudou, e tirou a bola do alcance de Anthony Silva.

Se a juventude abriu o caminho, a experiência rendeu a vitória ao Uruguai, aos 35 minutos. Um rápido contra-ataque deixou Luis Suárez como ele gosta: com bola e espaço livre à frente para chegar à área. Luisito driblou Anthony Silva, perdeu muito do ângulo, mas ainda assim parou e tentou o chute. E a sorte ajudou: bola no travessão, bateu em Gustavo Gómez e entrou, colocando o Uruguai na rota do triunfo.

Até que o gol do Paraguai, aos 43 minutos, foi merecido. Numa bola alta, como sói acontecer: em escanteio, a defesa uruguaia rebateu, mas Cecílio Domínguez arriscou na sobra. E bem colocado, Ángel Romero se esforçou para, de carrinho, diminuir. Mas nem mesmo o tento do atacante do Corinthians, nem mesmo a volúpia ofensiva dos acréscimos foi suficiente para evitar a valiosa vitória do Uruguai, assentado no segundo lugar, garantindo boa posição para as duas últimas rodadas das Eliminatórias – e doces memórias na carreira de Federico Valverde.