A carreira de Andrea Pirlo agora é um livro aberto. E, não, essa afirmação não é apenas em sentido figurado. O meio-campista lançou sua autobiografia ‘Penso, logo jogo’, em que narra episódios de sua carreira pouco conhecidos, com a riqueza de detalhes de só quem realmente viveu aquelas histórias pode dar.

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Algumas passagens já ganharam notoriedade na imprensa, mesmo a publicação sendo tão recente. Pirlo, por exemplo, demonstra toda a sua frustração com a derrota para Liverpool na final da Liga dos Campeões de 2005, quando a vitória fácil do Milan por 3 a 0 se transformou em um épico 3 a 3, com o milagre dos Reds nos pênaltis: “Eu pensei em encerrar a carreira porque, depois de Istambul, nada mais fazia sentido. A final simplesmente me sufocou. Eu quase não consegui dormir e, quando peguei no sono, acordei com um pensamento cruel: Eu sou repugnante, eu não posso jogar nunca mais”. Ou mesmo quando conta o seu prazer em defender a seleção italiana: “Fazer parte de um time que pertence a todo mundo faz me sentir bem. Muitas vezes, é melhor do que sexo: dura mais e, quando não dá certo, não pode ser apenas sua culpa. É muito melhor ser um soldado em campo do que na cama”.

Entretanto, há um traço da personalidade de Pirlo que não é tão conhecido assim, mas que o craque deixa bem claro no livro: ele é um enorme maníaco por videogames. Aliás, não são poucos os trechos nos quais ele deixa isso bem claro – incluindo outro que já se tornou famoso, quando foi sondado por Pep Guardiola para se transferir ao Barcelona. Se você acha que você é viciado nos jogos, deveria repensar esse conceito ao ler esses três trechos da autobiografia do italiano:

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Sobre sua paixão pelos games: “Depois da roda, o Playstation é a melhor invenção de todos os tempos. E desde que ele existe, eu tenho sido Barcelona, à parte de um breve período no começo em que jogava com o Milan. Eu não posso dizer com certeza quantas partidas virtuais eu disputei nos últimos anos, mas, a grosso modo, deve ter sido pelo menos o quádruplo de reais. ‘Pirlo contra Nesta’ era um clássico nos tempos de Milanello. Nós chegávamos cedo, tomávamos o café da manhã e então íamos para o quarto jogar Playstation até às 11 horas. O treino se seguia, então voltávamos antes das quatro da tarde. Uma verdadeira vida de sacrifícios”.

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Sobre o encontro no Guardiola, relacionando também com seu gosto por jogar com o Barcelona nos videogames: “Durante meia hora eu me mantive quieto e deixei Guardiola falar. Eu ouvi e, no máximo, balancei a cabeça. Eu estava tão surpreso que meus reflexos ficaram mais lentos. Eu estava mais atordoado do que animado: mexido com a situação, mas de uma maneira bastante positiva. Eu nunca teria esperado por isso. Talvez eu tivesse passado tanto tempo no Playstation que acabei dentro dele. Sugado por um universo paralelo de meu passatempo preferido e agora à mercê de um manipulador de fantoches com algum tipo de mãos encantadas”.

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Sobre a sua preparação para a final da Copa de 2006, quando a Itália derrotou a França de Zidane: “Eu não dou a mínima para a pressão. Passei a tarde dormindo e jogando Playstation, então eu deixei a concentração e conquistei a Copa do Mundo”.

Se o Fifa e o Pro Evolution Soccer quiserem assinar um contrato com Pirlo, já sabem que terão bem mais do que um simples garoto propaganda.

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