O bom senso está perto de prevalecer na Inglaterra. Consciente de que a torcida é a parte mais importante do funcionamento do futebol, a Football Association deverá, nos próximos dias, negar o pedido do excêntrico, para dizer o mínimo, dono do Hull City, Assem Allam, de mudar o nome do time para Hull Tigers. Segundo a BBC, a decisão teria sido tomada com base no conselho de membros do comitê da entidade. A tradição da agremiação e, sobretudo o desejo do torcedor, venceu desta vez, em detrimento da vontade do capital.

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Allam tem aptidão para os negócios, mas nenhuma sensibilidade quando o assunto é futebol. Empresário egípcio e morador de Hull há 40 anos, o mandatário do clube fracassou em perceber a importância do time e de seu nome para a cidade, propôs a mudança de nome por questões comerciais e até mesmo atacou quem reclamasse. Além de censurar faixas no estádio que, com o lema “City Till We Die” (“City Até Morrer”), pediam a manutenção do nome, o homem forte do clube ainda respondeu aos torcedores, dizendo que “podem morrer quando quiserem, desde que deixem o clube para a maioria que quer apenas assistir bom futebol”.

“A recomendação, que veio depois de uma consulta com acionistas dentro e fora do futebol, será discutida e votada em completo na reunião do Conselho da FA em 9 de abril. O Hull City pode fazer outra proposta ao Conselho da FA em vista das razões escritas, que já receberam, antes da reunião do dia 9 de abril”, detalhou uma fonte não revelada em entrevista à BBC.

A Football Supporters’ Federation, entidade criada na Inglaterra para defender os direitos dos torcedores e com grande atuação atualmente, se pronunciou a favor da decisão, exaltando a FA e, principalmente, os torcedores do Hull. “Está é, sem dúvida alguma, a decisão correta, e o crédito precisa ir tanto para a FA quanto para os torcedores do Hull City, que lideraram uma tremenda campanha. As fanzines e os grupos dos torcedores que se uniram pela bandeira City Till We Die protegeram a herança do clube e um nome de 110 anos de idade e de grande dignidade. A decisão da FA também deve servir como um aviso aos outros donos de que mudanças fundamentais na identidade de um clube não devem ser feitas sem o apoio dos torcedores.”

A declaração da FSF resume bem o significado da iminente decisão da FA. Ainda não há informações dos detalhes da negativa da entidade, em quais pontos se basearam para negar a Allam a mudança de nome do clube. Entretanto, quaisquer que sejam esses motivos, há de se ficar do lado da torcida nessa. Se o descontentamento com algo que mexeria na identidade da agremiação é basicamente unânime, não há discussão. O egípcio chegou a afirmar que, se tivesse o pedido negado, venderia o Hull City. Contanto que não apareça outro bilionário capitalóide para comandar o clube, maior parte da torcida provavelmente não se oporia a isso.