Theo Walcott acertou a sua saída do Arsenal, depois de 12 anos defendendo o clube. O Everton contratou o atacante por £ 20 milhões (€ 22 milhões), pouco mais que o dobro do valor pago ao Southampton em janeiro de 2006, € 10,5 milhões. Aos 28 anos, Walcott nunca conseguiu estar à altura do prodígio que deu indício de ser quando surgiu e tentará ter sucesso nos próximos meses ainda sonhando com uma vaga na seleção inglesa para a Copa 2018.

LEIA TAMBÉM: Cyrille Regis, o artilheiro que se tornou herói de uma geração de jogadores negros na Inglaterra

Um ponta no seu início de carreira, Walcott mostrou uma característica de velocidade. Sua técnica sempre foi boa, mas também nunca foi excelente. É um jogador que gosta de atuar pela ponta direita, eventualmente sendo jogado do lado esquerdo e, com a carência de atacantes pelo meio, queria jogar por ali. Nunca se firmou. Se tornou um excedente no elenco do Arsenal, mesmo com a iminente saída de Alexis Sánchez.

Um dos problemas que atrapalhou a carreira de Walcott foi o número de lesões. A mais grave delas em 2014, quando rompeu o ligamento cruzado anterior e ficou afastado por 10 meses. O principal problema para ele, porém, foi não conseguir ser o jogador que se esperava. Chegou como o camisa 32, ganhou a camisa 14 de Thierry Henry, mas ficou abaixo do que se esperava de um prodígio. Por isso, o rótulo de grande jogador ainda muito precocemente pode ter pesado.

Na atual temporada, foram 16 jogos, quatro gols, cinco assistências e atuações que não fizeram nenhuma diferença para o Arsenal. Por isso, o clube decidiu vende-lo e focar em alternativas, como Malcom, do Bordeaux, que pode ser o principal reforço após a saída de Sánchez. Ao menos é o que se especula. Walcott já carrega o fardo de jogador que fracassou em se tornar um dos melhores da sua posição na Premier League, seria difícil reverter isso jogando pelo Arsenal.

Walcott não tem culpa sobre a expectativa que se criou sobre ele, nem que ele tenha sido convocado para a Copa de 2006 sem nunca ter jogado nem na Premier League. O problema é que ele teve um desempenho de um jogador apenas razoável, longe de ser decisivo como se esperava e líder como poderia ser a essa altura da carreira.

Apenas em uma temporada Walcott conseguiu marcar mais de 10 gols na Premier League. Foi na temporada 2012/13, quando começou a ser colocado para atuar como centroavante, além de ponta. Foram 14 gols na Premier League naquela temporada – com 21 na soma de todas as competições. No total, foram 397 jogos pelo Arsenal e 108 gols marcados.

“Eu estou muito empolgado e eu quero apenas fazer o que eu faço melhor, que é jogar futebol e me expressar porque eu estou empolgado de novo, eu realmente estou”, disse Walcott ao novo clube. “Eu realmente acredito que eu vou dar o meu máximo, o que eu sempre fiz, e este lugar vai tirar ainda mais de mim”, continuou.

“Há algo sobre essa transferência que eu realmente senti que foi bom para mim. Eu senti que era tempo de deixar o Arsenal para trás. Foi triste, mas empolgante ao mesmo tempo e eu quero reacender a minha carreira e levar o Everton a conquistar coisas, como já fizeram antes”.

“Eu quero ser parte de algo e eu sinto que este lugar irá me oferecer isso”, declarou Walcott. “Eu sou muito ambicioso e eu vim aqui porque eu quero que o clube suba ao próximo nível”, declarou o jogador. “E com os jogadores que vieram, eu sinto que o próximo nível pode ser alcançado”.

“Eu estou muito empolgado com este novo capítulo e eu sinto que é o lugar certo para eu estar. O técnico é muito ambicioso e eu sinto que o clube está caminhando na direção certa”, analisou. “O Everton é um clube com uma grande história. Os torcedores são sempre apaixonados, eles são ótimos e eu sempre achei muito difícil jogar aqui”.

“O clube ganhou troféus, mas eu quero ganhar troféus agora. O técnico está com muita fome e é apenas o que eu preciso. Eu tive algumas conversas com ele e imediatamente eu senti a forme e o desejo que ele tinha de me ter aqui. Eu precisava disso e queria isso”, contou ainda Walcott.

No Everton ele terá a confiança do técnico e a missão de abastecer Cenk Tosun, atacante turco contratado nesta janela para marcar gols pelos Toffees. Estará disponível para estrear já no sábado, quando o Everton enfrenta o West Bromwich Albion em casa, no estádio Goodison Park. Walcott assinou até junho de 2021 com o novo clube e vestirá a camisa a camisa 11, que era de Kevin Mirallas e que voltou para o Olympiacos.