Arsène Wenger deixou o Arsenal ao final da temporada passada, 2017/18, depois de 22 anos no cargo. O francês foi contratado em 1996, quando ainda era pouco conhecido na Inglaterra e em boa parte do mundo. Era impossível imaginar que ele permaneceria no clube por tantos anos, criando uma era e muitos times diferentes e marcantes, e outros que imprimiram uma marca de serem insuficientes para disputar no topo. Em entrevista na França, o treinador, de 68 anos, confessou que sente ter errado ao permanecer no Arsenal por tanto tempo. E um dos motivos é justamente os sacrifícios na vida pessoal.

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Qual foi o seu maior erro, Wenger? “Talvez ficar no mesmo clube por 22 anos. Sou alguém que gosta de coisas novas, de alguma forma, gosto de mudanças. Mas também gosto de desafios. Fui um pouco como um prisioneiro ao meu desafio a cada vez”, afirmou o técnico à rádio RTL, da França. O treinador disse que ainda não decidiu o que pretende fazer na sua carreira daqui para frente. Wenger afirmou que a decisão sobre isso deve levar mais dois ou três meses. O ex-treinador do Arsenal também disse que se arrepende de ter feito tantos sacrifícios para ficar tanto tempo em um só clube.

“Eu me arrependo ter sacrificado tudo que eu sacrifiquei, porque percebi que magoei muitas pessoas ao meu redor. Negligenciei muitas pessoas. Negligenciei minha família, negligenciei muitas pessoas próximas”, contou Wenger. “Mas no fundo, porém, uma pessoa obcecada é egoísta na sua busca pelo que ama. Ele sente falta de muitas coisas. Mas é um osso para seguir ao mesmo tempo”, confessou ainda o treinador.

“Frequentemente me perguntam se Thierry Henry e Patrick Vieira serão bons técnicos e eu sempre digo que sim. Eles têm todas as qualidades, eles são inteligentes, eles conhecem futebol, eles possuem muitas habilidades, mas eles querem sacrificar o que precisa ser sacrificado para fazer apenas isso? É uma obsessão que pinga na sua cabeça noite e dia”, explicou o treinador. “Você acorda às três da manhã pensando ‘Eu deveria jogar com este ou aquele? Deste modo ou daquele será o melhor para vencer esta partida?’. É um trabalho que você nunca deixa”, continuou.

Quando perguntado especificamente sobre o que pretende fazer, Wenger ainda deixou em aberto. “Eu não decidi ainda. Eu tenho me perguntado a mesma coisa. Eu continuo fazendo o que eu venho fazendo, o que eu sei? Ou eu deveria compartilhar o conhecimento que eu acumulei ao longo dos anos sobre as pessoas e o esporte de uma forma diferente? Esta é a pergunta que eu tenho que responder em dois ou três meses”, disse.

Unai Emery foi contratado para o Arsenal após a saída de Wenger e terá a dura missão de substituir o francês. Se especulou que Wenger poderia assumir algum cargo diretivo em clubes como o PSG, por exemplo, mas essa possibilidade nunca se concretizou.

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